O ex-presidente e candidato à reeleição Donald Trump voltou a fazer comentários potencialmente prejudiciais tanto sobre a política econômica em um eventual novo mandato, e também sobre a situação dos imigrantes sem documentos.
Além de afirmar de forma vil que sua visão ou plano para deportar imigrantes sem documentos “será uma história sangrenta”, a forma como o republicano usaria as tarifas para preservar o status do dólar como moeda de reserva deve preocupar qualquer um que imagine que a política econômica externa de Trump seria uma repetição do primeiro mandato.
Nas palavras de Trump: “Nossas cidades são uma bagunça, e são lugares muito perigosos. Vamos torná-las seguras, limpas e bonitas novamente, e manteremos o dólar como moeda de reserva mundial, e ele está atualmente sob grande cerco. Muitos países estão deixando o dólar. Você não vai deixar o dólar comigo. Eu direi: “Deixe o dólar, você não está fazendo negócios com os Estados Unidos, porque vamos colocar uma tarifa de 100% em seus produtos, senhor. Gostaríamos muito de voltar ao dólar imediatamente. Muito obrigado”.
“O que torna o dólar especial é seu papel dominante em transações internacionais. Muitos empréstimos e financiamentos internacionais são denominados em dólares: o valor que os tomadores devem pagar é especificado em dólares”, relembra Krugman em artigo publicado no jornal The New York Times.
Krugman explica que muitos governos mantêm reservas de ativos estrangeiros que podem ser usados para dar suporte às suas moedas em tempos de estresse, e um pouco menos de 60% desses ativos assumem a forma de dívida do governo dos EUA, o que diminuiu gradualmente ante o percentual de 75% visto há uma geração por conta da diversificação.
Além disso, muito do comércio internacional é faturado em dólares e pelo menos dois terços das notas de US$ 100 (mais de 80% do valor da moeda em circulação) está com estrangeiros.
“Duvido que ele (Trump) realmente entenda o que está dizendo sobre o dólar como moeda de reserva, mas ele provavelmente está confundindo as participações governamentais da dívida dos EUA com o papel internacional muito mais amplo do dólar”, explica Krugman.
Diante disso, qualquer noção de que os Estados Unidos poderiam adotar tarifas para forçar os países a continuarem usando o dólar “envolve mais do que um pouco de megalomania”, na visão do articulista. “Nossa nação tem muito poder econômico, mas não tanto”, diz Krugman.
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