A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, nesta semana, a mpox como emergência de saúde global, mas a virologista brasileira Clarissa Damaso afirmou que o recente surto da doença não caracteriza uma pandemia e também não há impacto sobre a vida dos brasileiros neste momento.
Damaso é chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Vírus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e faz parte do comitê da OMS que recomendou a declaração de emergência internacional. “Não há pandemia. E não é preciso, necessariamente, que exista pandemia para ser declarada uma emergência internacional”, disse a virologista, em entrevista ao O Globo.
Segundo a especilista, a declaração de emergência global é um mecanismo de contenção da OMS sobre a doença e que tem o objetivo de canalizar recursos aos países afetados. “Em 2016, o Brasil foi o epicentro da emergência internacional de zika e isso ajudou a coordenar esforços e mobilizar recursos. A zika nunca virou pandemia no nível da Covid-19 ou da influenza H1N1, mas a declaração da emergência foi importante para seu combate”, explicou Damaso.
“Os ministérios da Saúde dos países membros da OMS são alertados, adotam procedimentos, se preparam, coisa que o Ministério da Saúde do Brasil já vem fazendo”, acrescentou.
Ontem (15), inclusive, o Ministério da Saúde instalou o Centro de Operações de Emergência em Saúde para coordenar ações de resposta à mpox, doença viral conhecida anteriormente como “varíola dos macacos”.
No momento, a avaliação da própria pasta é de que o risco da doença para o Brasil é baixo. Mas, a ministra Nisia Trindade adiantou que o Centro de Operações irá se concentrar em ações para aquisição de testes de diagnóstico, alerta para viajantes e atualização do plano de contingências.
A declaração da OMS ocorre em meio a circulação de uma nova variante do vírus no continente africano, em especial na República Democrática do Congo (RDC), que somente este ano já registrou quase 14 mil casos da doença, incluindo 450 mortes, segundo as autoridades locais.
Damaso pontuou ainda que no mundo globalizado os vírus se espalham com mais facilidade e a declaração de emergência global busca justamente evitar que surtos locais se tornem pandemias.
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