5 de junho de 2026

No mês a Cantareira perdeu a 21% das reservas, 2,9 em 13,8%

A falta d’água em São Paulo pode selar o destino das eleições presidenciais, pois será ilustrativa dos 20 anos de governos tucanos em São Paulo e tem poder suficiente para descontinuá-los. A crise é em tudo comparável ao apagão de FHC, exceto pelo fato de que com o racionamento aquele governo enfrentou o problema, ainda que com o custo da sua derrota. A previsível derrota do PSDB paulista, um fato político maior será acompanhada, a confirmar-se a mega falta d’agua à vista, de uma catástrofe de conseqüências humanas, sociais e econômicas desconhecidas. De fato não há paralelo, exceto talvez nos idos da segunda grande guerra,  para a não oferta de água a grupo populacional de milhões de habitantes. Qual o impacto real da falta d’água nas torneiras?

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A água não serve somente para beber ou lavar a louça, a casa e tomar banho, a água é matéria prima ou toma parte de inúmeras atividades econômicas. O impacto da falta d’água em São Paulo para o PIB brasileiro será imenso, muito maior do que os míseros pontos percentuais projetados a menor para 2014 pelos economistas mais pessimistas. A indústria usa água em grandes volumes e a capital paulista é sede de inúmeras delas. Quantos empregos serão perdidos?

Ao PSDB caberia o mea culpa público, única base sobre a qual, ainda que derrotado, (como FHC o foi), poderia tentar enfrentar o problema de pé. O diversionismo, via escandalização nas CPIs, adiará medidas mais robustas de enfrentamento do problema, pois o cisco no olho dos outros é sempre alívio para a trave nos próprios olhos. O trem porém corre para o abismo.

A imprevidência político-administrativa dos governos tucanos criou o risco de uma catástrofe nacional sem precedentes. Vai a nação viver  nos próximos meses a contagem regressiva dos níveis da Cantareira, enquanto a grande mídia falará de Pasadena?

Se o sistema Cantareira perder 3% ao mês como perdeu entre março e abril, o volume de água estocado não chega a julho. E a estação chuvosa só chega no último trimestre.

Ion de Andrade

Médico, epidemiologista e pediatra, professor universitário e militante do SUS e dos movimentos urbanos.

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