A mãe Dinah se foi. Nada que ela não tivesse previsto, claro… Perdeu a convocação do Felipão. Pena ela não poder ter tido o gostinho de dizer mais uma vez, ao ver a escalação, “Eu já sabia!”. Mas ela me faz lembrar um causo ocorrido, durante minha adolescência, na minha Paraibuna, cidadezinha caipira de menos de 20 mil habitantes no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.
Há vinte anos, acho que em 1995, alguns amigos e eu assistíamos a um filme quando alguém teve a ideia de espalhar um boato de que a Mãe Dinah teria previsto o estouro da represa de nossa cidade. Trate-se de um reservatório gigante, com 760 quilômetros de perímetro e cinco bilhões de metros cúbicos de água. Um paredão separa aquele mar de água-doce da pequena área urbana no vale lá embaixo.
Lembro-me de escolhermos uma data específica, o dia 25 de março, dali a algumas semanas, aniversário do pai de um daqueles imberbes conspiradores. Cada um tinha uma tarefa: espalhar no clube, na escola, na família.
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