4 de junho de 2026

A política econômica nos esboços nos programas de governo

Sugerido por Alexandre Weber

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Comentário ao post “Eleições: conversa entre presidenciáveis finalmente fica clara

Do blog do Mansueto

As ideias dos candidatos estão claras: será?

Mansueto Almeida

Sempre é bom ler colunas de jornalistas, economistas, cientistas políticos, etc. para se ter uma ideia dos grandes debates no Brasil. É muito fácil ver que, na sua grande maioria, colunistas têm preferencias eleitorais muito claras. Quando um colunista tem trânsito no partido que tem simpatia, penso que suas declarações têm algum grau de concordância com a proposta do seu partido, mas não necessariamente.

Assim, recomendo a todos que leiam a coluna do professor André Singer deste sábado na Folha de São Paulo (nome aos bois – clique aqui). O professor tenta esboçar o programa da oposição por declarações de alguns economistas ligados a diferentes candidatos – Armínio Fraga e Eduardo Giannetti da Fonseca – e, no caso do PT, tenta esboçar o programa de governo a partir do pronunciamento da nossa presidenta no dia 1o de maio em cadeia nacional de rádio e televisão.

Como fala o professor no último parágrafo do seu artigo:

Empurrada pela queda nas pesquisas, Dilma deu um passo na direção oposta ao anunciar que vai continuar a valorização do salário mínimo, reajustará a Bolsa Família e a tabela do Imposto de Renda. Tais medidas implicam aumento do gasto. Resta saber se tal disposição se aprofundará ao longo da campanha e, sobretudo, se tomará corpo no próprio governo, em caso de vitória. Seja como for, por agora a conversa ganhou alguma clareza.”

Aqui há quatro problemas. Primeiro, nenhum candidato por mais lindo ou feio que seja deixará de dar ganhos reais ao salário mínimo. Mas é quase consenso entre economistas que a fórmula de reajuste real deveria mudar dado o seu enorme impacto fiscal. Mesmo isso dependerá de um debate a ser feito, em 2015, com o Congresso Nacional que poderá optar por não mudar coisa alguma.

O economista Nelson Barbosa, que até há bem pouco tempo era secretário executivo do Ministério da Fazenda e despachava com frequência com a nossa presidenta, defende hoje que o reajuste se dê pelo crescimento do salario médio. E quem visita a SPE do Ministério da Fazenda já escuta que esse é um debate necessário para 2015. Assim, “a valorização real do salário mínimo” será política dos três candidatos. O que não é certo é qual será a regra de valorização do salario mínimo depois de 2015.

Segundo, quem quer que seja o próximo Presidente da República, aumentará também o valor do bolsa família e dos demais programas sociais como também corrigirá a tabela do imposto de renda. Achar que só a candidata Dilma fará isso é um exercício rasteiro e demagógico de alguns que pensam que o mundo se divide entre bons e maus. O que não está claro é a velocidade de expansão das despesas em relação ao PIB – se continuar crescendo acima do PIB ,significará elevação da carga tributária.

Terceiro e, isso me preocupa, o professor Singer deixa implícito que, em caso de sucesso, a nossa presidenta entrará em um ritmo frenético de aumento do gasto público, o que fatalmente levará a um brutal aumento de carga tributária. Em coluna anterior, André Singer já deu a dica que precisamos aumentar os impostos (clique aqui para ler a coluna a resposta):

“A derrubada da CPMF, em 2007, tirou da saúde em torno de R$ 40 bilhões anuais (atualizados). A proposta de recriar a CPMF, sob o título de Contribuição Social para a Saúde (CSS), com uma alíquota de 0,2% sobre a movimentação financeira, que circulou no relatório de 2013 da Comissão Especial sobre Financiamento da Saúde da Câmara, aproximaria o gasto do objetivo mencionado…..Por outro lado, em 2011, o Ipea publicou um estudo com caminhos complementares para aumentar de maneira substantiva os recursos da educação. Um deles implicava incremento tributário, com regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas e maior arrecadação de tributos diretos, como o Imposto Territorial Rural. Os outros passavam, sobretudo, pela redução da taxa Selic e pelo pré-sal.”

Aqui as coisas começam a ficar claras. Recriar a CPMF, imposto sobre Grandes Fortunas (isso não é ideia do “IPEA” mas de alguém do IPEA, como também há dezenas de técnicos do IPEA que defendem redução de carga tributária), aumentar o ITR, redução forçada da Selic, etc. No entanto, a receita da CPMF, que era de 1,5% do PIB  antes de sua extinção, é agora um valor “pequeno” dada a necessidade de conciliar a recuperação do superávit primário e ainda financiar a onda crescente de gastos que muitos esperam de um novo governo do PT. Será que essa é a proposta da presidenta? Recriar a CPMF? Será que essa ideia já está clara nas propostas do partido?

