5 de junho de 2026

O jeitinho nos anos eleitorais

A ideia de que, por ser menos exposto a pressões políticas, os regimes ditatoriais são mais eficientes, é desmentida pelos seguintes modelos de atuação.

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Adiamento de problemas relevantes

Em 1974, ano em que a oposição aplicou uma derrota histórica à Arena, o então Ministro da Fazenda Delfim Netto manipulou os índices de inflação. Sua jogada consistia em levantar os locais de apuração de preços pela Fundação Getúlio Vargas e, alguns dias antes da pesquisa, abastecer os estabelecimentos com estoques de alimentos a preços módicos.

A inflação represada estourou no ano seguinte.

Em 1979, repetiram-se as mesmas práticas populistas, e ainda se estava em plena ditadura.

Para garantir a popularidade do presidente general João Batista Figueiredo, criou-se uma lei salarial que aumentou a inflação. O Ministro Mário Henrique Simonsen pulou do barco antes que o balão explodisse.

Em 1998, Fernando Henrique Cardoso recorreu a um empréstimo do FMI para adiar o reajuste do câmbio antes das eleições. A maioria absoluta dos colunistas econômicos e analistas financeiros endossou a jogada, garantindo que o câmbio não seria alterado. Foi, dois meses depois.

O governo Dilma Rousseff vem adiando os reajustes de combustíveis descapitalizando a Petrobras e lançando o setor sucroalcooleiro em uma grave crise; não mexeu no câmbio, ampliando o déficit comercial brasileiro; para fechar as contas, aumentou a taxa Selic, pressionando as contas fiscais.

Os abusos em épocas de bonança

No período 1969-1974, em pleno apogeu do “milagre” foi cometida toda sorte de estripulias fiscais com fundos regionais, com benefícios fiscais, com obras faraônicas, descontrole no mercado de crédito.

De 1975 em diante, embora em um regime ditatorial, o general Ernesto Geisel comandou um brutal processo de endividamento, escudando-se na máxima de que “dívida não foi feita para ser paga, mas para ser rolada”. Por trás da estratégia a noção de que, se a economia perdesse vigor, seu governo perderia legitimidade. Na época, o mundo experimentava um bolha de liquidez, em função da reciclagem dos petrodolares acumulados no período.

Essa mesma abundância cambial serviu de álibi para Gustavo Franco quebrar o país em 1994 e Lula quase quebrar em 2008 – só não quebrou por conta da crise global que mudou as condições internacionais e internas da economia.

Do mesmo modo, a solidez fiscal levou o governo Dilma a um festival de isenções fiscais sem nenhum planejamento.

Em todos esses momentos – FHC, Lula e Dilma – taxas de juros extraordinariamente elevadas para atrair capitais especulativos e adiar o ajuste cambial.

As manobras para fechar as contas

Em 1982, quando o país quebrou, o regime militar fez pior: arrebentou com as contas públicas, esvaziou os fundos constitucionais, obrigou as estatais a se endividarem pesadamente em dólares, praticamente quebrando o enorme acervo de boas estatais criado na década anterior.

Em 2012, em vez de assumir a dificuldade em manter as metas de superávit fiscal, por conta da perda de dinamismo da economia, a Secretaria de Tesouro adotou uma série de práticas não convencionais para amenizar a redução, embora sem as conseqüências calamitosas do período militar.

Conclusão: o problema não é de ditadura ou de democracia. É de jeitinho.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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53 Comentários
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  1. IV AVATAR

    3 de abril de 2014 9:41 am

    E por falar em jeitinho…,,O jeitinho do Judiciário
    STF proibe financiamento privado de campanhas eleitorais. Será que os coronéis vão mesmo deixar a grana mofando quando poderia usa-la para comprar votos, só o PT não pode…..E quem tem um 1 milhão de reais pode gastar 10% do seu patrimônio, já quem não tem nada não pode gastar nada…Faltou aprovar o financiamento público

    1. alfredo machado

      3 de abril de 2014 10:03 am

      $$$ mofando

      IV Avatar, 

      Por enquanto, continua tudo como dantes no quartel de abrantes, pois o grandíssimo GMendes pediu vistas do processo com a fatura já liquidada, 6 x 1.

      Como o digníssimo só devolve o processo na hora que quiser e bem entender, permanece a $$$ das grandes empresas a irrigar o bolso dos excelentíssimos desclassificados.

      E viva o brasilsil macunaíma prá valer

      Um abraço

       

  2. alfredo machado

    3 de abril de 2014 9:42 am

    A eterna farra

    Nassif,

    Neste país, a classe política  nunca teve e demonstra não pretende ter qualquer preocupação com qualquer medida que vise um orçamento equilibrado, sustentável.

    Não faltam exemplos por parte de parlamentares, de governos por cederem às pressões por uma tal de governabilidade (escuto este blablablá há anos) e/ou completo desconhecimento sobre o tema Gestão Pública e da própria sociedade, que comete um baita erro ao dar voto para pilantras da cabeça aos pés, sociedade que reclama do Tiririca e vota no Maluf .

    A eterna farra é mesmo eterna, agora é a vez de mais 180 municípios a serem criados, há pouco retornaram os super salários do dia prá noite, prá isso bastando uma canetada de um do STF, tribunal que ontem confirmou ser realmente das arábias – entre os onze a votar uma matéria, por acaso financiamento de campanha política, chegou-se ao 6×1 para dar a vitória a uma corrente de opinião, certo? Errado, pois um dos onze pediu vistas do processo ???, acredito que deseje filmar as páginas daquilo, pois a questão já está definida – é ou não é o país da piada pronta?   

    No Judiciário a farra $$$ é enorme, idem para o Legislativo e também Executivo, pois ninguém, nenhum governo dá de presente mais do que o equivalente a R$ 200 bi anualmente para instituições bancárias e alguns aplicadores em títulos do governo à base de estratosféricos 11% aa brutos.

    Diversos comentaristas do blog podem detalhar diversas situações em que o desperdício $$$ e a corrupção deslavada  se destacam, mas considero isto um nítido sinal de masoquisno. 

  3. joel lima

    3 de abril de 2014 10:07 am

    A chegada do pt ao poder ,

    A chegada do pt ao poder , além dos fatos positivos da gestão Lula, mostrou o que o Nassif bem explicou no texto = há um modo de agir na política brasileiro que transcende regimes ( tirânicos ou democráticos ) ou siglas partidárias. É o dar um jeito de empurrar com a barriga. E quem paga a maior parte da conta quando a coisa explode é, para variar, a população que é menos favorecida. 

     

    Uma vez, aqui no blog, o Nassif considerou o Delfim o melhor economista brasileiro. E aqui li mais uma das do Delfim para não enfrentar a realidade da inflação. Me pergunto o que os piores economistas fizeram – e fico até com medo de imaginar -rs. 

     

    Enfim, o Brasil nunca teve uma elite de verdade. 

  4. josé adailton

    3 de abril de 2014 10:16 am

    País do futuro

    Mais um complicador (somado ao alto grau de corrupção em todos os níveis de governo)que sempre existiu  durante toda a nossa história:

    Brasil é o pior em retorno de imposto à população, aponta estudo

    Pela quinta vez consecutiva, o Brasil é o país que proporciona o pior retorno de valores arrecadados com tributos em qualidade de vida para a sua população.

    …………………………………………………………………………………………………………..

    http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1434959-brasil-e-o-pior-em-retorno-de-imposto-a-populacao-aponta-estudo.shtml

    1. alfredo machado

      3 de abril de 2014 10:32 am

      Carga tributária

      josé adailton,

      A carga tributária no patropi já chegou a 61% do PIB, proeza conseguida pelo príncipe FHC, hoje está próxima dos 34%, alta mas não anormal.

      O tal instituto IBPT escolhido pela Folha ( ou pelo PSDB) montou uma lista de diversos países com os seus % de dívida pública, e não é que esqueceu de todos os países escandinavos?

      Sobre o retormo da $$$ para a população, nenhum governo, seja ele de direita ou de esquerda será capaz de produzir esta façanha, pois o CN pega o que puder antes, haja vista a criação dos tais 180 municípios. A gastança irresponsável ocorre até mesmo em municípios ricos, com royalties sobre os quais ninguém precisa dar explicação, uma beleza.

      Agora vá aos tais municípios e anote as obras necessárias e as de enfeite, praças pública cheias de trololó e por aí vai.   

       

      1. josé adailton

        3 de abril de 2014 12:52 pm

        NÃO SERIA PIOR?

        Alfredo,

        Se os países escandinavos não tivessem sido “esquecidos”, a nossa posição não seria pior? Estes países estão num nível desproporcional ao resto do mundo. Ou estarei enganado?

        NB: pela minha modesta experiência de vida , independentemente da confiabilidade da pesquisa, tenho convicção de que , apesar dos avanços desta última década(não é elogio ao PT) ainda estamos longe de alcançarmos a meta social que merecemos. Certamente há uma camada da população que particularmente não tem nada a reclamar na qual, sem falsa modéstia,  me incluo.

        1. alfredo machado

          3 de abril de 2014 2:13 pm

          josé adailton,
          Obrigado pelo

          josé adailton,

          Obrigado pelo retorno.

          A carga tributária daquele geupo de países e de muitos outros é bem superio à do patropi, os escandinavos com uma diferença fundamental , oferecem muitos serviços aos cidadâos. Pode consultar no Gooble.

