10 de junho de 2026

“A mesma polícia que mata é a mesma que comete suicídio”, lamenta ministro dos Direitos Humanos na TVGGN

Um em cada quatro policiais militares brasileiros que tiraram a própria vida em 2023 eram agentes paulistas. Ministro comenta o caso ao GGN; assista
O ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, em entrevista ao jornalista Luis Nassif, elenca as prioridades do ministério. | Foto: divulgação/MDHC

O índice de policiais militares que tiraram a própria vida bateu recorde no estado de São Paulo em 2023, apontam os dados do 18º Anuário do Fórum de Segurança Pública. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, falou com exclusividade ao jornalista Luís Nassif sobre o número chocante, que expõe a catástrofe da violência institucional. A entrevista foi exibida no programa TVGGN 20h, na na noite da última sexta-feira (26), no Youtube [Assista a íntegra no final da reportagem].

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O Anuário do Fórum de Segurança Pública, divulgado em 18 junho, mostra que só em São Paulo foram contabilizados 31 suicídios de PMs que estavam na ativa no ano passado, o que representa uma alta de 80% em relação aos registros de 2022. Sendo assim, os registros do estado somam 28,2% dos casos de suicídio entre PMs de todo o país, além de ser o maior número já registrado desde o início da série histórica, que começou em 2017.

Para o ministro dos Direitos Humanos, esses registros são consequências de um problema estrutural e institucionalizado, que se agrava de maneira concomitante com a violência policial. “Qualquer política de Direitos Humanos tem que vir ancorada numa política de Segurança Pública. Nós temos que ser muito firmes e não há essa firmeza toda, basta ver as notícias sobre a relação da extrema-direita com aspectos muito complicados do crime organizado. É preciso pressionar as autoridades estaduais para que elas tomem as providências e o Ministério Público teria que ter um papel central, pensando inclusive na violência policial”, explicou.

A violência policial, os excessos da polícia, não podem ser acreditados só na conta das polícias, que tem participação [nesses atos], mas com uma conivência enorme do sistema de justiça, tanto do Ministério Público como também do Judiciário, que deve atuar para coibir esses abusos. Os números do Anuário de Segurança Pública mostram que a mesma polícia que mata é a polícia que está cometendo suicídio (…) É preciso segurar em cima e ter a consequência, a responsabilização. O problema é que não acontece nada no Brasil”, acrescentou Almeida. 

A partir dessa questão, o ministro afirmou que a pasta já trabalha em alternativas para minimizar esses danos. “Nós vamos lançar nos próximos dias, com apoio do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um plano de Direitos Humanos para os agentes de Segurança Pública, visando justamente a saúde mental, a partir da lógica que essas pessoas estão sendo utilizadas”, contou. 

“É muito fácil matar no país”

Ainda sobre a questão da Segurança Pública, o ministro do governo Lula (PT) chamou atenção para os homicídios. Em 2023, o número caiu, mas ainda foram registradas 39,5 mil mortes violentas em todo Brasil. 

É chocante, é muito fácil matar uma pessoa no país, se ela for pobre, preta, se mora na periferia… é muito fácil matar. E nós temos um problema enorme com investigação de homicídio. Se matam as pessoas, não tem investigação. Nós precisamos, inclusive, ser mais consequentes no que concerne ao papel das polícias técnico-científicas”, disse. 

Há uma preocupação muito grande da nossa parte com a questão dos homicídios no Brasil. Nós temos um convênio com a Assembleia Legislativa do Ceará, que faz estudos junto com o Observatório Nacional, e a partir dos dados vamos propor algumas medidas que nós consideramos que sejam interessantes para tentar reduzir esse número no Brasil”, pontuou.  

Ainda sobre as novidades importantes sobre os planos da pasta, Almeida falou que trabalha junto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, no projeto de “constitucionalizar efetivamente” o Sistema Único de Segurança Pública, o SUSP.

Assista a íntegra da entrevista

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. José de Almeida Bispo

    28 de julho de 2024 5:31 pm

    A direita, que costuma ser selvagem, e a extrema-direita, que é bestial, sempre incutem na sociedade a matança “de bandidos” como solução para o crime. BANDIDO NUNCA TEVE MEDO DE MORRER; BANDIDO TEME NÃO PODER COMETER O CRIME. Ser indubitavelmente pego, antes ou depois do crime cometido. A ideologia do mata-mata é coisa de preguiçosos agentes de mente criminosa da segurança, psicopatas. CRIMINOSO TEM MEDO DA EFICIENCIA DA CIVILIZAÇÃO; NÃO DA SELVAGERIA, QUE ELE DOMINA MUITO BEM. E, nesse caso, se “matar bandido” resolvesse, com a quantidade morta todos os anos, o Brasil seria um paraíso.

Recomendados para você

Recomendados