Por André Luís Woloszyn
Publicado originalmente no site Defesanet
As duas explosões ocorridas em Brasília (13) em um veículo no estacionamento na Câmara dos Deputados e em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF) causando uma morte é um episódio inédito, desde a explosão ocorrida no Riocentro, em 30 de abril de 1981. Em 2024, houve uma tentativa no mesmo local que não se concretizou por imperícia do (s) autor(es).
Ainda que as informações sejam vagas, este episódio possui características de uma ação do terrorismo nacional ou doméstico, definido como atos de violência praticados por nacionais contra alvos, quer instalações ou pessoas, em seu próprio país. A natureza imprevisível dos atos, seu caráter de anomia e a sensação de insegurança que acarreta com a suspensão dos trabalhos naquelas instituições são fatores condicionantes deste fenômeno.
É possível afirmar que houve preparação para o ato uma vez que o local escolhido é simbólico e de alta relevância, área onde estão localizados o Supremo Tribunal Federal (STF), próximo ao Congresso Nacional, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Palácio do Planalto. Outro ponto que merece destaque é a hipótese de que não desejava causar vítimas, mas chamar a atenção, caso contrário, teria realizado a ação durante o dia, onde a circulação de pessoas seria maior, aumentando exponencialmente os riscos.
Mesmo que os explosivos não possuíssem grande potencial de impacto que possibilitasse danos significativos, o fato de causar pânico, expor as vulnerabilidades daquela área, considerada de alta segurança, e obter a atenção da mídia nacional e internacional cumpre o objetivo de um atentado desta natureza.
É alta a probabilidade de que o perpetuador do atentado, seja a única vítima ou mesmo terceiros, tenha calculado erradamente o tempo e a capacidade da explosão, o que aponta para o fato de não ter expertise em explosivos, tampouco em técnicas de evasão, exceto se seu objetivo fosse praticar um atentado suicida, o que é pouco provável.
Lobo solitário ou grupo, independente das investigações, o episódio abre um precedente para que outras pessoas, insatisfeitas com a política governamental, possam tentar reproduzir a ação pelo princípio do espelhamento. Também não está descartada a hipótese de que o episódio chame a atenção de grupos terroristas internacionais para outros alvos em território brasileiro que simbolizem países envolvidos na guerra Hamas, Hezbollah contra o Estado de Israel.
André Luís Woloszyn é analista de Assuntos Estratégicos, consultor de agências e organizações internacionais em conflitos de média e baixa intensidade. Escreve sobre terrorismo e assuntos estratégicos para a Revista do Exército Brasileiro e para a Defesa Nacional, e também para os sites especializados Defesanet e Diálogo Newsletter, uma publicação do Comando Sul dos EUA para a América Latina e Caribe. Pela Contexto é autor do livro “Guerra nas Sombras”.
O artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN.
Luiz Fernando Juncal Gomes
14 de novembro de 2024 3:24 pmLivro:
Bolsonarismo: Da guerra cultural ao terrorismo doméstico: Retórica do ódio e dissonância cognitiva coletiva Capa comum – 31 julho 2023 – por João Cezar de Castro Rocha (Autor)
João Cezar de Castro Rocha @joaocezar1965
Livro publicado em julho de 2023: pg. 95
“A frustação acumulada da multidão pode explodir em atos de terrorismo doméstico e assassinatos expiatórios, cuja onda tende a crescer. Foi assim em toda a história.”
A atuação extremista da bancada bolsonarista somente agrava a radicalização.
9:55 AM · 14 de nov de 2024