4 de junho de 2026

Formação de um líder indígena na Amazônia e a saga do Povo Parkatêjê I, por Tiuré Poti

As areias das margens do Rio Tocantins, hoje entre as cidades de Marabá e Tucuruí, se tornou uma imensa cova coletiva do Povo Parkatêjê.

Formação de um líder indígena na Amazônia e a saga do Povo Parkatêjê I

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por Tiuré Poti

Tronco do corpo baleado de espingarda calibre 44, costas vazadas de flechadas, pele do rosto transformada numa grossa crosta deixada pela varíola.

Escapou com vida a todas as emboscadas. 

Com alma guerreira, aos 17 anos, já ocupava a função de líder, com a responsabilidade de salvar sua comunidade de um inimigo cruel:  O Extermínio

Extermínio que na sua língua (Jê) traduz-se KUPĒ (o homem branco), o desconhecido que apareceu de repente para matar todos e tomar suas terras às margens do Rio Tocantins, sudeste do Pará. 

O Kupē para exterminá-los trazia 2 armas: O pau que cuspia fogo (Katõ) e outro totalmente invisível, O Vírus, sem tradução na língua.

Epidemia atrás de epidemia ia dizimando gerações de indígenas que somavam mais de 2 mil.

Estamos em meados do Século XX! 

História contada pelo líder e sobrevivente maior TOPRÂMRE KROHÔKRENHŪM JOPAIPAIRÉ:

“…era muito rápido, todos os dias morriam mais de 30 pessoas. Era muita gente morta. Não dava tempo pra fazer nossos rituais (fúnebres) tradicionais, nem enterrar. Deixava os bichos comerem… eu fugi pro mato, deixando para trás os corpos dos meus pais, dos avós, irmãos, tios, primos…”

As areias das margens do Rio Tocantins, hoje entre as cidades de Marabá e Tucuruí, se tornou uma imensa cova coletiva do Povo Parkatêjê.

Jopaipairé, até então líder da aldeia e pai de Krohokrenhum, nos seus últimos suspiros pediu que levasse o povo para um outro lugar seguro, longe do Kupê.

Krohokrenhum, doente e cansado de fugir dentro da mata, acompanhado da mulher, uma filha recém-nascida e algumas crianças órfãs, tomou uma decisão que iria mudar definitivamente sua sobrevivência, contrariando o pedido do falecido pai: ainda nu, vai de encontro ao Kupê, se entrega num barracão de castanha do pará na cidade de Itupiranga, nas margens do Rio Tocantins.

Deixa seu território ancestral livre para os sedentos caçadores das árvores sagradas e cobiçadas Castanheiras.

Queria se recompor, tentar reagrupar o que restava do seu povo disperso na região. Seu objetivo maior era reconstruir uma nova e grande aldeia.

Mas para conseguir ter êxito, o desafio era conhecer de perto o Kupê, como era, onde vivia…

Momento de fortalecimento para continuar lutando.

(continuo no próximo capítulo)

Tiuré (humberto)

Tiuré Potiguara (José Humberto Costa Nascimento) é um ativista político e indígena potiguar que foi perseguido, preso e torturado nos anos 70 e 80. Ele foi o primeiro indígena a ser anistiado político pelo governo brasileiro

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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  1. KAHORE BURJACK JOKANTYTYRE

    16 de novembro de 2024 5:13 pm

    Ele o krohokrenhum,era irmão do meu pai Jokantytyre o João a pelido no kupe,e sou kahõre Mora aqui na aldeia Parkatêjê.

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