          Quanto ao atual estágio daqui no que se refere a metas sociais, somos bastante atrasados e assim continuaremos, pois em diversos municípios o $$$ fica pelo caminho, não livram a cara da merenda escolar que recebem de graça.

          Um abraço

           

    2. Ari

      3 de abril de 2014 1:10 pm

      É Falso

      Muitos críticos da carga tributária no Brasil usam artimanhas para justificar seus pontos de vista. Fazem isso para consquistar e manter seguidores incautos. A idéia geral é pegar o cidadão leigo que acredita que o governo arrecada suficientemente para oferecer serviços públicos de qualidade como são oferecidos em outros paises.

       

      Relacionar IDH com Carga Tributária é mais uma destas artimanhas. IDH é um índice que se conquista ao longo de décadas e tem muito pouca relação com carga tributária.

       

      Em relação aos impostos, IDH tem mais relação com receita-per-capita. O correto seria comparar a receita-per-capita destes paises com os seus IDH. Mesmo assim não seria suficiente, pois outras variáveis irão interferir no IDH, como distribuição de renda, por exemplo. Nao seria correto, para justificar retorno de impostos, comparar  IDH de paises com receitas-per-capita iguais, mas com uma distribuição de renda completamente diferentes. Paises com perfil de distribuição de renda injusta demandam muito mais por políticas públicas básicas(que demandam mais receita), pois têm um grande contingente de marginalizados.

       

      Olha que não estou querendo aqui defender a idéia de que não dá para oferecer melhores serviços com o orçamento que existe. Meu questionamento é se, com os recursos atuais, seria possível oferecer serviços públicos com um mínimo de qualidade, dada as característcias sócio-econômicas atuais do Brasil. Para melhoria das condicôes do IDH teríamos que promover profundas reformas no sistema de distribuição de renda, a começar pela carga tributária injusta.

       

      Num país onde 50% tem uma renda familiar per capita inferior a R$ 440,00 (apesar de uma carga tributária incompatível), não há como não aumentar proporcionalmente a carga tributária, por exemplo, de famílias com renda familiar per capita de R$ 2.500 (5% da população), R$ 5.500 (1% da população) e R$ 10.000 ou mais (0,2% da população). 

       

      Tratar o assunto de impostos como foi tratado pelo Folha e pelo IBPT é sofisma. Acredito que no seu caso é paralogismo.

      1. aliancaliberal

        3 de abril de 2014 4:14 pm

        Ai vc pergunta para quem

        Ai vc pergunta para quem defende o governo:

        Vc tem plano de saúde?, sim.

        Vc estuda ou mantém seus filhos em escola particular? sim

        Vc vive em condominio com seguranças particular? Sim.

        Vc usa transpote publico, anda de ônibus? não.

        Vc é funcionário publico? Sim.

        Vc é pobre e necessita dos serviços do estado? Não.

         

         

         

        1. Ari

          3 de abril de 2014 5:32 pm

          Aí vc pergunta para os que

          Aí vc pergunta para os que responderam sim no seu questionário, independente de defender o governo, pois não se trata de defender ou atacar governos, mas ter consciência do sistema em que nós estamos.

          Nos sitema de saúde vc tem retorno dos impostos que paga ? Não (falso, pois vc usa a renúncia fiscal nos seu imposto de renda para deduzir despezas as quais teria direito no SUS).

          Nos sitema de educação vc tem retorno dos impostos que paga ? Não (falso, pois vc usa a renúncia fiscal nos seu imposto de renda para deduzir despezas as quais teria direito na ensino básico público).

           

           

  5. Jofran Oliva

    3 de abril de 2014 10:36 am

    …acabar com o sistema reeleição não seria uma das soluções?

    São pertinentes e verdadeiras as observações de Luis Nassif, especialmente no tocante ao controle dos preços dos combustíveis que causa prejuízos à Petrobras e ao setor sucroalcooleiro. No entanto os reajustes de preços dos combustíveis a meu ver devam ser moderados, pois beneficiam meia dúzia e penalizam milhões de consumidores. No caso do dólar vale o mesmo raciocínio, mas uma cotação mais real da moeda americana seria desejável e favoreceria nossas exportações e principalmente o setor industrial. 

    Mas será que acabar com o sistema de reeleição não seria uma das soluções?

    1. Ivan de Union

      3 de abril de 2014 11:00 am

      Nao, Jofran, porque reeleicao

      Nao, Jofran, porque reeleicao eh topico mundial, todo mundo discute.  Nao eh solucao mas sim mais uma moeda de troca pra ser vendida e traficada por politicos.

      Essa eh a razao que o assunto nao morre.  Nao sou contra nem a favor, especialmente porque nao ha solucao reconhecida a nivel mundial, POREM sou contra moedas de troca politicas como reeleicao, aborto, maconha, etc.  Elas escancaram as portas ao “jeitinho”.

  6. Rui Daher

    3 de abril de 2014 11:41 am

    Jeitinho

    Jeitinho ou incapacidade de enxergar um palmo adiante do nariz? Talvez as duas pragas: esperteza e ignorância. A propósito, acho que na “Folha” de ontem, o professor de Deus, ao contrariar artigo do Nakano, defendendo que juros altos não derrubam a inflação, o economista-chefe dos economistas-chefes e ex-diretor do BC, sugere a Nakano estudar mais. Pode? Então. 

  7. Briguilino

    3 de abril de 2014 12:01 pm

    O jeito tucano de fazer campanha eleitoral

    Para garantir financiamento para campanha deste ano, Aécio Neves – *o Caco Antibes da política brasileira – promete aos financiadores acabar com reajuste automático do salário mínimo e outras coisitas mais. Faz mais, desqualifica trabalhador brasileiro em entrevista ao blogueiro limpinho, Josias de Souza.

    http://blogdobriguilino.blogspot.com.br/2014/04/aecio-neves-desqualifica-emprego-da.html

    *Batizei

  8. Carlos Lima

    3 de abril de 2014 12:11 pm

    CENSURA NA INTERNET

    O portal TERRA não publica mais comentário em que se escreve o nome AÉCIO NEVES, se você colocar Aécio ele publica, não sei como é o filtro, mas é possível notar a censura. Começaram mal.

    1. Bruno Cabral

      3 de abril de 2014 12:52 pm

      Censura

      Ele conseguiu uma liminar para isso, saiu até aqui no blog…

  9. Diogo Costa

    3 de abril de 2014 12:19 pm

    De senso comum em senso comum o PiG enche o papo

    Olha, nem a Miriam Leitão faria melhor… 

     

    Somente no ano passado houveram 03 reajustes no diesel e 02 na gasolina. Talvez uns e outros gostariam de ver reajustes de 50% nos combustíveis, provocando um verdadeiro caos social mas “salvando” a Petrobrás… Outra questão, o colunista afirma que a Petrobrás está sendo “descapitalizada” por Dilma. Já vimos que isto é uma rotunda falácia, mas é preciso ver mais. No ano passado a Petrobrás fechou com um lucro de 23,6 bilhões de reais, repetindo, lucro de 23,6 bilhões de reais! Que descapitalização é esta onde o lucro de uma empresa AUMENTA em relação ao ano anterior?

     

    Que descapitalização é esta onde o lucro de uma empresa é superior aos 23 BILHÕES de reais? Que descapitalização é esta que permitiu à Petrobrás ter um lucro de quase 150 BILHÕES de reais nos últimos 05 anos? Que descapitalização é esta que permite à Petrobrás inaugurar a Refinaria de Abreu e Lima em novembro de 2014, além de estar construindo outras 03 refinarias (a última refinaria inaugurada no Brasil foi no tempo dos militares)? Que descapitalização é esta que permitirá à empresa fazer investimentos de mais de R$ 500 BILHÕES de reais entre 2013 e 2018, segundo o Plano Estratégico da empresa? Como vemos, a realidade desmente o senso comum.

     

    Que dizer então que Dilma Rousseff não mexeu no câmbio? Pelas barbas do profeta! Essa nem a Miriam Leitão consegue defender… Vamos lá:

     

    -Janeiro de 2011: R$ 1,65 por dólar;

    -Janeiro de 2012: R$ 1,86 por dólar;

    -Janeiro de 2013: R$ 2,04 por dólar;

    -Janeiro de 2014: R$ 2,39 por dólar.

     

    Houve uma benéfica desvalorização cambial desde o primeiro milésimo de segundo do governo Dilma Rousseff, em janeiro de 2011. Isto é a realidade concreta e objetiva dos fatos que demonstra. E estes fatos são absolutamente indesmentíveis. Outros pontos agora, o Brasil não tem déficit comercial nenhum, de onde tiraram esta notícia absolutamente fantasiosa? A última vez em que o Brasil teve déficit comercial foi no longínquo ano de 2000. De lá para cá, o Brasil sempre teve SUPERÁVIT COMERCIAL, não o contrário. 

     

    Quer dizer então que Lula quase “quebrou o país” em 2008 e que a salvação do Brasil foi o estouro da maior e pior crise econômica e financeira existente desde o Crash de outubro de 1929? Uau… O governo Lula acumulou, entre 2003 e 2008, mais de 215 BILHÕES DE DÓLARES em superávit comercial a favor do Brasil. Isto dá uma média de mais de 35 BILHÕES DE DÓLARES de superávit comercial por ano no governo Lula, desde o seu início até o estouro do Crash de 15 de setembro de 2008! Como vemos, Lula “quase quebrou o país”, não é mesmo? Lula recebeu de FHC um país com 20 bilhões de dólares em reservas internacionais e chegou a 15 de setembro de 2008 (dia do estouro do Crash) com mais de 207 BILHÕES de dólares em reservas internacionais. Dez vezes mais do que o valor que recebeu! Este Lula, como vemos, “quase quebrou o país”, não é verdade?

