4 de junho de 2026

Neurocientistas identificam proteína que reverte Alzheimer em ratos

Jornal GGN – Neurocientistas do Instituto Picower para Aprendizado da Memória do MIT, nos Estados Unidos, descobriram que a superprodução da proteína conhecida como p25 pode ser a culpada pelas proteínas que se acumulam no cérebro de pacientes de Alzheimer. O trabalho, publicado no último dia 10 de abril, pode permitir novos tratamentos para a doença que afeta mais de cinco milhões de pessoas só nos EUA.

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Os agrupamentos anormais de fragmentos dessas proteínas, conhecidas como placas de beta-amilóide, são tidos como os responsáveis pelos problemas cognitivos, de morte celular e perda de tecidos associados ao Alzheimer. Em estudos anteriores, a proteína p25 tinha sido relacionada à criação e ao acúmulo de beta-amilóides, mas, até agora, o papel de p25 na patologia de Alzheimer não havia sido bem compreendida.

“Essa proteína parece ajudar a manter a atividade normal do cérebro, mas também faz parte de um ciclo de resposta com as beta-amilóides. Ela gera as placas que, por sua vez, aumentam os níveis de p25”, explica Li- Huei Tsai, pesquisador do estudo, que é coordenado Jinsoo Seo, um associado de pós-doutorado no Instituto Picower.

Os níveis elevados de p25 no cérebro foram documentados após a exposição a estímulos neuro-tóxicos, como estresse oxidativo e beta-amilóides. “Neste estudo, pela primeira vez, demonstramos que uma variedade de atividades fisiológicas geram p25 neuronais no hipocampo, onde as memórias são codificadas no cérebro”, explica Tsai.

Leia também: Cientistas revelam como proteína pode causar o mal de Alzheimer

Para delinear os papéis precisos da p25, o laboratório de Tsai gerou um modelo de camundongo transgênico, o que permitiu aos pesquisadores evitar a produção da proteína p25 sem alterar outras proteínas com funções essenciais no desenvolvimento do cérebro.

Os pesquisadores descobriram que a p25 é necessária para a plasticidade sináptica e a capacidade de conexões do cérebro de mudar ao longo do tempo, especialmente para o processo chamado de depressão em longo prazo (LTD, na sigla em inglês). Tal comportamento enfraquece seletivamente os conjuntos de sinapses e está associada com a perda da memória.

A equipe de Tsai observou que os ratos incapazes de gerar a p25 poderiam aprender novas tarefas e assimilar memórias normalmente. No entanto, quando os pesquisadores começaram a abordar a perda da memória, eles logo notaram que os ratos têm dificuldades com a substituição de memórias mais antigas com as mais recentes.

Leia também: Estudo mostra onde começa a doença de Alzheimer e como ela se espalha

“Esta descoberta não só aumenta a nossa compreensão da p25 em funções sinápticas, mas também explica o mecanismo subjacente da depressão sináptica excessiva observada no cérebro do paciente com Alzheimer”, diz Seo. “Esta descoberta levou-nos a questionar se o bloqueio da geração de p25 poderia mitigar fenótipos patológicos no cérebro com Alzheimer”, reafirma Tsai.

No modelo de rato com a doença de Alzheimer, a inibição da produção da proteína p25 estava relacionada com a melhoria da função cognitiva, a formação de placas muito reduzidas e inflamação neural – características do Alzheimer. Os resultados mantêm a esperança de que uma droga que regula os níveis de p25 poderiam beneficiar pacientes com a doença, melhorando a função cognitiva e, talvez, atrasando o desenvolvimento da patologia cerebral, de acordo com Tsai.

Com informações do MedicalXpress.com

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