4 de junho de 2026

Caco Velho, autor de “Barco Negro”, um clássico internacional ignorado no Brasil

A música chegou até Amália Rodrigues. A letra foi censurada pelo regime de Salazar. Trocou-se a letra e a nova música foi “Barco Negro”.

Poucos ouviram falar de Caco Velho. Menos ainda do “Barco Negro”, sua composição que conquistou o mundo.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Não cheguei a conhecê-lo na noite paulistana, onde ele passou algumas temporadas. Morreu em 1971, quando eu tinha pouco mais de um ano de São Paulo. 

Seu nome era Matheus Nunes, nascido em 1915 no Rio Grande, cidade gaúcha. Começou nas bandas de sua cidade, mudou-se para o Rio de Janeiro e era um dos reis do sincopado nos anos 50 e 60, de uma escola de interpretação fantástica que teve, também, os cariocas Ciro Monteiro e Moreira da Silva, os paulistas Germano Mathias e Vassourinha e os nordestinos Jackson do Pandeiro e Genival Lacerda.

Fez sucessos, como “Meu Fraco é Mulher”.

Mas seu grande sucesso, com inúmeras gravações internacionais, foi “Barco Negro”.

A música foi inspirada em seu clássico “Mãe Preta”, gravado em 1942 pelo conjunto Tocantins

A música fala da mãe preta, as escravas que criaram os sinhozinhos, uma das mais expressivas (e desconhecidas) denúncias musicais contra o racismo.

A música chegou ao conhecimento de Amália Rodrigues, a maior intérprete do fado. A letra foi censurada pelo regime de Salazar. Trocou-se a letra e a nova música foi “Barco Negro”, composição lindíssima, com inúmeras gravações internacionais, instrumentais e cantadas, e interpretada no ritmo do fado. O letrista é David Mourão.

Entre os intérpretes está George Melachrino, arranjador inglês de músicas leves, o guitarrista português

 Custódio Castelo, jovens cantoras portuguesas, como Cuca Roseta, e clássicas, como Amália Rodrigues, uma grande cantora brasileira, Daúde, até a moderna música eletrônica de Amor Electro

Quando a música estourou, Caco Velho mudou-se para Paris onde permaneceu por 10 anos cantando na noite. Depois, montou uma casa de show em São Paulo

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Maria Lucia Pereira de Sampaio

    11 de agosto de 2024 6:24 pm

    Até onde eu sei, Piratíni, um gaúcho, foi parceiro de Caco Velho nesta composição.

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    12 de agosto de 2024 7:55 am

    Nassif, na década de 50, eu ouví algumas vezes uma música que era atribuida ao Caco Velho, acredito que o título seja Margarida mas até hoje não consegui confirmar tais informações. A letra começa com: Meu deus ou vou me acabar, se Margarida não voltar, como vai ser a minha canja de galinha… e termina com: É mais se a polícia não descobre, eu ficava rico e meu patrão ficava pobre.

    1. Paulo Henrique Corrêa Porto

      12 de agosto de 2024 3:22 pm

      Conheço esse samba com o Moreira da Silva… Espero ter ajudado.

Recomendados para você

Recomendados