24 de junho de 2026

O populismo político nunca perdura, diz analista

Fenômeno será sempre uma resposta a crises financeiras – e é preciso garantir melhora econômica para populismo perder força
Foto: RS/Fotos Públicas

Entender a volta do populismo é ponto fundamental para dar sentido à política, principalmente o que está acontecendo com os Estados Unidos após a recondução do Donald Trump à presidência do país e à maioria republicana que vai controlar o Senado e a Câmara.

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Na visão de Michael R. Strain, diretor de estudos de política econômica do American Enterprise Institute, a crise financeira global de 2008 pode ser vista como o ponto de partida para o populismo que alimentou a ascensão de Trump em meados da década de 2010 – além do ressurgimento populista no Reino Unido e na Europa.

“A recessão e a recuperação lenta que se seguiram causaram dificuldades significativas para bem mais da metade da força de trabalho, semeando raiva e descontentamento”, explica Strain, em artigo publicado no site Project Syndicate.

Além do impacto sobre o salário médio real (que não voltou aos níveis vistos em 2007 até 2014), a crise acabou por comprometer “a fé no sistema financeiro e na capacidade do governo de promover o bem-estar geral”, diz o articulista, ressaltando que esse quadro “era um solo fértil no qual o populismo – tanto na esquerda quanto na direita – poderia crescer”.

Para Strein, o populismo pode ser definido a partir de três fatores: “uma visão de mundo que coloca “o povo” contra “as elites”; pessimismo sobre os resultados econômicos atuais e futuros; e um desejo de se voltar para dentro como um país”.

“Evidências dos últimos 150 anos mostram que o populismo é uma resposta frequente a crises financeiras”, diz o articulista, lembrando que “a mesma evidência mostra que o populismo recua, normalmente retornando ao seu nível pré-crise após cerca de dez anos”.

Contudo, quando o cenário parecia mostrar o retrocesso do populismo, a pandemia de covid-19 atingiu o mundo em 2020 e, como ocorreu em cenários semelhantes, levou a rupturas políticas e sociais que deram novo fôlego ao populismo diante da percepção generalizada de fracasso catastrófico da elite.

“Se os trabalhadores dos EUA puderem experimentar, digamos, quatro ou cinco anos de crescimento salarial real sólido, o sentimento populista deve diminuir novamente, como aconteceu antes da pandemia”, destaca Strein.

Na visão do articulista, o populismo trumpista não será extinto de fato, mas este seria um caminho para que ele se torne menos potente inclusive na política – e, caso os republicanos queiram seguir no comando da política norte-americana em 2028, será necessário adotar políticas que melhorem a vida das pessoas de fato.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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