     

    Já vimos que a questão do câmbio no governo Dilma é uma falácia. Também vimos que a “descapitalização” da Petrobrás é uma rotunda fantasia. Desmistificamos a questão do “déficit comercial” do Brasil, que simplesmente não existe desde o ano de 2000. Agora vamos ver a questão do juros e dos incentivos fiscais.

     

    O atual baixo crescimento da economia brasileira não tem nada, absoluta e definitivamente nada a ver com a taxa de juros! O Brasil cresceu em média superior no governo Lula e os juros da Selic no governo Lula eram superiores à média dos juros no governo Dilma. Os EUA estão com juros de 0,25% ao ano há quase 05 anos e meio. O Japão está com juro de 0,1% ao ano há mais de 05 anos. A União Europeia está com juro de 0,25% ano ano. O Reino Unido está com juro de 0,5% ao ano há mais de 05 anos consecutivos. Se o problema são os juros, como se explicar que estes países tenham taxas de juros próximas de zero e não consigam crescer e sair da crise? E o Méxio, que tem uma taxa de juros de 3,5% ao ano e mesmo assim cresceu menos do que o Brasil em 2013? Aliás, o México está já a 04 anos consecutivos (2010 à 2013) tendo crescimentos do PIB cada vez menores e decrescentes… O problema não era apenas a questão dos juros? Como vimos, não.

     

    O problema atual é o Crash de 15 de setembro de 2008. Qualquer análise econômica que desconsidere os efeitos desta brutal crise econômica (a maior desde 1929) cairá fatalmente no idealismo e nos choramingos sem nexo com a realidade. Os apertados superávits fiscais do Brasil atual nada tam a ver com o câmbio! O câmbio está desvalorizando no governo Dilma, desde 2011, e mesmo assim não tem surtido efeito. Não fosse o Crash de 2008, com o câmbio que temos hoje, estaríamos com um superávit imenso. O problema do Brasil atual não é o câmbio e nem são os juros, isto é uma rotunda falácia. Vários países estão com juros próximos de 0% há meia década, e de forma consecutva, e não conseguem sair da crise.

     

    A solução para o Brasil, o que tem salvado o Brasil dos deletérios efeitos econômicos, políticos e sociais oriundos do Crash de 2008 é justamente a corretíssima aposta no mercado interno. Esta aposta na construção de um pujante mercado interno de massas, no aumento constante do salário mínimo e na distribuição de renda, além do pleno emprego, é que tem salvado o Brasil de atravessar períodos ruins como os que se verificam hoje em vários países da Europa. E é preciso intensificar esta aposta no mercado interno. Quanto ao tema das exportações, sempre é bom lembrar que o Brasil exporta, como proporção do PIB, mais do que os EUA. Isto mesmo, como proporção do PIB, o Brasil, repito, exporta mais do que os EUA!

     

    As medidas antí-cíclicas empreendidas por Lula e aprofundadas por Dilma Rousseff é que tem possibilitado ao país atravessar a maior crise econômica dos últimos 80 anos sem maiores sobressaltos. É dentro desta perspectiva que Dilma fez várias intervenções econômicas desde 2011. O alvo dessas intervenções setoriais sempre foi a manutenção do pleno emprego e da renda da população, sem perder o controle da inflação. É possível dizer que Dilma Rousseff errou nestas medidas? Evidentemente que não! Os resultados estão aí para quem quiser ver. E o Brasil, é bom ressaltar, tem aumentando a arrecadação fiscal todos os anos, em que pese as corretíssimas medidas econômicas anti-cíclicas tocadas por Dilma.

     

    As Miriams Leitão da vida jamais vão querer ver a realidade concreta e objetiva dos fatos, mas aí é outra história…

    1. ciro hardt araujo

      3 de abril de 2014 1:36 pm

      soberbo!

      soberbo!

    2. Rogerio Rais

      3 de abril de 2014 1:44 pm

      As recaídas do Nassif

      Diogo, seus argumentos desmancharam esse post do Nassif …

      .. já comentei aquí sobre as frequentes recaídas do Nassif, quando nivela os argumentos ao nível daqueles da miriam leitão ou do sardemberg … vai entender, né …

      .. “jeitinho” é uma forma de desqualificar, ainda mais fazendo paralelo com  as políticas econômicas da ditadura e do período neoliberal ….

      .. quando o Nassif remete à questão da tal “contabilidade criativa” que o mercado vive alardeando, ele desconsidera o que interessa, de verdade: a relação dívida líquida/pib, a menor da história recente, né … e, a propósito, antes uma “contabilidade criativa” do que uma contabilidade destrutiva, aos moldes neoliberais …

      … não é possível, e a história mostra isso, ter um pé em uma canoa e outro pé em outra canoa …

       

      1. luisnassif

        3 de abril de 2014 4:57 pm

        Prezado Rogerio,
        Você quer o

        Prezado Rogerio,

        Você quer o quê? Que eu fale para convertidos, que só dê informações com as quais você concorda? Para com isso! O peso das minhas opiniões favoráveis à Dilma é diretamente proporcional à minha liberdade para critica-la quando penso que devo.

        1. Francy Lisboa

          3 de abril de 2014 5:55 pm

          Tudo bem Nassif, mas

          Tudo bem Nassif, mas convertidos? Sendo “plural” c também não deixa de falar aos convertidos, as “igrejas” do Brasil de hoje são grandes mais advém de dois principais troncos: PT e anti-pt. Nada mais. O colega apenas ô criticou com a liberdade que vc garante a todos.

          1. luisnassif

            3 de abril de 2014 6:09 pm

            Claro. E eu respondi me

            Claro. E eu respondi me explicando, sem pretender impor nada. COnversa entre amigos, apenas.

        2. Rogerio Rais

          3 de abril de 2014 7:25 pm

          Nassif, claro que não estamos

          Nassif, claro que não estamos preocupados com os “convertidos”,  porque estes não manipulam informações ou opiniões … e também não se trata da sua ou da minha liberdade para criticar Dilma ou quem quer que seja …

          .. em minha opinião, vc utilizou argumentos e comparações inconsistentes para formular essa crítica à política econômica do governo…

          .. quando vc introduz o termo “jeitinho” de forma tão pejorativa, vc nivela a discussão por baixo, em um nível que soa estranho a quem lhe tem como referência e admiração …  

          …e, claro, se suas opiniões não tivessem “peso”, não estaríamos aquí, né … o problema com esse post que vc publicou é que parece que vc não considerou  o “peso”  de suas opiniões diretamente porporcionais à responsabilidade a elas intrínsecas ..

          abç, prezado Nassif ..

    3. DanielQuireza

      3 de abril de 2014 2:34 pm

      Diogo, quanto ao cambio

      Diogo, quanto ao cambio concordo contigo e também não entendi o que o Nassif quis dizer. 

      Mas quanto a Petrobrás não. Ela está sim com alguns problemas de caixa – muito longe evidentemente de quebrar como dizem alguns mais afoitos e/ou desonestos – mas está com problemas. O caixa líquido dela vem baixando a tempos, apesar do lucro, e o endividamento subindo. Essa questão de ter reiterados prejuizos na operação específica de gasolina e diesel não é boa para e empresa e terá que ser revertida uma hora, antes de causar danos talvez muito maiores.

      A despeito de análises piguianas, o problema é real e deve ser enfrentado pelo Governo, mais cedo ou mais tarde.

      1. Gunter Zibell - SP

        3 de abril de 2014 4:01 pm

        Nassif quis dizer que o câmbio não foi o suficiente

        para acertar as contas externas. Déficit em transações correntes de US$ 80 bi é da mesma proporção/PIB, 4%, que dos piores anos FHC.

        Aumentar juros para atrair capitais para fechar essa conta é “jeitinho”, tal qual em 1998. Isso é procrastinar problemas reais da economia. é antiético esconder isso de eleitor.

        E sai caro, juros elevados tiram capacidade de investimento do Estado à toa.

        Os problemas da Petrobrás fazem parte, claro. Quanto mais se adiam os reajustes de combustíveis, maior o impacto e o risco de overshooting (desvalorização, inflação, maiores que o necessário numa administração racional.)

        Mas “vale-tudo” para a reeleição…

         

        1. Diogo Costa

          3 de abril de 2014 4:29 pm

          Absolutamente nada a ver

          Descobriram agora o tema das transações correntes! Uau, mas que perspicácia! Falar em transações correntes sem falar em IED (Investimento Estrangeiro Direto) é uma rotunda e grosseira falácia, nada mais do que isto…

          Nos 03 primeiros anos de governo Dilma, o déficit em transações correntes alcançou U$ 187 bilhões e o IED alcançou U$ 195 bilhões. Ou seja, os investimentos estrangeiros estão cobrindo com sobras este “déficit”. E tem mais:

          – Série histórica do Banco Central (1947-2013) – 

          Em 67 anos consecutivos da série histórica de transações correntes de Pindorama, segundo o próprio Banco Central, em apenas 12 oportunidades o Brasil apresentou superávit em transações correntes. Foi nos anos de 1950, 1964, 1965, 1984, 1988, 1989, 1992, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

          Em absolutamente nenhum dos 08 anos de desgoverno do PSDB de FHC o Brasil apresentou superávit nas transações correntes.

