27 de junho de 2026

Conceição Lemes e as perguntas do O Globo aos blogueiros

Sugerido por Nilva de Souza

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Do Viomundo

Resposta em público a O Globo

por Conceição Lemes

Nessa segunda-feira 13, uma repórter de O Globo enviou-nos um e-mail:

“Estou fazendo uma matéria sobre a entrevista que o ex-presidente Lula concedeu a blogueiros na semana passada. Gostaria de conversar contigo por telefone”.

Pedi que enviasse as perguntas por e-mail. Hoje, às 12h27 elas foram encaminhadas:

Nada contra a repórter. Embora não a conheça, respeito-a profissionalmente como colega.

Já a empresa para a qual trabalha, não merece a nossa consideração.

Com essas perguntas aos blogueiros, O Globo parece estar com saudades da ditadura, quando apresentava como verdadeira a versão dos órgãos de repressão. Exemplo disso foi a da prisão, tortura e assassinato de Raul Amaro Nin Ferreira, em 1971, no Rio de Janeiro.

Com essas perguntas, O Globo parece querer promover uma caça aos blogueiros progressistas. Um macartismo à brasileira.

O marcartismo, como todos sabem, consistiu num movimento que vigorou nos EUA do final da década de 1940 até meados da década de 1950. Caracterizou-se por intensa patrulha anticomunista, perseguição política e dersrespeito aos direitos civis.
O interrogatório emblemático daqueles tempos nos EUA:

Mr. Willis: Well, are you now, or have you ever been, a member of the Communist Party? (Bem, você é agora ou já foi membro do Partido Comunista?)

A sensação com as perguntas de O Globo é que voltamos à ditadura. Agora, a ditadura midiática das Organizações Globo. É como estivéssemos sendo colocados numa sala de interrogatório.

Afinal, qual o objetivo de saber se pertencemos a algum partido político?

Será que O Globo faria essa pergunta aos jornalistas de direita, travestidos de neutros, que rezam pela sua cartilha?

E se fossemos nós, blogueiros progressistas, que fizessemos essas perguntas aos jornalistas de O Globo?

Imediatamente, seríamos tachados de antidemocratas, cerceadores da liberdade de expressão, chavistas e outros mantras do gênero.

Como um grupo empresarial que cresceu graças aos bons serviços prestados à ditadura civil-militar tem moral de questionar ideologicamente os blogueiros que participaram da entrevista coletiva?

Liberdade de imprensa e de expressão vale só para direita e para a esquerda, não?

Como uma empresa que tem no seu histórico o colaboracionismo com a ditadura, o caso pró-Consult, o debate editado do Collor vs Lula, ter sido contra a campanha Pelas Diretas, pode se arvorar em ditar normas de bom Jornalismo e ética?

Como uma empresa que deve R$ 900 milhões ao fisco tem moral para questionar outros brasileiros?

Como um grupo empresarial que recebe, disparadamente, a maior fatia da publicidade do governo federal pode criticar os poucos blogs que recebem alguma propaganda governamental?

O Viomundo, repetimos, não aceita propaganda dos governos federal, estaduais e municipais. É uma opção nossa. Mas respeitamos quem recebe. É um direito.

No Viomundo, não temos nada a esconder. Só não admitimos que as Organizações Globo, incluindo O Globo, com todo o seu histórico, se arvorem no direito de fiscalizar a blogosfera.

Por isso, eu Conceição Lemes, que representei o Viomundo na coletiva, não respondi a O Globo. Preferi responder aos nossos milhares de leitores. Diretamente. E em público.

Seguem as perguntas de O Globo e as minhas respostas.

Qual a sua formação acadêmica?

Formada em Jornalismo pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Qual a sua atuação profissional antes do blog? Já cobriu política por outros veículos?

Sou editora do Viomundo, onde faço política, direitos humanos, movimentos sociais. Toco ainda o nosso Blog da Saúde.

No início da carreira, fiz um pouco de tudo: economia, política, revistas femininas, rádio…

Há 33 anos atuo principalmente como jornalista especializada em saúde, tendo ganho mais de 20 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica, o José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), e o Sheila Cortopassi de Direitos Humanos na área de Comunicação, outorgado pela Associação para Prevenção e Tratamento da Aids e Saúde Preventiva (APTA) com apoio do Unicef.

Conquistei também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe.

Em 1995, fui premiada pela reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolvi para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão.

Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorri com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Entre eles, o meu. Em consequência, fui ao Japão como consultora da Organização Mundial da Saúde.