Quarto e último ponto, o professor Singer cita economistas simpáticos aos candidatos de oposição, mas não cita um único economista ligado à candidata Dilma. O que me leva a seguinte pergunta: quem são os economistas simpatizantes do PT? Quem são os economistas que conversam com a candidata Dilma?

Posso falar o seguinte. Mesmo economistas simpatizantes do PT como, por exemplo, Delfim Netto e Luiz Gonzaga Beluzzo são contra novos aumentos de gasto público (% do PIB), criticam a expansão do gasto público e acredito que ambos sejam contra a novos aumentos de carga tributária. E Nelson Barbosa da FGV? Nelson tem falado da necessidade de aumentar o primário e controlar o crescimento do gasto social.

Fica a pergunta: quem são os economistas que estão ajudando o PT com ideias que formarão a plataforma da proposta de governo do partido? Me preocupa a ideia que não haja economistas além dos atuais no governo. Se este for o caso, podemos esperar que o programa do PT na área econômica seja mais do mesmo? A nova matriz econômica 2.0 com exatamente as mesmas pessoas em posições diferentes? É isso?

As ideias ainda não estão claras e seria bom para o debate que fiquem. Por enquanto, o que se tem é a interpretação do professor Singer que a proposta do PT é baseada em aumento do gasto público e, conseqüentemente, da carga tributária.

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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8 Comentários
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  1. Francy Lisboa

    5 de maio de 2014 2:31 pm

    Meu
     
    “quem quer que seja o

    Meu

     

    “quem quer que seja o próximo Presidente da República, aumentará também o valor do bolsa família e dos demais programas sociais como também corrigirá a tabela do imposto de renda. Achar que só a candidata Dilma fará isso é um exercício rasteiro e demagógico de alguns que pensam que o mundo se divide entre bons e maus. O que não está claro é a velocidade de expansão das despesas em relação ao PIB – se continuar crescendo acima do PIB ,significará elevação da carga tributária”.

     

    Retorno sempre com a questao. Eu sei que dinheiro nao surge do nada e devemos ter uma fonte. Soh quem acha que tudo se resolve no mundo utopico de fim da corrupcao acredita que ha dinheiro para tudo. Bem, porque quando se fala em economia, nao aumento da carga tributaria, sempre a primeira opcao para esse pessoal eh cortar para o pessoal de baixo? Porque nao cortar lah em cima onde as pessoas sentem menos? Que eh economizar qualquer um sabe, mas economizar para quem? Retorno, pq a discussao de corte dos astos eh sempre vista do olhar de cima? O autor ou os economistas que nao sao da “Dilma” poderiam nos responder de forma sincera, porque fica parecendo que ferrar quem jah tah ferrada faz mais sentido.

     

  2. Assis Ribeiro

    5 de maio de 2014 2:39 pm

    Ah! é? Então quem “melou” foi Aécio?

    (…) “Na última sexta-feira, em encontro com empresários em Comandatuba (BA), Aécio Neves afirmou “não ver” como, a partir de 2015, PSDB e PSB não estarem “juntos” em um mesmo “projeto de construção de um novo país”.

    “São projetos distintos, de base política e base social distintos”, disse Campos, que esteve neste início de tarde em Seminário da Juventude do PPL-RJ” (…)

    Leia mais em:

    http://www.valor.com.br/politica/3535548/eduardo-campos-afirma-ter-projeto-diferente-de-aecio-neves#ixzz30qsmKniG

  3. Assis Ribeiro

    5 de maio de 2014 2:56 pm

    Como acreditar no que diz o autor do texto, se:

    Sobre o salário mínimo

    As oposições sempre disseram que o aumento real é inflacionário e que quebraria prefeituras e empresas.

    O que Mansueto afirma é que darão aumento de salário mínimo baseado apenas na correção da inflação?

    Acredita o autor que o valor do salário mínimo (mesmo com todos os aumentos reais nos governos do PT) é suficiente para as necessidades básicas e digno.

    Sobre o Bolsa Família.

    Quem disse que o Bolsa Família era assistencialista, sem futuro, e parte de uma política errada de inclusão foram as próprias oposições.

    Política social, como as citadas, o mais médicos, etc., demanda gastos públicos e isso vai de encontro, de forma clara, do que prega a oposição.

  4. vera lucia venturini

    5 de maio de 2014 5:51 pm

    Quem são os economistas que

    Quem são os economistas que fecham com o PT? São poucos mesmo. O resto é fechado com o tal “mercado” ou empresta sua “inteligência” para a imprensa. O documentário Inside Job deixa bem claro como o mercado financeiro cooptou os economistas das universidades e a imprensa nos Estados Unidos e aqui não é diferente. O problema aí não é do PT, nem do governo, é dos economistas que consideram ético inventar teorias para justificar a transferência de riquezas de um país para as corporações financeiras. 