          Na série histórica do Banco Central constata-se que em 82% dos 67 anos analisados (55 anos do total de 67) o Brasil teve déficit em transações correntes, de modo que os resultados atuais não constituem nenhuma novidade histórica e nem mesmo um ponto fora da curva.

          A questão principal hoje, no que se refere ao déficit em transações correntes, vem da conta dos derivados de petróleo. Esta situação será normalizada com a entrada em operação das Refinarias de Abreu e Lima (novembro de 2014) e da Refinaria do Complexo do Comperj (2016), além da melhora na situação da economia mundial que verificar-se-á a partir de 2014 (e com mais força ainda a partir de 2015).

          Nada para assustar quem quer que seja. O câmbio no Brasil já está favorável para as exportações, o problema é que o mundo ainda sofre os efeitos do Crash de 15 de setembro de 2008 e o Brasil, portanto, também os sofre. Sobre o câmbio é salutar relembrar alguns dados:

          -Janeiro de 2011, R$ 1,65 por dólar;
          -Janeiro de 2012, R$ 1,86 por dólar;
          -Janeiro de 2013, R$ 2,04 por dólar;
          -Janeiro de 2014, R$ 2,39 por dólar.

          Ou seja, desde o primeiro minuto de seu governo Dilma Rousseff promoveu uma benéfica e gradual desvalorização cambial, cujos frutos positivos ainda não estão assimilados em sua plenitude. E fez tudo isto com inflação ampla, geral e irrestritamente controlada (os três primeiros anos de Dilma tiveram inflação inferior aos três primeiros anos de FHC e de Lula).

          O Brasil tem hoje pleno emprego, distribuição de renda, diminuição das desigualdades sociais e regionais, aumentos reais nos dissídios das classes laborais e no salário mínimo. E tem tudo isto combinado com indicadores macroeconômicos, fiscais, financeiros e monetários invejáveis para qualquer país do globo terrestre. Não há razão alguma para alarmismos.

          Para finalizar, e antes que eu me esqueça, no dia 15 de setembro de 2008 (dia do estouro da maior crise econômica e financeira ocorrida desde o Crash de outubro de 1929) o Brasil tinha reservas internacionais na casa dos US$ 207 bilhões. 

          Hoje essas reservas estão na casa dos US$ 376 bilhões (aumento de 81,6%). Ou seja, o Brasil está muito, mas muito e muito mais preparado hoje para enfrentar turbulências externas do que estava lá em 2008.

        2. DanielQuireza

          3 de abril de 2014 5:45 pm

          Mas Gunter, qual seria a

          Mas Gunter, qual seria a outra alternativa do Governo para conter esse déficit tão grande em transações correntes ? Desvalorizar mais ainda o cambio ? Ai a inflação também aumentaria, é complicado de qualquer jeito né…

          1. ArthurTaguti

            3 de abril de 2014 6:08 pm

            Na minha opinião, esta

            Na minha opinião, esta questão da inflação é muito distorcida. Toda vez que temos um incremento de 0,25 p.p. no índice geral de preços, a mídia age como se houvesse um cataclisma.

            Isto porque construiu-se um dogma que existe uma relação de causa-e-efeito inquebrantável entre Taxa Selic e preços, o que está sendo questionado mesmo por economistas dos menos heterodoxos, como o Yoshiaki Nakano.

            O problema é que nenhuma análise midiática ressalta muito as consequências do aumento dos juros na economia real. E isto acaba contaminando até outras áreas, como no caso da variação da Taxa de Câmbio, ou dos preços dos combustíveis da Petrobras.

            Medidas necessária, assim, são colocados de lado, por que não queremos uma inflação mais alta. O predomínio dos mercadistas neste debate é tão grande, que mesmo que a inflação seja ocasionada por fatores externos, o aumento dos juros sempre será a demanda a ecoar na grande mídia e corredores do poder.

            Uma moeda valorizada, ou não suficientemente desvalorizada, tem efeito pernicioso na nossa economia, já que nossa indústria não consegue exportar bens manufaturados a preços competitivos, e no mercado interno sofremos competição desigual (ex. produtos chineses).

            Pergunte para um trabalhador, que perdeu o emprego em um setor industrial, que não conseguiu competir com os estrangeiros por causa do câmbio valorizado, o que ele prefere: uma inflação anual de 1, 2 p.p maior no ano ou seu antigo emprego de volta?

            Claro, podemos argumentar que o Brasil tem muitos empregos, mas existe uma tendência de trabalhadores do setor industrial migrarem para o de serviços, onde os salários são menores, os vínculos mais precários e a sindicalização mais frágil. A Carta Capital fez uma matéria tempos atrás, no ABC Paulista.

            A desvalorização cambial, então, é (ou deveria ser) inevitável, e sucessivos governos empurram a situação com a barriga, com propósitos exclusivamente eleitorais.

    4. luisnassif

      3 de abril de 2014 5:39 pm

      Prezado,Deixando de lado

      Prezado,

      Deixando de lado essa mania horrorosa de desqualificar os interlocutores, vamos aos seus argumentos.

      Dizer que a Petrobras teve um lucro de R$ 23,6 bilhões – sem comparar com outros dados – significa apenas que é uma empresa gigante. É a chamada falácia do número absoluto.

      Para uma avaliação correta, tem que comparar o lucro com o capital e com as necessidades de investimento. E também qualificar adequadamente o lucro, para saber quais os fatores de competitividade e quais os de distorção.

      Na exploração e produção a Petrobras tem um retorno sobre o capital bruto da ordem de 18% – o mais alto do mundo. Quando se entra em refino, distribuição e revenda – que dependem fundamentalmente dos preços (e do câmbio) – o resultado é de – 9% (negativo em 9%).

      Qualquer avaliação de lucro tem que levar em conta a relação com o capital investido, é óbvio. Com todo o excepcional ganho de produtividade, o retorno sobre o capital investido é de apenas 7%, o mais baixo entre as petroleiras. O controle de preços significou uma redução de US$ 10,2 bi no resultado.

       A Petrobras tem o maior programa de investimentos entre todas as petroleiras,  44 bi por ano, graças ao bemvindo sistema de partilha para o pre-sal. Mas como os resultados não bancam o investimento, ela vai buscar dinheiro no mercado. Com isso, a dívida líquida sobre a geração de caixa saltou para 3,5 vezes. Nos anos anteriores, era inferior a 2 vezes.

      O bem sucedido programa de enfrentamento da crise de 2008 – do qual fui o maior defensor – não tem nada a ver com eventuais erros ou acertos posteriores. Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. Ou não?

      Quanto ao câmbio, a mesma coisa. A medida correta para se avaliar o nível do câmbio são as transações correntes, não a comparação do ruim com o pior. Coloque na sua tabelinha de câmbio outra coluna com o resultado do balanço de pagamentos.

      table { }td { padding-top: 1px; padding-right: 1px; padding-left: 1px; color: windowtext; font-size: 10pt; font-weight: 400; font-style: normal; text-decoration: none; font-family: Arial,sans-serif; vertical-align: bottom; border: medium none; white-space: nowrap; }.xl65 { color: black; font-size: 7pt; font-weight: 700; text-align: left; border-top: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% rgb(254, 195, 148); }.xl66 { color: black; font-size: 7pt; font-weight: 700; text-align: center; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% rgb(254, 195, 148); }.xl67 { font-size: 7pt; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% white; }.xl68 { color: black; font-size: 7pt; font-weight: 700; text-align: center; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% rgb(254, 195, 148); }

      2003 41772004 116792005 139852006 136432007 15512008 -281922009 -243022010 -472732011 -524732012 -542492013 -81374

      E, finalmente, com todo o respeito: Mirian Leitão é a vovozinha

      PS – Viajo agora à tarde e chegarei de madrugada no destino. Portanto, me absolvam se não responder rapidamente aos questionamentos.

      1. Diogo Costa

        3 de abril de 2014 5:49 pm

        Transações correntes, vamos aos fatos!

        Falar em transações correntes sem falar em IED (Investimento Estrangeiro Direto) é uma falácia, nada mais do que isto…

        Nos 03 primeiros anos de governo Dilma, o déficit em transações correntes alcançou U$ 187 bilhões e o IED alcançou U$ 195 bilhões. Ou seja, os investimentos estrangeiros estão cobrindo com sobras este “déficit”. E tem mais:

        – Série histórica do Banco Central (1947-2013) – 

        Em 67 anos consecutivos da série histórica de transações correntes de Pindorama, segundo o próprio Banco Central, em apenas 12 oportunidades o Brasil apresentou superávit em transações correntes. Foi nos anos de 1950, 1964, 1965, 1984, 1988, 1989, 1992, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007.

        Em absolutamente nenhum dos 08 anos de desgoverno do PSDB de FHC o Brasil apresentou superávit nas transações correntes.

        Na série histórica do Banco Central constata-se que em 82% dos 67 anos analisados (55 anos do total de 67) o Brasil teve déficit em transações correntes, de modo que os resultados atuais não constituem nenhuma novidade histórica e nem mesmo um ponto fora da curva.