Tenho oito livros publicados na área.

O mais recente, lançado em 2010, é Saúde – A hora é agora, em parceria com o professor Mílton de Arruda Martins, titular de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, e o médico Mario Ferreira Júnior, coordenador de Centro de Promoção de Saúde do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Em 2003/2004, foi a vez da coleção Urologia Sem Segredos, da Sociedade Brasileira de Urologia, destinada ao público em geral.

Os primeiros livros foram em 1995. Um deles, o Olha a pressão!, em parceira com o médico Artur Beltrame Ribeiro.

O outro foi a adaptação e texto da edição brasileira do livro Tratamento Clínico da Infecção pelo HIV, do professor John G. Bartlett, da Universidade Johns Hopkins, nos EUA. A tradução e supervisão científica são do médico Drauzio Varella.

Você é filiada a algum partido político?

Não sou nem nunca fui filiada a qualquer partido político.

Mas me estranha muito uma empresa que apoiou a ditadura, cresceu devido a benesses do regime e hoje se alinhe com todos os espectros da direita brasileira, questione a a filiação partidária de um jornalista.

Quer dizer de direita, tudo bem, e de esquerda, não?

Como você definiria os “blogueiros progressistas”? Existe uma linha política?

Somos de esquerda.

Defendemos:

Melhor distribuição da renda no país.

Reforma agrária.

Os movimentos sociais por melhores condições de moradia, trabalho, defesa do meio ambiente, saúde e educação.

Regulamentação dos meios de comunicação.

Valorização do salário mínimo.

Política de cotas raciais nas universidades.

Direitos reprodutivos e sexuais das mulheres brasileiras.

Combate à discriminação e promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Imposto sobre grandes fortunas.

Financiamento público de campanha.

Reforma política.

Fortalecimento da Petrobras.

Sistema Único de Saúde.

Como você foi chamada para a entrevista? Recebeu alguma ajuda de custo do instituto?

Por e-mail. Nenhuma ajuda.

O que você achou da seleção de blogueiros para a entrevista? Incluiria, por exemplo, representantes da mídia ninja ou blogueiros “de oposição”, como Reinaldo Azevedo?

O Instituto Lula tem o direito de chamar para entrevistar o ex-presidente quem ele quiser.

Engraçado O Globo perguntar isso. De manhã à madrugada, de domingo a domingo, todos os veículos das Organizações Globo privilegiam, ostensivamente, sem o menor pundonor, vozes do conservadorismo brasileiro e internacional. Pior é que travestido de uma falsa neutralidade.

Por que O Globo pode chamar quem quiser e o ex-presidente Lula, não?

Por que as Organizações Globo não dão espaços iguais à esquerda e à direita, garantindo a pluralidade de opiniões?

No dia em que as Organizações Globo garantirem efetivamente a pluralidade de opiniões, respeitando a verdade factual, aí, sim, seus profissionais poderão questionar os nomes escolhidos por Lula.

Qual foi o ponto mais relevante da entrevista para você?

Ter falado três horas e meia com os blogueiros. Uma conversa em que nenhum assunto foi proibido. Tivemos liberdade plena de perguntar o que queríamos. Uma lição de democracia.

O instituto arcou com os seus custos de deslocamento?

Não. Fui de táxi. Paguei do meu próprio bolso.

Por que você acredita ter sido escolhida para a entrevista?

Quantos jornalistas brasileiros têm o meu currículo profissional? Quantos repórteres da mídia tradicional e da blogosfera produziram tantos furos jornalísticos quanto nós no Viomundo nos últimos cinco anos?

Por isso, deixo essa pergunta para você e os leitores do Viomundo responder.

O que você acha do movimento “Volta Lula”?

Quem tem de achar é a população e os militantes dos partidos da base de apoio do governo.

Sou apenas repórter. Cabe a mim, portanto, retratar o que presencio.

Qual nota você daria ao governo Dilma? Por quê?

O Globo tem fetiche por nota. Quem tem de dar a nota é o eleitorado. Sou repórter e minha opinião neste caso é irrelevante. A não ser que O Globo pretenda usá-la para fazer o que costuma fazer: manipular informação com objetivos políticos, em defesa de interesses da direita brasileira.

PS do Viomundo: Todas as nossas batalhas são financiadas exclusivamente pela contribuição de assinantes, a quem agradecemos por compartilhar conteúdo exclusivo generosamente com outros internautas. Torne-se um deles!

