Pablo Marçal revelou o empreendimento de “desfavelização” em Angola durante entrevista para o Roda Viva (TV Cultura) nesta segunda-feira (2), como modelo do que faria se fosse eleito para a prefeitura de São Paulo na disputa de outubro. O projeto social é desenvolvido por ONG missionária no país africano, que proibiu o funcionamento das igrejas evangélicas brasileiras de operarem após crimes como irregularidades financeiras, abuso de poder e racismo.
“Eu não estou fazendo algo que eu acho que dá certo, eu estou fazendo isso em Angola, em Luanda, no Camizungo, estou lá desde 2019 investindo a minha influência, o meu tempo, o meu recurso e chamando vários empresários, nós estamos reconstruindo e desfavelizando um lugar”, afirmou o candidato goiano à prefeitura de São Paulo pelo PRTB aos jornalistas.
O projeto missionário em Camizungo
Camizungo é uma aldeia rural localizada no município de Bengo, na província de Catete, a 44 km da capital angolana, Luanda. Bengo é a terra natal do ex-presidente e líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Agostinho Neto. O MPLA foi o partido que se estabeleceu no poder em Angola após a vitória local contra a colonização portuguesa, no final do século XX.
O projeto urbanístico, que transformou a aldeia de Camizungo em uma comunidade auto-sustentável, foi desenvolvido pela Organização Atos, ONG criada em 2010 pelo brasileiro Itamar Vieira. Desde 2019, foram construídas 270 casas, posto de saúde, Centro Educacional Cristão (CEDUC), fábrica de tijolo ecológico, projeto de agricultura, refeitório, galpão de centro de formação, de corte e costura, artesanato e centro esportivo.
Vieira, que vive em Angola com a esposa há mais de 15 anos para trabalhar na Unitel, é apóstolo da Igreja Diante do Trono no país africano, denominação batista renovada fundada por Ana Paula Valadão, da família criadora da Igreja Lagoinha. Além de Pablo Marçal, a Diante do Trono consta como parceira da Atos em seu site oficial e a pastora Ana Paula já visitou a aldeia com sua equipe.
Em entrevista ao ex-pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Tavares Cassinda, um dos professores do CEDUC explica a linha pedagógica local. “A nossa educação é por princípios bíblicos […] para que o mesmo menino tenha conhecimentos científicos e bíblicos. Na verdade, por intermédio da Bíblia nós conseguimos encontrar todas as disciplinas”.
O centro cultural da Atos é utilizado aos domingos como Igreja; dentro da aldeia existem entre quatro a cinco igrejas, entre elas, uma Igreja Católica, uma Pentecostal e uma do Bom Deus.
“Nós, do Brasil, não fomos lá para pegar a terra deles ou mandar neles, mas fomos lá para devolver a coroa, aquela coroa que sempre foi deles, é da identidade deles”, diz Marçal em “Camizungo, a cidade que frutificou”.
Nesse vídeo promocional, Pablo Marçal apresenta onde uma filial de sua empresa principal, a Plataforma Internacional, seria construída dentro da aldeia:
“Esse pedaço todo ao lado da primeira casa vai ser o prédio da Plataforma Internacional, que é uma das minhas empresas, que eu vou dar de presente para esse povo aqui. Quero que eles toquem e gente do mundo inteiro vai dar treinamento de profissionalização, de inglês para eles, vai terminar de alfabetizar, eles não eram alfabetizados, eles começaram nesse processo, muitos já estão lendo e escrevendo. Então, onde a palavra chega, tem que chegar a transformação também”, explica Marçal.

Bolsonarismo contra o desenvolvimento sustentável
Os projetos da Atos estão alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, que formam parte da Agenda 2030, que é constantemente atacada pela família Bolsonaro. Em seu discurso para o CPAC Brasil 2024, Eduardo Bolsonaro afirmou que “ser de direita é ser contra a Agenda 2030 da ONU, porque nós defendemos a liberdade”.
De acordo com o deputado, essa agenda tem o propósito de dominação adequada aos tempos atuais. “Se antes era a briga de classes, o rico contra o pobre, o empregador contra o empregado, agora você só vai poder abrir sua empresinha se você seguir as orientações de governança das Nações Unidas”.
Igrejas evangélicas brasileiras proibidas em Angola
Em novembro de 2019, cerca de 300 bispos e pastores iniciaram um movimento interno na Igreja de Edir Macedo auto-intitulado Reforma, para denunciar a representação brasileira de cometer crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e expatriação ilícita de capitais, racismo, abuso de autoridade imposição de vasectomia aos pastores e intromissão em suas vidas conjugais. As denúncias foram recebidas pela Procuradoria-Geral da República de Angola e pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).
O processo culminou na expulsão de um grupo de religiosos brasileiros da IURD em 2021.
Essa não teria sido a primeira vez que o governo angolano precisou tomar medidas enérgicas contra a Igreja Universal do Reino de Deus. Em 2013, entre fevereiro e março daquele ano, as igrejas Universal, Mundial do Poder de Deus, Mundial Renovada e Igreja Evangélica Pentecostal Nova Jerusalém foram fechadas pelas autoridades angolanas. Rui Falcão, porta-voz do MPLA, declarou à Folha de São Paulo que “o que mais existe aqui em Angola são igrejas de origem brasileira, e isso é um problema, elas brincam com as fragilidades do povo angolano e fazem propaganda enganosa”.
Dentre elas, a única denominação que era reconhecida pelo Estado angolano era a Universal, que só poderia voltar a funcionar no país sob fiscalização dos ministérios do Interior, Cultura, Direitos Humanos e Procuradoria Geral da Justiça.
Naquela época, cerca de 15% da população angolana já era evangélica.
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MARTHA MASSAKO TANIZAKI
3 de setembro de 2024 10:32 pmEspero que os moradores de favela.aqui de sampa não acreditem na desfavelizacao do Marçal. Deve se colocar em dúvida o que diz esse sujeitinho especializado em fake News!! Entretanto supondo que seja verdade, como comparar o tamanho e a complexidade de São paulo com uma cidade de angola? FAVELADOS DE SAMPA ELIMINAR FAVELAS É OBJETIVO DE TODO O GEVERNO DEMOCRATICO MAS NÃO SERÁ POR UM MILAGRE DE UMA ONG
Rui Ribeiro
4 de setembro de 2024 7:58 amEle vai dizimar os favelados