        A questão principal hoje, no que se refere ao déficit em transações correntes, vem da conta dos derivados de petróleo. Esta situação será normalizada com a entrada em operação das Refinarias de Abreu e Lima (novembro de 2014) e da Refinaria do Complexo do Comperj (2016), além da melhora na situação da economia mundial que verificar-se-á a partir de 2014 (e com mais força ainda a partir de 2015).

        Nada para assustar quem quer que seja. O câmbio no Brasil já está favorável para as exportações, o problema é que o mundo ainda sofre os efeitos do Crash de 15 de setembro de 2008 e o Brasil, portanto, também os sofre. Sobre o câmbio é salutar relembrar alguns dados:

        -Janeiro de 2011, R$ 1,65 por dólar;
        -Janeiro de 2012, R$ 1,86 por dólar;
        -Janeiro de 2013, R$ 2,04 por dólar;
        -Janeiro de 2014, R$ 2,39 por dólar.

        Ou seja, desde o primeiro minuto de seu governo Dilma Rousseff promoveu uma benéfica e gradual desvalorização cambial, cujos frutos positivos ainda não estão assimilados em sua plenitude. E fez tudo isto com inflação ampla, geral e irrestritamente controlada (os três primeiros anos de Dilma tiveram inflação inferior aos três primeiros anos de FHC e de Lula).

        O Brasil tem hoje pleno emprego, distribuição de renda, diminuição das desigualdades sociais e regionais, aumentos reais nos dissídios das classes laborais e no salário mínimo. E tem tudo isto combinado com indicadores macroeconômicos, fiscais, financeiros e monetários invejáveis para qualquer país do globo terrestre. Não há razão alguma para alarmismos.

        Para finalizar, e antes que eu me esqueça, no dia 15 de setembro de 2008 (dia do estouro da maior crise econômica e financeira ocorrida desde o Crash de outubro de 1929) o Brasil tinha reservas internacionais na casa dos US$ 207 bilhões. 

        Hoje essas reservas estão na casa dos US$ 376 bilhões (aumento de 81,6%). Ou seja, o Brasil está muito, mas muito e muito mais preparado hoje para enfrentar turbulências externas do que estava lá em 2008.

        1. luisnassif

          3 de abril de 2014 6:07 pm

          table { }td { padding-top:

          table { }td { padding-top: 1px; padding-right: 1px; padding-left: 1px; color: windowtext; font-size: 10pt; font-weight: 400; font-style: normal; text-decoration: none; font-family: Arial,sans-serif; vertical-align: bottom; border: medium none; white-space: nowrap; }.xl65 { color: black; font-size: 7pt; font-weight: 700; text-align: left; border-top: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% rgb(254, 195, 148); }.xl66 { font-size: 7pt; border-top: medium none; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% white; }.xl67 { color: black; font-size: 7pt; font-weight: 700; text-align: center; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% rgb(254, 195, 148); }.xl68 { font-size: 7pt; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% white; }.xl69 { color: black; font-size: 7pt; font-weight: 700; text-align: center; border-bottom: medium none; background: none repeat scroll 0% 0% rgb(254, 195, 148); }.xl70 { }

            BalPagIED LíquidoSaldo2003 417710144 2004 1167918146 2005 1398515066 2006 1364318822 2007 155134585 2008 -2819245058168662009 -243022594916462010 -472734850612332011 -5247366660141872012 -5424965272110232013 -8137464045-17328

           

          1. Diogo Costa

            3 de abril de 2014 6:25 pm

            Esta tabela apenas confirma o que afirmei

            Perfeita esta tabela. 

             

            Ela confirma em gênero, número e grau o que afirmei antes. Ou seja, confirma que no governo da Presidenta Dilma Rousseff o IED (Investimento Estrangeiro Direto) é superior ao “déficit” nas transações em conta corrente. Ou seja, o IED está cobrindo este hipotético déficit que, na verdade, inexiste no governo Dilma. Basta fazer as contas.

          2. luisnassif

            3 de abril de 2014 6:45 pm

            Diogovocê se baseia na mesma

            Diogo

            você se baseia na mesma falácia que precedeu a privatização das teles e outras. Quando se privatiza, ou quando há investimento estrangeiro em algum setor, em um primeiro momento vem a entrada pontual de dólares para o investimento. A partir daí estabelece-se um fluxo de saídas, dividendos, juros sobre capital, royalties etc. Em momentos de alta liquidez, as duas pontas podem empatar. Quando ocorre algum problema global (por exemplo, alta dos juros nos EUA, ou recuperação da atividade econômica em outros países, adiando investimentos em emergentes ou, em um plano mais grave, crises de liquidez) o IED estanca – porque depende da conjuntura presente -, as remessas não – porque baseadas nos investimentos passados.

            No auge da privatização, o BNDES produziu um belo trabalho mostrando como a venda de empresas nao-comercializáveis (isto é, que não geram divisas) para investidores estrangeiros produziria um aperto no balanço de pagamentos.

            Por isso a inadequação de comparar IED com balanço de pagamentos. Esse argumento foi brandido por Gustavo Franco em 1994 e por Fernão Bracher em 1976 para justificar os déficits e o endividamento.

             

          3. Diogo Costa

            3 de abril de 2014 7:02 pm

            Bueno

            Nassif,

             

            Neste caso vou me recolher aos alfarrábios e tentar compreender porque o IED é bom para a China e os EUA, que são os dois países que mais recebem este tipo de investimento há muito e muito tempo, ao passo que para o Brasil este tipo de investimento (IED) é ruim. 

             

            O debate econômico é complexo e vou tentar encontrar mais dados sobre isto. Esse tema merece um post bem aprofundado. 

          4. luisnassif

            3 de abril de 2014 8:09 pm

            O problema nao é o IED: é

            O problema nao é o IED: é basear-se nele para financiamentos dos déficits externos. Na China, grander parte dos investimentos externos foi em setores de exportação. Além de receber muito IED, o país é superavitário no seu comércio. 

    5. Francy Lisboa

      3 de abril de 2014 7:17 pm

      Diogo, menos, seus

      Diogo, menos, seus comentários são sempre bem fundamentados mas você está se comportando como eu ao provocar meu vizinho vascaíno sofredor, menos..menos.

  10. Briguilino

    3 de abril de 2014 12:47 pm

    O jeitinho da imprensa nos anos eleitorais

    Nassif, que tal escrever um texto com o título acima?

    Minha opinião sobre o assunto é essa:

    A exceção do PT a gente concorda com tudo. Desde que sejamos bem pagos.

    http://blogdobriguilino.blogspot.com.br/2014/04/joel-neto-o-jeitinho-nos-anos-eleitorais.html

  11. LC

    3 de abril de 2014 1:49 pm

    Ainda bem que ela é gerente

    O governo Dilma Rousseff vem adiando os reajustes de combustíveis descapitalizando a Petrobras e lançando o setor sucroalcooleiro em uma grave crise; não mexeu no câmbio, ampliando o déficit comercial brasileiro; para fechar as contas, aumentou a taxa Selic, pressionando as contas fiscais.

     

    Ainda bem que ela é um super gerente. Se não a gente estava f…

  12. sergior

    3 de abril de 2014 2:40 pm

    Dilma, a Bolsa e boatos sobre rumores

    Dilma, a Bolsa e boatos sobre rumores

    vinicius torres freire
    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2014/04/1435006-dilma-a-bolsa-e-boatos-sobre-rumores.shtml

     

    03/04/2014 03h00

    Mais opções

    Há dois meses, os donos do dinheiro grosso faziam arruaça na praça financeira mundial, no Brasil em particular. As ações da Petrobras passavam pelo picador de papel. Em meados de março, a Bovespa sangrava vermelho escuro, em baixa de 13% no ano. Ontem, a Bolsa voltou ao azul.

    A maluquice tem mão dupla.

    Com exceção de uma baixa, aliás temporária, nas taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos, não aconteceu nada de muito relevante ou inesperado na finança e na economia mundiais.

    Na finança e na economia brasileiras tampouco ocorreu mudança de nota. O fato de o Banco Central indicar que a campanha de aumento da taxa de juros será esticada, como o fez outra vez ontem, não tem nada a ver com a maluquice festeira da Bolsa, pelo contrário.

    O cenário básico, deteriorado, ainda é o mesmo. As taxas de juros longas por aqui ainda dobram as do início do ano passado, ou quase por aí. A economia vai crescer tanto quanto no ano passado ou menos. As perspectivas para inflação e juros de curto prazo (Selic) pioraram, garantia extra de que 2015 será outro ano de lerdeza econômica. De resto, a Petrobras parece uma empresa ainda mais avariada do que faz um bimestre.

    Por enquanto, a explicação sobre os movimentos do mercado por aqui são, por exemplo, banalidades costumeiras, nem por isso equivocadas, como dizer que o preço dos ativos brasileiros, ações em particular, estava em nível de liquidação.

    No mais, continua aquele rumor sobre boatos (sic) políticos estarem influenciando a Bolsa, aqueles que temos ouvido desde 20 de março: estaria crescendo a probabilidade de Dilma Rousseff perder a eleição ou até mesmo a candidatura (para Lula).

    A especulação de ontem baseava-se outra vez na expectativa de que a candidata Dilma Rousseff e seu governo vão aparecer mal na foto da pesquisa Datafolha que será publicada no sábado, pesquisa que, no entanto, ainda está em andamento. O que dava impulso ao boato “no mercado” era a explicação antecipada que o próprio governo vinha vazando a respeito de um possível resultado ruim no Datafolha.