    E o governo Dilma  não precisa de um economista, precisa de um ministro de economia político para elaborar melhor e  vender seus projetos.  Ora, se a proposta econômica de Aécio e Campos se dirige apenas aos rentistas, ao pessoal que exige aumento dos juros governamentais, como ficarão os industriais e as empreiteiras que precisam do mercado para comprar os seus produtos? Esse pessoal não tem nada a oferecer a um governo desenvolvimentista (e não populista como o Nassif deixou antever no seu artigo de ontem) como os governos petistas?

     

     

  5. Henrique O. M. Reis Jr

    5 de maio de 2014 6:51 pm

    Mais uma vez o Mansueto

    Mais uma vez o Mansueto mistura opiniões corretas e embasadas com um feeling político ruim.

     

    Para mim não esta claro que qualquer candidato irá aumentar o salário mínimo e reajustar a tabela do IR.

     

    Quanto ao Bolsa Família tenho dúvidas. Sinceramente vejo a oposição realmente querendo transformar o programa em política de estado para desvinculá-lo do PT.

     

    Mas uma coisa é certa: não conheço nenhum economista que defenda as políticas do governo Dilma. Conheço muitos que defendem alguns pontos e as intenções dela.

     

    Mas é quase unânime a posição de crítica ao governo Dilma.

     

    Como toda unanimidade em economia cada grupo aponta para um lado. Em geral dividem-se em dois grupos: tem aqueles que não gostam da direção que ela tomou e têm outros que concordam que com a direção que ela tomou, mas apontam que a forma como a presidenta optou por andar nesta direção na verdade esta levando ela na direção contrária.

  6. Calvin

    5 de maio de 2014 6:57 pm

    Falou e disse

    Mansueto, sempre Maestro, sem subterfúgios.

  7. robson_lopes

    5 de maio de 2014 10:23 pm

    O salário mínimo deverá ser

    O salário mínimo deverá ser reajustado pela média do aumento do salário do mercado, ou seja, o mercado ditará a regra do salário mínimo, no passado, não muito distante, já vimos como isso funciona. Essa política atual do salário mínimo é a própria distribuição de renda em si, transformada em ação de governo, acho uma das políticas mais acertadas para corrigir a injustiça histórica da má distribuição de renda no Brasil.
    Esperar que o mercado dê aumentos justos ao salário mínimo, é o mesmo que esperar que distribuíssem o valor que deixaram de pagar da CPMF para o povo, uma utopia.
    Quanto a ter capacidade ou não para manter essa política de reajustes, isso é tão somente uma questão de prioridades, há quem diga que o país não poderia estar pagando o bolsa família.

    Eu sou completamente a favor do retorno da CPMF, no formato em que ele seria aprovada, quando a extinguiram, ou seja, quem ganhasse menos de R$ 4.500 não pagaria, acho que poderia ser reajustado para 5 mil reais, e todo o valor seria revertido para a saúde, há grandes vantagens no retorno da CPMF, mas destaco duas, que acredito serem as principais, primeiro, controle da movimentação financeira de todos que utilizam os bancos, havendo assim diminuição da sonegação e da lavagem de dinheiro, em consequência aumento da arrecadação. Segundo, haveria uma fonte crescente e permanente abastecendo a saúde, logo, poder-se-ia fazer políticas de longo prazo, sabendo-se que aquela verba seria constante e crescente, o que não é bem o caso do pré-sal, haja vista que crescerá no início, mas fatalmente a longo prazo haverá declínio, uma vez se tratar de recurso finito.

    Bolsa família, bem, acho que a oposição entre eles dizem que vão reajustar, manter, ampliar, fazer e acontecer, mas não duvido que nos bastidores seja assim, está mais para: bolsa família, te pego na esquina, em outras palavras, qualquer descuido, e adeus benefício. O país está em crise, já tiramos todos da faixa da pobreza extrema, há muitas fraudes, não faltarão metodologias para justificar tal ato, ou simplesmente fazer como na época do governo FHC, aumentar o valor do bolsa família e concedê-lo apenas para um punhado de famílias, 100 mil, 1 milhão, o Brasil ainda sairia bem na foto, saiu de 13 milhões de famílias pobres para apenas um milhão, vejam que avanço fantástico.

  8. Alexandre Weber - Santos -SP

    6 de maio de 2014 1:00 am

    Pacto Centrais Sindicais e Fiesp maio de 2011

    A partir do segundo minuto do vídeo fala do pacto desenvolvimentista firmado entre as centrais sindicais e a Fiesp com a arbitragem do governo federal.

    Deram com os burros n’água e a Dilma nunca se recuperou da falta de rumo no seu governo.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=eTQ8Sv1nPfA%5D

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