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17 Comentários
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  1. Francy Lisboa

    17 de abril de 2014 10:56 am

    OOOOO nada mudou! Assim como

    OOOOO nada mudou! Assim como o Vasco continua jogando o campeonato paulista, a Globo continua aprontando das suas.

  2. Andre SP

    17 de abril de 2014 11:08 am

    Grande Conseição é um prazer

    Grande Conseição é um prazer ter pessoas com sua categoria ao nosso lado, para eles todo mundo que clama por justiça social é petista ou comunista. São de uma mediocridade sem limites.

  3. Arthemísia

    17 de abril de 2014 11:09 am

    A pergunta que não quer

    A pergunta que não quer calar: William Bonner, William Wack, Arnaldo Jabor, Eliane Cantanhêde, Diogo Mainardi, etc. são filiados a qual partido?

    1. alfredo machado

      17 de abril de 2014 12:01 pm

      PQM

      Arthemísia,

      PQM, Partido da Quadrilha Marinho. 

  4. Assis Ribeiro

    17 de abril de 2014 11:22 am

    Mas, maquiavelicamente, não é a direita que diz que o Viomundo é

    Mas, maquiavelicamente, não é a direita que diz que o Viomundo é psolista

    Defendemos:

    Melhor distribuição da renda no país.

    Reforma agrária.

    Os movimentos sociais por melhores condições de moradia, trabalho, defesa do meio ambiente, saúde e educação.

    Regulamentação dos meios de comunicação.

    Valorização do salário mínimo.

    Política de cotas raciais nas universidades.

    Direitos reprodutivos e sexuais das mulheres brasileiras.

    Combate à discriminação e promoção dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

    Imposto sobre grandes fortunas.

    Financiamento público de campanha.

    Reforma política.

    Fortalecimento da Petrobras.

    Sistema Único de Saúde.

  5. alfredo machado

    17 de abril de 2014 11:22 am

    Medo que não passa

    Nilva,

    Tudo bom?

    É alentador, ver aquela casa de mãe joana rebolando na cadeira por conta da longa entrevista de Lula.

    Positivamente, a turma da Lopes Quintas vive num mundo à parte, é ela quem recebe anualmente uma fábula $$$ da Secom, e se incomoda com um bagrinho que possa receber uns trocados do governo federal prá se manter vivo, é ela quem já fez trocentos programas com entrevistados de um lado só, o da escrachada oposição ao atual governo, num vergonhoso “levanta bola pro outro chutar” que está sempre ao alcance de dezenas de milhões de brasileiros, e mesmo assim consegue estrebuchar em relação a uma reunião de Lula com meia dúzia de blogueiros. A razão desta estapafúrdia reação é uma só, O MEDO DESGRAÇADO QUE TODA A OPOSIÇÃO AINDA TEM DE LULA.

     Um abraço

  6. Ugo

    17 de abril de 2014 11:45 am

    os fortes

    Aposentei a mídia nativa, pig. As minhas informações são sempre nos blogs progressistas que expõem os fatos sem sonegar. Conceição obrigado, tal qual os lutadores pela democratização foram aqueles poucos e arrojados que nos transitaram para a democracia.

  7. Branca Teresinha

    17 de abril de 2014 12:31 pm

    Entrevista ou interrogatório?

    Parabéns Conceição!Jornalista com J maior que não se encontra hoje em nenhuma das TVs deste país muito menos na  Globo. Interrogatório desse tipo a uma jornalista a título de entrevista para uma matéria? A Globo está com assessoria de antigos e maléficos interrogadores ou novos e interrogadores do exterior? Nota dez para a publicação da entrevista (ou interrogatório) e das respostas. Uma bela lição para ser discutida em escolas de jornalismo. Saudades imensas do tempo em que se fazia jornalismo no Brasil. Um dia voltará com certeza. Antes disso será necessário empurrar os muitos ‘jornalistas’ em ação nos meios de comunicação atuais para a lona do ostracismo e ler apenas o que os jornalistas de blogs tipo Viomundo escrevem.

  8. RONALD

    17 de abril de 2014 12:33 pm

    NO DOS OUTROS É REFRESCO

    Ficaram puto porque a grande repercussão da entrevista do LULA não foi na mídia GRoubo.

  9. Fabio !

    17 de abril de 2014 1:07 pm

    Um dos melhores exemplos da 

    Um dos melhores exemplos da  tocante “isenção” jornalística da GLOBO na história política recente :

    PROGRAMA “ENTRE ASPAS” com Monica Waldvogel sobre a eleição presidencial 2010.