    Isto é, segundo o boato governista, as pesquisas que vinham dando vantagem grande a Dilma Rousseff estariam defasadas, não tendo captado a “campanha” recente contra o governo (inflação mais alta, rolos na Petrobras, CPI etc.). O próprio governo já teria captado, em suas pesquisas, o desgaste presidencial. Logo, o possível tombo de Dilma no Datafolha evidenciaria esse período de “dificuldades temporárias” para o governo.

    A possibilidade incrementada de derrota de Dilma implicaria a vitória de um candidato “pró-mercado”, segue o argumento baseado no rumor. No mínimo, o tombo nas pesquisas e a enxurrada de más notícias para seu governo poderiam colocar a presidente contra a parede, obrigando-a a implementar desde agora mudanças em sua política econômica.

    Sim, tudo parece especulação desvairada, mas a culpa não é do colunista. Pode bem ser que alguns outros motivos estejam influenciando o preço das ações (e estão), mas povos dos mercados e seus porta-vozes têm enfatizado essa versão dos fatos e fatores da reviravolta na Bolsa.

     

  13. agincourt

    3 de abril de 2014 2:57 pm

    Nassif PIGou?

    “O governo Dilma Rousseff vem adiando os reajustes de combustíveis descapitalizando a Petrobras e lançando o setor sucroalcooleiro em uma grave crise; não mexeu no câmbio, ampliando o déficit comercial brasileiro; para fechar as contas, aumentou a taxa Selic, pressionando as contas fiscais.”

    Nassif, que tal fazer um Brasilianas em cima desse mote?

    (É ruuuuimmm….)
     

    1. Gunter Zibell - SP

      3 de abril de 2014 3:53 pm

      Vai ver foi o governo que PIGou.

      Não é tão grave quanto, mas o sentido da estratégia é o mesmo de 1998.

      1. agincourt

        3 de abril de 2014 5:36 pm

        pergunta

        Gunter, desculpa-me a ignorância, mas que estratégia seria essa?

  14. Pachecão

    3 de abril de 2014 4:46 pm

    Alerta de tsunami no PT.Logo

    Alerta de tsunami no PT.
    Logo depois que alguém “descobriu” que a compra da usina aprovada pela Dilma era rolo prá CPI, alguém “descobriu” que o articulador da campanha interna “volta Lula” usava avião de doleiro.

  15. Andre SP

    3 de abril de 2014 5:38 pm

    Sei não Nassif!Vivemos em um

    Sei não Nassif!

    Vivemos em um país que aprendeu viver dentro de uma economia indexada, então, não existe aumentos que não gerem indexação automática. Assim vejo a estratégia do estrangulamento dos preços do setor energético, cortar uma indexação automática da origem e trazer para uma taxa de inflação menor no país.

    Esta estratégia somada a uma mudança do cambio que é indutora de inflação pelo aumento dos custos de vários insumos cotados em dólares pode trazer um equilíbrio maior a economia no médio e longo prazo.

    Você domina muito mais isto do que eu, sua vida foi debater assuntos econômicos, suas causas e efeitos. Não acredito que teremos uma inflação mais baixa enquanto a cultura da inflação ainda persistir na cabeça do brasileiro, todos os anos sindicatos tentam repor salários corroídos pela inflação, no mesmo período, a empresa eleva seus preços alegando aumento de custos. É um circulo vicioso! 

    Como o Diogo Costa questionou, também não acredito na descapitalização da Petrobras, mas, acredito na dificuldade aparente do setor alcooleiro. Também não acredito que a estratégia de não aumentar é em função de eleição, pois, teríamos aumentos significativos no ano passado se assim o fosse.

  16. ArthurTaguti

    3 de abril de 2014 5:43 pm

    A questão dos preços da

    A questão dos preços da Petrobras não remonta apenas ao ano corrente, 2014. Na verdade, o conjunto de políticas adotados na última década criou terreno para este cenário. Isto porque, não há dúvida alguma que o pessoal no poder hoje colocaria a Petrobras abaixo, se fosse para vencer uma eleição.

    Da mesma forma que FHC quebrou o país em 98, a descapitalização da nossa maior estatal seria algo como “dano colateral” para se manter no poder. É da natureza dos políticos isso, independe do grupo, coloração partidária ou ideologia.

    O que ocorre é que esta situação poderia ter sido evitada. A Petrobras precisa fazer essa manobra porque nosso país ainda não é auto-suficiente no que tange aos combustíveis. E, ao priorizar o transporte individual ao invés do coletivo, o período Lula só fez aumentar a dependência que o brasileiro comum possui com o preço da gasolina.

    Um modelo de desenvolvimento baseado no aumento do consumo teve ótimos resultados a curto prazo, mas faltou calcular, planejar, desenvolver soluções integradas para os problemas que surgiriam a médio e longo prazo. No caso do incremento do número de automóveis, o aumento no consumo de combustíveis, o congestionamento nas grandes cidades, e uma pressão maior na questão ambiental são consequências óbvias.

    Um desenvolvimento integrado deveria colocar a Petrobras no balaio, e prever meios para a estatal dar conta da demanda futura. Ao observar que gastou-se bilhões na compra de uma refinaria nos Estados Unidos, por exemplo, enquanto aqui no Brasil precisamos importar combustível, dá-se uma medida da falta de planejamento que vem de longe nesta área.

    Isto sem contar a ausência de uma visão macro mesmo nesta área de transportes. O brasileiro era muito mais feliz, quando observava as opções de transporte coletivo, no período pré-JK do que hoje.

    Se foi positivo para o desenvolvimento nacional a vinda das multinacionais automobilísticas, as grandes obras viárias, por outro lado a desativação de linhas ferroviárias de passageiros foi um desastre. Precisávamos (e ainda precisamos) de estadistas que quebrassem esta lógica, para colocar novamente o país nos trilhos (trocadilho infame).

    Precisamos não só de promessas faraônicas (vide Trem-Bala), mas trens de velocidade normal mesmo, interligando as capitais, as grandes cidades do interior, e malhas metroviárias imensas nas nossas principais metrópoles. Projeto este que uniria governos Federal, Estaduais e Municipais.

    O que Lula fez foi caminhar em direção contrária. A compra do carro próprio virou uma panaceia para a ascensão social, e sequer o impacto futuro sobre o consumo de combustíveis foi considerado. Tivemos um crescimento notável, as taxas de ocupação nesta indústria foram mantidas, mas hoje nossa normalidade macroeconômica fica na dependência de sangrar a nossa maior empresa estatal.

    O reajuste dos combustíveis, uma medida extremamente impopular, uma hora terá que acontecer. Deveria já ter ocorrido ano passado. Se ocorrer em novembro, ou em janeiro de 2015, o eleitor pode ficar com aquela sensação de ‘traído’ que, dentre outras razões, tornou FHC um dos Presidentes mais impopulares de nossa história.

    1. Diogo Costa

      3 de abril de 2014 6:51 pm

      Absoluta e rigorosamente nada a ver

      O Brasil tem um dos menores níveis de veículos por habitante entre as 20 maiores economias do globo terrestre. Para delírio de uns e desespero de outros, ainda há espaço para o aumento no número de automóveis por habitantes no Brasil, principalmente no Nordeste, no Norte e nas cidades médias do interior de todas as regiões. Ou será que no Japão, que tem transporte público de qualidade, as pessoas deixaram de comprar automóveis? É uma rotunda falácia dizer que o problema do Brasil seja o “acúmulo” de automóveis nas ruas. Nada a ver!

       

      O problema é a falta de investimentos em Mobilidade Urbana que o Brasil teve de suportar por quase 30 anos consecutivos. Bastou que as condições de vida melhorassem um pouco e que mais pessoas pudessem comprar um automóvel (que até bem pouco tempo era um luxo da classe média em Pindorama) para que estas carências fossem percebidas. A solução é investir em Mobilidade Urbana, como Dilma Rousseff está fazendo. Agora, pensar que os brasileiros comprarão menos automóveis é outra sonora e rematada bobagem, basta olhar os indíces dos outros países que compõe o G-20, por exemplo. E as falácias preconceituosas e vazias continuam…

       

      Somente no ano passado houveram 03 aumentos no preço do óleo diesel e 02 aumentos no preço da gasolina! O que o missivista quer? Quer que a Petrobrás aumente o valor dos combustíveis a cada 15 dias? A Petrobrás não está descapitalizada coisíssima nenhuma. Ela está com um percentual maior de dívidas, o que é absolutamente normal para uma empresa que irá investir mais de R$ 500 BILHÕES de reais entre 2013 e 2018, segundo o Plano Estratégico da própria empresa.

       

      Poucas pessoas se deram conta de que a Petrobrás demorou quase 60 anos para atingir a produção de 2.000.000 de barris de petróleo por dia. Pois bem, o Plano Estratégico da empresa prevê DOBRAR produção e o refino de petróleo até o ano de 2020! Chegaremos em 2020 com uma produção de aproximadamente 4.000.000 de barris diários de petróleo e com uma capacidade de refino próxima disso.

       

      Ou seja, a Petrobrás irá DOBRAR de tamanho até 2020. A Petrobrás irá DOBRAR a sua capacidade de produção e de refino, capacidade esta que a empresa demorou quase 60 anos para conquistar! Será que o ilustre missivista desconhece o fato de que a última refinaria construída no Brasil foi inaugurada ainda no tempo dos militares?

