10 de junho de 2026

Agronegócio entregou bolsa de dinheiro vivo a Braga Netto para financiar golpe, indica PF

O general Walter Braga Netto teria recebido recursos do agronegócio para financiar a tentativa de golpe de Estado de Jair Bolsonaro
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O general Walter Braga Netto, braço direito de Jair Bolsonaro e preso neste sábado (14), teria recebido recursos do agronegócio para financiar a tentativa de golpe de Estado do ex-mandatário.

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A informação constaria nas investigações da Polícia Federal, após a prisão de Braga Netto, então ministro da Defesa de Jair Bolsonaro e candidato a vice-presidente de sua chapa em 2022.

A prova encontrada pela PF é uma suposta sacola de vinho, que carregava o dinheiro em espécie dado por empresários do agronegócio ao major Rafael de Oliveira, integrante das Forças Especiais do Exército, os chamados “Kids Pretos”, e a sacola era destinada a Braga Netto.

Parte deste dinheiro vivo foi usado para comprar celulares descartáveis, que teria sido usados para monitorar autoridades e planejar os seus assassinatos – incluindo o atual presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

No rastro feito pelos investigadores, eles identificaram que um celular foi adquirido em Goiânia, no dia 15 de dezembro de 2022, por R$ 2,5 mil em dinheiro vivo pela esposa do major. Aparelhos celulares foram carregados com créditos de R$ 20 em uma farmácia de Brasília.

Os celulares foram vinculados à operação denominada por eles de “Copa 2022”, que era o planejamento do golpe por meio de 6 celulares descartáveis habilitados com nomes falsos e chips anônimos.

Documentos apreendidos pela PF comprovam os planos, com o uso destes celulares para, por exemplo, o sequestro do ministro Alexandre de Moraes. Nos arquivos, há “demandas para a preparação e condução da ação” do sequestro do juiz.

Na delação premiada, o ex-ajudante de Ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, revelou que empresários do agronegócio foram os principais financiadores dos planos de golpe. Eles teriam financiado, por exemplo, os atos antidemocráticos e os bloqueios das rodovias após a derrota eleitoral do ex-mandatário.

Além da delação e do rastreamento do dinheiro, os investigadores acessaram áudios e documentos do planejamento. Em um dos áudios, o ex-ajudante de Ordens explicava que “empresários do agro” é que estavam colocando “carro de som em Brasília” e pagando os ônibus que transportavam os manifestantes.

Juntamente com a prisão de Braga Netto, a PF apreendeu celulares e “centenas de pen drives” do assessor do general, Flávio Botelho Peregrino. Os investigadores avançam com a análise desse material.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Paulo Nogueira

    16 de dezembro de 2024 5:56 pm

    Não foi o agronegócio, foram os ogros de negócios.

  2. Carlos

    17 de dezembro de 2024 7:37 am

    Nesta vala negra, ora em depuração pela PF, pelo STF e pelo PGR – estas sim, autoridades que vem se mostrando competentes – quero crer que breve neste esgoto, que cada dia se mostra mais fétido, encontraremos dinheiro oriundo das “igrejas” montadas por pseudos bispos, pastores, e outros assemelhados que se aproveitam da fé alheia para bancar quem atenta violentamente contra a democracia

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