    Para analisar o debate entre Serra e Dilma um dos convidados é o “super-imparcial”  REINALDO AZEVEDO , apresentado pela jornalista como “ANALISTA POLÍTICO” .

    Logo no início do programa a pergunta da apresentadora para Reinaldo Azevedo : Quem você acha que se saiu melhor no debate , Serra ou Dilma ?   -Gargalhadas-

    Não há nada demais em a GLOBO convidar pessoas declaradamente adeptos de um ou outro segmento político para ir em seus programas. O problema é apresentá-las como observadores e analistas imparciais , como fizeram nesse caso. E ainda mais grave é darem voz a apenas um dos lados da discussão. Se levaram Azevedo ao programa , declaradamente serrista , então tinham que levar , em contrapartida , alguém alinhado com Dilma.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=AiBcXjuLHgU align:center]

  10. MarFig

    17 de abril de 2014 1:19 pm

    Meu questionário para a

    Meu questionário para a goebbels teria só uma pergunta: Cadê o DARF?

    1. Complementar

      17 de abril de 2014 10:35 pm

      Eu complementaria com outra:

      Po##a, cadê o DARF?!

  11. Maria Luisa

    17 de abril de 2014 1:33 pm

    De ficar com o pé atras

    Essas perguntas têm alvo certo, mas conhecendo um pouco os jornalistas que paritiparam da coletiva, sei que todos ja entenderam onde a globo quer chegar. 

  12. spin.sergio

    17 de abril de 2014 2:08 pm

    Dando continuidade, essa

    Dando continuidade, essa daqui esta muito boa…hilario….

     

    A entrevista dos blogueiros “limpinhos” com Lula, genial!

    17 de abril de 2014 | 09:31 Autor: Fernando Brito

     

    Estou aqui, num hospital, cuidando da família que anda cheia de ziquiziras, trabalhando até a madrugada e começando de novo com o dia a clarear, como podem ver os meus amigos leitores e as minhas gentis leitoras.

    E depois de alguma bile gasta com a irritante pataquada de sermos cobrados de uma isenção que não temos e não queremos ter diante do mundo, e que jamais se confunde com sabujice – ah, a propósito: não sou camarada nem amiguinho do ex-presidente Lula, sou seu admirador – finalmente consigo dar gostosos sorrisos.

    Ô coisa boa, bacana, essa de poder começar o dia sem o azedo da noite, feliz da vida porque, por mais que O Globo nos tente atingir, o que ele faz – e o resto da grande mídia faz – não resite a um peteleco com que se espantam moscas.

    O Paulo Nogueira escreve hoje, no Diário do Centro do Mundo, um artigo que lava qualquer alma que tenha atravessado esse lamaçal que é a mídia brasileira.

    Ele se espanta ao ver o interrogatório feito a Conceição Lemes e – espante-se mais, Paulo! – é essencialmente o que me fizeram, sem o trecho da pergunta sobre o insólito convite a  Reinaldo Azevedo para entrevistar Lula, mas com outras, sobre como eu ganhava a vida e se tinha contratado, alguma vez, a empresa que mencionam.

    Deste espanto, nasce a ideia genial de Paulo: fazer a lista dos convidados para um entrevista de Lula com os “blogueiros limpos”, todos com polpudos contratos com os mais poderosos império de comunicação.

    Leia e divirta-se a valer, com esta seleção de “isenção”, “imparcialidade”, “neutralidade” e, claro, bons modos.

    Uma bancada alternativa para entrevistar
    Lula, inspirada pelo Globo

    Paulo Nogueira

    E o Globo procura os blogueiros que entrevistaram Lula em busca de informações para uma reportagem que mostre a razão de terem sido convidados.

    O Globo parece fugir da resposta mais simples: é que fazem um jornalismo menos viciado do que o do Globo.

    Para Kiko, vieram poucas perguntas. Mas vejo agora que para Conceição Lemes, que representou o Viomundo, foi uma série infindável de perguntas, como se fosse um interrogatório.

    Ela as publicou, com as respostas – dadas não ao Globo, mas aos leitores do Viomundo.

    Chegaram a perguntar a ela se recebera dinheiro para se deslocar até o Instituto Lula, em São Paulo, onde foi feita a entrevista.

    Conceição disse que não. Pagou o táxi com suas próprias posses.  Não fez o que o Globo fez quando foi cobrir uma palestra de Joaquim Barbosa na Costa Rica.

    O contribuinte pagou a conta da jornalista do Globo que acompanhou JB – aliás num jato da FAB.