       

      Será que desconhece o fato de que em novembro deste ano será inaugurada (depois de mais de 30 anos sem nenhuma construção) a Refinaria de Abreu e Lima em Pernambuco? Será que desconhece o fato de que a Refinaria Comperj, no Rio de Janeiro, será inaugurada em 2016? Desconhece o fato de que as Refinarias Premium I e II, no Ceará e no Maranhão, agregarão mais de 900.000 barris diários na capacidade de refino da Petrobrás até 2020?

       

      Será que o missivista já ouviu falar nas Ferrovias Norte/Sul e na Transnordestina, que estão sendo feitas pelos governos de Lula e Dilma? O governo Lula, ao contrário do que o missivista diz, RETOMOU as obras nas ferrovias do Brasil depois de décadas! E Dilma está dando sequência nesta louvável medida.

       

      Por fim, o que está por trás dessa série de ataques infundados contra a Petrobrás é a questão do pré-sal. Os neoliberais querem destruir e enterrar de uma vez por todas o regime de partilha do pré-sal e retornar ao pérfido regime de concessão tucana. Eles não admitem que a Petrobrás tenha participação mínima garantida na exploração de TODOS os poços de petróleo do pré-sal.

       

      E admitem menos ainda o fato de Lula e Dilma terem criado a PPSA para gerir os contratos do pré-sal. A PPSA é uma empresa 100% estatal, tem direito de veto e voto de minerva em TODAS as decisões estratégicas do pré-sal, como o ritmo da produção e o valor da comercialização dos barris de petróleo, além de ser a OPERADORA ÚNICA DE TODOS os poços de petróleo do pré-sal. Esta é a disputa de fundo que os inocentes úteis ainda não perceberam…

      1. ArthurTaguti

        3 de abril de 2014 7:17 pm

        O problema não é ter mais ou

        O problema não é ter mais ou menos automóveis que outros países. Só sustentei a opinião que o poder público deveria priorizar o transporte coletivo ao individual.

        Uma matéria aqui mesmo no LNO atestou que o transporte no RJ e em SP no começo do século passado, com seu sistema de bondinhos interligados, era muito melhor e mais abrangente que o sistema de trens e metrôs hoje nestas duas grandes metrópoles.

        No Estado de SP, linhas ferroviárias de passageiros interligavam o Estado inteiro, o que foi completamente desarticulado nas últimas décadas (o beijo de morte foi dado por Mário Covas).

        De Lula a Dilma, pouco ou nada foi alterado no que se refere ao transporte de pessoas sobre trilhos. Por isto ponderei que, prioritário seria que todos os entes federativos, sob a liderança do governo federal, se mobilizassem para alterar este estado de coisas.

        O que vimos, porém, foi o contrário, com um “boom” no consumo do veículo individual, enquanto o transporte ferroviário de passageiros pouco ou nada avançou.

        Claro, é importante que a população consuma, inclusive carros, já que esta indústria é importante economicamente para o nosso país. Mas sabendo que o orçamento é limitado, creio que o mais correto seria primeiro concentrar forças no transporte coletivo, antes de incentivar esta questão toda do veículo próprio.

        A outra crítica que fiz foi o modus operandi desta política. Lula e Dilma lucraram com o impacto positivo de fomentar a compra de carros (acréscimo de alguns p.p’s no PIB, manutenção do emprego na indústria, sensação de bem-estar dos que adquiriram o primeiro veículo), mas parece terem planejado pouco os efeitos a médio e longo prazo.

        Caso a área econômica do governo projetasse um aumento no número de veículos, os impactos no consumo de combustível também teriam que ser calculados. E parece que isto não foi feito da forma correta, já que hoje ainda precisamos importar combustíveis e adotar a política de represamento de preços que leva ao endividamento da Petrobras.

    2. Filipe Rodrigues

      3 de abril de 2014 10:54 pm

      Não há necessidade de aumento

      Não há necessidade de aumento dos combústiveis, pois além da PETROBRÁS ter lucro (desmente a falta de descapitalização da empresa), as novas refinarias entrarão em operação (o que não foi feito nos últimos 30 anos) substituindo boa parte da gasolina importada, por quê será que esses neoliberais odeiam tanto refinarias?

      A maior crítica que faço ao transporte individual é pelos carros que circulam nas nossas cidades serem na maioria das multinacionais, além de engarrafar nosso trânsito o governo acaba incentivando nossa espoliação (veículos muito caros e seus fabricantes mandam muito dinheiro para fora do país).

      Concordo que houve pouca inciativa para se adotar um modelo de desenvolvimento mais sustentável, mas o que o governo poderia fazer se a gestão do transporte coletivo é toda descentralizada? Na época que estourou a crise (2008/09) os maiores estados e cidades do país todos estavam sendo administrados por políticos conservadores.

      Sair da crise construindo ciclovias, corredores, metrô e reduzindo IPI (ônibus, trens, bicicletas) funcionaria se existisse uma PETROBRÁS da “mobilidade urbana”.

  17. Zeus

    4 de abril de 2014 12:12 am

    Meio sem jeito.

    Bem, já que o editor do blog rejeitou meu primeiro comentário (direito dele), vamos tentar adequar a forma, dissecando o que foi dito por ele. Antes, porém, é bom dizer:

    – A mera comparação do Governo Dilma com as manobras acontecidas na ditadura e no período FHC, que pdoeríamos tomar como fraudes eleitorais e de popularidade, com as tentativas do governo Dilma de controlar os efeitos da pior crise desde 1929, é uma manipulação grosseira.

    – Considerar, ao mesmo tempo, que a tentativa de dotar o país de uma empresa de petróleo capaz de dar conta de suas demandas estratégicas, mantendo sua posição de não torná-la “apenas” um empresa, sendo que sua política de preços deverá estar atrelada ao interesse nacional, sendo o modal rodoviário o que ele é para o país, e dizer que isto é “jeitinho” é uma quase-obscenidade.

    É preciso dizer também: manter o preço do combustível, ainda que com certo sacrifício do caixa, e muito mais sacrifício dos lucros dos rentistas que parasitam os esforços estatais (e que forçam os “analistas econômicos” a dizerem o que lhes interessa), é uma escolha política SIM, nunca um jeitinho.

    A Petrobras é empresa controlada pelo governo, e sendo o governo presidencialista, é a presidenta que decide o que fazer com ela, devendo ser julgada nas urnas pela sua gestão.

    Parece que o modelo adotado antes (FHC) não agradou muito.

     

    Agora vamos a partes do texto, à moda de Jack, o estripador.

    “(…)

    O governo Dilma Rousseff vem adiando os reajustes de combustíveis descapitalizando a Petrobras e lançando o setor sucroalcooleiro em uma grave crise; não mexeu no câmbio, ampliando o déficit comercial brasileiro; para fechar as contas, aumentou a taxa Selic, pressionando as contas fiscais.

    Os abusos em épocas de bonança”

    Comentário jeitoso: Do jeito colocado pelo autor, a presidenta tem o interesse direto no desmonte da Petrobras. Desconhece ele a legitimidade de um governo de não ceder a chantagem da banca, dando-lhe o motivo para alta de preços em cadeia, motivando novas altas de juros, e claro, na tentativa de terrorismo econômico que sirva de plataforma para a derrubada eleitoral do governo. Aliás, o debate econômico (esta expressão parece piada de mal gosto) tem sido justamente pautado pela necessidade de dizer que há uma inflação descontrolada ou, como agora nos diz o autor: represada.

    Wishfull thinking, mas que faz estragos.

    As palavras do autor colocam esta auto-defesa política do governo como uma fraude do tipo que descreveu em outros governos.

    Está errado: A empresa tem ações na Bolsa, e sua governança é sujeita aos questionamentos e relatórios aos seus acionistas. Todos sabem que desde sua criação a empresa foi a financiadora dos nossos déficits da conta-petróleo, e sempre subvencionou os preços dos combustíveis, como sempre faz com diesel.

    O setor sucroalcooleiro está em crise por suas próprias deficiências, e pela quase impossibilidade de obter-se rentabilidade permanente em escala gerando energia (combustível) pelo cultivo de biomassa.

    Qualquer pessoa com o mínimo de conhecimento do setor (não é o meu caso) sabe que a manutenção de canaviais em expansão é inviável, já que as terras perdem produtividade rapidamente, apesar das correções, que por isto mesmo elevam o custo das lavouras.

    O setor está caindo aos pedaços porque resistiu e demorou a sair do século XVI, quando contava com mão-de-obra escrava (e ainda conta), e porque o custo de cada cavalo de força (HP) gerado é maior que o do petróleo.

    Por derradeiro, o setor carece de definição, pois as usinas ora querem produzir açúcar, ora querem ser produtoras de combustível, por motivo conhecido: querem o bônus de todos os dois lados, e jogar o ônus  para o governo (viúva). O autor sabe (deve ter esquecido) que esta indefinição não cabe no ramo de geração de energia.

    (….)

    “Essa mesma abundância cambial serviu de álibi para Gustavo Franco quebrar o país em 1994 e Lula quase quebrar em 2008 – só não quebrou por conta da crise global que mudou as condições internacionais e internas da economia.”

    Comentário jeitoso: Nova categoria de análise econômica ou econometria: “quase quebrou”. O que raios é quase quebrou? Pelo que aprendi, assistindo as idas e vindas do capitalismo, o próprio sistema de controle da produção vive a base do quase-quebrou todo o tempo.

