Aldeia amazônica que enfrentou ditadura pede socorro, por Tiuré
Prezado Senhor Nassif,
Uma aldeia na Amazônia, conhecida por ter enfrentado a Ditadura pelo controle e autonomia na produção da Castanha do Pará (casos já relatados por mim aqui neste espaço quando do “Blog do Nassif”, coluna Histórias da Ditadura), e sobrevivido do extermínio total, pede socorro.
Desde sempre seus inimigos brancos desejaram exterminá-los para no intuito de se apossarem de suas terras.
Hoje esses inimigos são grandes empresas protegidas pelo Exército Brasileiro e usam uma temida arma. O Fogo.
Trata-se da Comunidade Indigena Parkateje, no Sul do Pará.
Incumbido pelas atuais lideranças Kuia e Katê, filho e neto herdeiros do grande líder Krohokrenhum, falecido, venho solicitar a publicação do texto abaixo, sabendo da importância do jornalismo exercido neste portal.
O FOGO INVISÍVEL ou
OS INCÊNDIOS NUMA ALDEIA NA AMAZÔNIA E NA GRANJA DO TORTO EM BRASÍLIA
Os crimes, apesar dos 1.500 km que os separam, aconteceram no mesmo dia. Os métodos também foram os mesmos.
Já as consequências e as soluções foram diferentes. Muito diferentes.
Vamos a eles:
Na Amazônia as vítimas foram indígenas e uma vasta floresta que tornou na região o último refúgio de onças, veados, pacas, tatus, jabutis, araras, mutuns, gaviões… reduto de imensas e inúmeras árvores de madeira de leis, cupuaçu, açaí, castanha…
Um cobiçado oásis cujos os guardiões são os indígenas Parkatêjê
Madeireiros, agropecuária, soja, e imensos projetos de mineradoras tentam a todo custo avançar sobre esses 60 mil hectares de terra limitados pelos rios Jacundá e Flecheiras, afluentes do rio Tocantins e destruir as 30 aldeias que ocupam todo o território.
Em Brasília, o crime foi no Parque Nacional, área com 40 mil hectares de cerrado, onde a ilustre e conhecida residência de campo do Presidente da República, chamada de Granja do Torto, se localiza
Os fatos:
No território indigena o fogo criminoso teve início na faixa de terra que a Empresa Eletronorte ocupa com suas torres de alta e baixa tensão, numa extensão de 22 km de norte a sul da reserva indigena.
” …primeiramente, destacamos que todos os anos, principalmente neste período de seca, a Empresa Eletronorte realiza o Roço de toda área de extensão dos linhões… o fogo colocado para queimar o Roço se alastra em diversos focos de incêndios… Ressaltamos que nenhum trabalho realizado pela empresa é acompanhado por brigadistas e/ou pessoas que possam controlar as chamas quando elas adentram a mata…”
informava a carta enviada à Fundação Nacional dos Povos Indígenas pela Associação Indigena Kateiôkuaré Parkatêjê.
Ofício que entreguei pessoalmente à Sra.Thaís Gonçalves, Coordenadora Geral de Monitoramento da Diretoria de Proteção Territorial do órgão governamental comandado por uma índigena, da etnia Wapixana, no dia 16 de setembro passado, em Brasília.
Acompanhava o ofício imagens do incêndio ao vivo e do apelo desesperado da filha de Krohokrenhum ao lado dos anciãos que sempre foram os guardiões tradicionais do território indigena: ” … cadê a Funai? cadê o Ibama? Cadê a Ministra dos Povos Indígenas? Lula, você que é a autoridade maior venha salvar nossos velhos, nossos animais, nossos rios…”
Nesse mesmo momento, do sexto andar da sede do órgão, no Setor Comercial Sul, via-se uma densa fumaça cobrindo o infinito horizonte no final do Eixo Monumental, o Parque Nacional, distante uns 8 km ardia em chamas.
O Presidente Lula, em companhia da esposa Janja, tratou logo de sobrevoar a área. Na mesma hora o noticiario dava conta de que inumeros bombeiros, brigadistas, militares da Força Nacional e do Exército, aviões despejando toneladas de agua, numa açao exemplar controlava o fogo impedindo que ele atingisse a famosa residência presidencial.
No mesmo dia o causador do incendio foi identificado e preso.
Pronto. O Presidente da República podia dormir tranquilamente naquela noite.
Enquanto isso no território indigena, o fogo consumia escolas, residências, pessoas doentes tiveram que serem deslocadas nas costas dos parentes.
Tendo consumido mais de 6 mil hectares da mata, o fogo só aumentava.
> Estamos deslocando 5 bombeiros para a área …> Foi a incrível resposta que a Sra. Thaís disse antes de abandonar a sala apressada.
A Eletronorte, causadora do incêndio, com endereço e CNPJ conhecidos continua impune, assim como foi há 500 anos.
TIURÉ ( humberto)
Primeiro indigena a ser Reconhecido pela ONU como Refugiado Político, no Canadá e o primeiro Anistiado Político indigena do País
Leia também:
Deixe um comentário