    Mas a questão que mais me chamou a atenção no interrogatório do Globo foi o que Conceição achava da ideia de Lula incluir entre os convidados “blogueiros de oposição”, como Reinaldo Azevedo.

    Azevedo foi citado nominalmente, e então peço pausa para rir.

    Seria de fato uma grande ideia. Tão boa que o próprio Globo poderia adotar e convidar Paulo Henrique Amorim para uma futura entrevista que os irmãos Marinhos concedam, de preferência ao vivo, como foi o caso de Lula.

    Outra possibilidade é Miguel do Rosário, para discutirem o caso da sonegação bilionária da Globo na Copa de 2002. Foi um furo de Miguel, com seu Cafezinho.

    Os Marinhos ficariam certamente felizes de ver, na entrevista, Fernando Brito, do Tijolaço. Fernando poderia perguntar sobre o direito de resposta de Brizola, na voz de Cid Moreira no Jornal Nacional. Brito, soube-se recentemente, foi o autor do texto de Brizola.

    De volta a Lula.

    Reinaldo Azevedo começaria se dirigindo a Lula, respeitosamente, por “Apedeuta”. O Brasil, para cuja autoestima ele tanto colabora, seria tratado como “Banânia”. E os petistas seriam, claro, os “petralhas”, uma palavra da qual ele se orgulha como se tivesse criado não ela, mas Guerra e Paz.

    A bancada de entrevistadores de Lula poderia ser reforçada com outros nomes, na linha sugerida pelo Globo.

    Diogo Mainardi poderia enriquecer, de Veneza, por Skype, a entrevista. Ele trataria Lula, com a devida deferência, como “Anta”. E levaria também as saudações de seu pai, Ênio, que fraternalmente vive pedindo a Deus que traga de volta o câncer a Lula.

    Augusto Nunes é outro nome que deveria estar na bancada. Com sua habitual elegância, e com seu apreço pelos brasileiros do Nordeste, Nunes batizou Lula de “presidente retirante”.

    Outras maneiras de Nunes se referir a Lula variam, britanicamente, de “Molusco” a “Cachaceiro”, de “Afanador” a “Burro”.

    Podemos ver Nunes pedir a “Molusco” que envie lembranças a “Dois Neurônios”, como ele chama carinhosamente Dilma.

    Num gesto de extrema civilidade, ele poderia entregar a Lula a capa emoldurada da Veja na qual “Molusco” leva um chute no traseiro.

    Para seguirmos na excelente ideia do Globo, jornalistas da casa deveriam estar presentes também.

    Merval Pereira, por exemplo, teria boas contribuições ao indagar Lula sobre o lulopetismo, o lulodilmismo e o lulobolivarianismo. Merval embelezaria a ocasião se se apresentasse engalanado com sua farda de Imortal.

    Jabor é outro que não poderia ser esquecido. Ele compartilharia com Lula suas ponderadas reflexões sobre a bolchevização comunoestalinista do Brasil pelo PT. Ali Kamel poderia ser incumbido de fazer a edição do vídeo, ele que entrou para a história com o Caso do Atentado da Bolinha de Papel, que quase vitimou José Serra.

    Realmente, uma grande ideia a do Globo.

    Caso Lula saiba dela, tenho certeza de que ele em breve convocará uma outra entrevista, com os grandes jornalistas listados acima e mais alguns outros de igual grandeza.

     

  13. CELSO ORRICO

    17 de abril de 2014 2:45 pm

    ah essas mulheres!!

    é mulher botando pra quebrar  no Planalto (Dilma), no Senado Federal (Gleisi), na Câmara dos Deputados ( Jandira),na Petrobrás (Graça), nos blogs ( Conceição Lemes), eita que danou-se..parece que as saias resolveram rodar a baiana e as calças recolheram suas violas..voltemos ao Matriarcado , quem sabe não melhoramos?

    essa é para a Globo..hehehehehe

     

     

    1. Frederico69

      17 de abril de 2014 7:08 pm

      Conta pra gente uma coisa boa
      Conta pra gente uma coisa boa da loira burra?
      O que eu lembro é apenas o fato de ter dito que a funai não podia cuidar da terra indigena.
      Ainda bem que o requiao vai concorrer pra governador.

      1. CELSO ORRICO

        17 de abril de 2014 10:48 pm

        conto não

        conto não Frederico, se quiser se informar sobre ela busque seus pronunciamentos no Senado Federal e os embates com a oposição. voz isolada do PT lá no embate político..vá lá

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