4 de junho de 2026

Dívida pública federal atinge R$ 2,081 trilhões

Jornal GGN – A Dívida Pública Federal (DPF) registrou um crescimento, em termos nominais, de 0,64% na passagem de fevereiro para março e fechou o terceiro mês do ano em R$ 2,081 trilhões. Em fevereiro, a dívida era de R$ 2,067 trilhões. O vencimento de títulos vinculados aos juros básicos fez a DPF ficar praticamente estável no período de pesquisa.

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Apesar de a DPF estar abaixo do recorde de R$ 2,123 bilhões registrado em dezembro, o próprio Tesouro reconhece que o valor voltará a subir nos próximos meses. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), divulgado no fim de março, a tendência é que o estoque da Dívida Pública Federal encerre o ano entre R$ 2,17 trilhões e R$ 2,32 trilhões.

Segundo nota divulgada pelo Tesouro Nacional, a Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi) teve seu estoque aumentado em 0,77% ao passar de R$ 1,975 trilhão em fevereiro para R$ 1,990 trilhão em março.  Isso ocorreu porque, apesar de ter resgatado R$ 3,21 bilhões em títulos a mais do que emitiu, o Tesouro reconheceu R$ 18,5 bilhões em juros. A dívida pública mobiliária (em títulos públicos) interna subiu de R$ 1,975 trilhão para R$ 1,990 trilhão.

Já a Dívida Federal Externa somou R$ 90,5 bilhões (US$ 39,99 bilhões), o que representa uma queda de 2,11% na comparação com os números de fevereiro, quando tinha atingido R$ 92,46 bilhões. A redução foi puxada pela queda de 3,02% do dólar no mês passado.

O principal fator que contribuiu para a estabilidade da dívida pública em março foi o alto vencimento de títulos vinculados à taxa Selic (juros básicos da economia). No mês passado, os vencimentos corresponderam a R$ 61,6 bilhões, dos quais R$ 61,3 bilhões referem-se a papéis corrigidos pelos juros básicos. A fatia da dívida mobiliária (em títulos) interna, vinculada à taxa Selic, encerrou o mês passado em 9,50%, no menor nível desde o início da série histórica, em dezembro de 1999.

Além da queda da fatia corrigida pelos juros básicos, a concentração de vencimentos de papéis prefixados – com taxa de juros definida no momento da emissão – melhorou a composição da dívida interna, em março. A participação dos títulos prefixados subiu de 40,22%, em fevereiro, para 42,03%. O recorde havia sido registrado em dezembro do ano passado, quando os papéis prefixados responderam por 43,30% da dívida mobiliária interna.

Segundo informações da Agência Brasil, os números levam em consideração as operações de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro) pelo Banco Central (BC). Apesar de não envolverem emissões de títulos, essas operações interferem na composição da Dívida Pública Federal (DPF), de acordo com os critérios usados pelo Banco Central. Pelos critérios do Tesouro, que desconsidera o swap, a participação da taxa Selic na dívida interna ficou em 19,43% no mês passado, também no menor nível da história.

Em março, as emissões da Dívida Pública Federal corresponderam a R$ 60,06 bilhões, enquanto os resgates somaram R$ 63,37 bilhões, o que resultou em resgate líquido de R$ 3,3 bilhões. Desse total líquido, R$ 3,21 bilhões referem-se à Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) e R$ 88,24 milhões à Dívida Pública Federal Externa.

O prazo médio da dívida interna fechou março em 4,3 anos (4,24 anos em fevereiro) e o percentual vincendo em 12 meses ficou em 26,05%, contra 25,36% no segundo mês deste ano. A participação dos vencimentos nos próximos 12 meses subiu, passando de 24,74% para 25,52%. Prazos mais longos são favoráveis ao Tesouro, porque dão ao governo mais tempo para planejar e executar as operações de rolagem (renegociação) da dívida pública.

 

Com informações da Agência Brasil

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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