    Do mesmo modo, a solidez fiscal levou o governo Dilma a um festival de isenções fiscais sem nenhum planejamento.

    Em todos esses momentos – FHC, Lula e Dilma – taxas de juros extraordinariamente elevadas para atrair capitais especulativos e adiar o ajuste cambial.

    Comentário jeitoso: Momento raro. O autor do texto conseguir cometer tantos erros em frase tão curta. Ele sabe que Lula recebeu, em 2002, terreno minado, com chances reduzidíssimas de manobrar os juros escorchantes que recebera de FHC, e estas chances ficaram ainda menores com a farsa da ação 470, que se arrastou até 2010. Mas ainda assim, se a natureza dos capitais recebidos por Lula (e Dilma) fossem meramente especulativos, o país tinha quebrado, não quase, mas de FATO, em 2008, e agora em 2012/2013 (repique da crise).

    Um comparativo honesto entre a média dos juros dos governos FHC, Lula e Dilma mostrará uma diferença gigantesca.

    A retomada dos juros em Dilma é recente, e não pode ser vinculada a sua política de isenções, que foi muito mais planejada que a de Lula, como no regime automotivo, por exemplo, que subordinou a redução do tributo a produção nacional (60 ou 70%) das peças fornecidas as montadoras.

    As manobras para fechar as contas

    Em 1982, quando o país quebrou, o regime militar fez pior: arrebentou com as contas públicas, esvaziou os fundos constitucionais, obrigou as estatais a se endividarem pesadamente em dólares, praticamente quebrando o enorme acervo de boas estatais criado na década anterior.

    Em 2012, em vez de assumir a dificuldade em manter as metas de superávit fiscal, por conta da perda de dinamismo da economia, a Secretaria de Tesouro adotou uma série de práticas não convencionais para amenizar a redução, embora sem as conseqüências calamitosas do período militar.

    Conclusão: o problema não é de ditadura ou de democracia. É de jeitinho.

    Conclusão jeitosa: Novamente a maldade de passar a régua nas políticas dos governos (ditadura, FHC e do PT), como se fossem movidos pela mesma “malandragem”, embora o autor reconheça efeitos diferentes, o que torna o texto ainda mais espantoso.

    O autor parece ter se esquecido que as metas de superávit não se destinam a equilibrar contas dos governos, pelo menos não é esta a intenção real de quem defende este artifício. Elas (as metas) existem para alimentar a fome insaciável de juros da banca, que para tanto nos convence todos os dias que os juros são bons remédios para a inflação, mas ao mesmo tempo advoga que a Petrobras “meta o pé na jaca” nos combustíveis, claro:

    Assim se aumentamos o preço da gasolina, aumentamos o lucro dos parasitas-rentistas, e de quebra adiconamos alguns décimos a inflação (com o repique nos preços), mas que serão tratados como surto hiperinflacionário, o que pedirá mais e mais juros, e mais arrocho nas contas do governo. 

    Lógico que sabemos todos de onde sairá o dinheiro: dos investimentos, saúde, educação, segurança, habitação e outras políticas sociais exitosas.

    Eis o paradoxo que os economistas não respondem, como economizar para gastar mais com juros, e como pagar mais juros aumentando a economia (superávit)?.

    E neste cenário caótico, a popularidade do governo vai para o ralo.

    Não seria o paraíso? 

    Mas tem mais paraíso: Mais superávit cevando juros altos, apreciação do câmbio e mais déficit nas transações correntes, e morte da indústria nacional.

    É isto que o autor defendeu no seu texto, e chamou a política do governo de tentar equilibrar os pratos na ponta da varete (como aqueles malabaristas antigos) de jeitinho.

    Pois é, talvez seja, mas este seria um jeitinho bem melhor que o não-jeitinho do autor do texto.

  18. Clever Mendes de Oliveira

    4 de abril de 2014 12:25 am

    Expulso do post o assunto maior: a política para os combustíveis

     

    Luis Nassif,

    O cerne deste seu post “O Jeitinho nos anos eleitorais” de quinta-feira, 03/04/2014 às 06:00 e a frase que transcrevo a seguir:

    “O governo Dilma Rousseff vem adiando os reajustes de combustíveis descapitalizando a Petrobras e lançando o setor sucroalcooleiro em uma grave crise; não mexeu no câmbio, ampliando o déficit comercial brasileiro; para fechar as contas, aumentou a taxa Selic, pressionando as contas fiscais”.

    É um tema e tanto. Deve o governo fomentar o mercado interno em época de marasmo internacional ou insistir com um câmbio valorizado? Se quiser fomentar o mercado interno ele deve incentivar o mercado automobilístico ou o setor estaria saturado?

    A não elevação dos preços de combustíveis representa um prejuízo muito grande pelo lado de receita uma vez que se trata de setor altamente tributado? Elevar os preços de combustíveis reduz a compra de veículos? Elevar os preços de combustíveis que tem um peso direto alto na inflação e também repercute nos custos e tem assim efeitos indiretos na inflação em uma economia bastante indexada não prejudica o combate a inflação via juros?

    E o que é mais importante perguntar neste momento de questionamento sobre a Petrobras: deve o governo aumentar os preços da gasolina e permitir que a Petrobras tenha altos ganhos agora e mais na frente se for o caso reduzir os preços mesmo sabendo como foi no caso da energia elétrica que os preços são rígidos para baixo e eles não caem quando o custo cai ou deve o governo esperar que o a Petrobras seja autossuficiente na produção e no refino de petróleo quando mesmo com um preço mais baixo a Petrobras pode vir a ter lucros elevados?

    Em lugar destas discussões você trouxe uma série de dados nem todos factuais e fez uma espécie de divisionismo do tema. O post vai suscitar muitos questionamentos, o que provavelmente você considera como característica de um polemista.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 03/04/2014

    1. Clever Mendes de Oliveira

      8 de abril de 2014 10:31 pm

      Para ter consistência, haveria muito a se corrigir neste post

       

      Luis Nassif,

      No final do meu comentário acima de quinta-feira, 03/04/2014 às 21:25, eu digo que você trouxe para este post “O jeitinho nos anos eleitorais” uma série de dados nem todos factuais. Disse algo semelhante em comentário para Igor Cornelsen que enviei quinta-feira, 03/04/2014 às 14:16, junto ao post “Parlamentarismo poderia dar um jeito no jeitinho” de quinta-feira, 03/04/2014 às 11:04, aqui no seu blog e no qual consta que teria originado de comentário de Igor Cornelsen aqui neste post “O jeitinho nos anos eleitorais”. Não vi o comentário de Igor Cornelsen aqui neste post “O jeitinho nos anos eleitorais”, mas lá eu considerei que o comentário dele aproveitava de dados não muitos precisos (os seus) para montar uma história (A resolução dos problemas via parlamentarismo) para mim bastante inconsistente. O endereço do post “Parlamentarismo poderia dar um jeito no jeitinho” é:

      https://jornalggn.com.br/noticia/parlamentarismo-poderia-dar-um-jeito-no-jeitinho

      Pensei em voltar aqui para mostrar porque não considero os dados que você apresenta como suficientemente factuais. Relendo os comentários agora deste post “O jeitinho nos anos eleitorais”, agora com 52 comentários, pude ver que tanto Diogo Costa em comentário que ele enviou quinta-feira, 03/04/2014 às 09:19, como Rogerio Rais em comentário que ele enviou quinta-feira, 03/04/2014 às 10:44, já haviam feito crítica semelhante ao que eu tinha de fazer, sendo que Diogo Costa trouxe dados e Rogerio Rais argumenta em comentário junto ao de Diogo Costa que os dados que Diogo Costa apresentara refuta bastante o seu texto neste post “O jeitinho nos anos eleitorais”.

      Há respostas suas à critica de Diogo Costa e com certa validade ao lembrar que Diogo Costa traz dados absolutos esquecendo de trazer dados relativos. De certo modo, uma crítica que se poderia fazer aos seus dados é que muitas vezes quando se deveria trazer os dados relativos você só deixa implícito os dados absolutos.

      Como o post tinha mais o sentido de criticar a política de combustíveis de Dilma Rousseff e você tentou passar uma ourela de neutralidade, você precisou fazer um rodeio para poder criticar outros governantes por praticarem atos semelhantes independentemente da proporção da gravidade ou tamanho.

      Para iniciar o rodeiro que permitiria colocar todos os governantes no mesmo balaio você, já de início traz uma frase que prenuncia a confusão que você vai armar. Diz você:

      “A ideia de que, por ser menos exposto a pressões políticas, os regimes ditatoriais são mais eficientes, é desmentida pelos seguintes modelos de atuação”.

      O rodeio na frase é só a parte inicial que pode ser resumida assim:

      “Há a idéia de que os regimes ditatoriais são mais eficientes”.

      Bem esta idéia precisaria ser bem destrinchada. São mais eficientes do que o que? Para mim, supondo que o regime político chinês seja uma ditadura, o modelo chinês permite maior crescimento econômico do que os sistemas democráticos ocidentais. Para minha zona de conforto, eu prefiro a democracia, mas considero que dada a necessidade de investimentos massivos por parte do Estado para atiçar o ânimo capitalista em busca do lucro, um modelo de maior estabilidade no aparato estatal de coordenação e planejamento da economia permite índices maiores de crescimento econômico. Se isto for considerado como sendo mais eficiente então eu concordo com sua frase.

      Assim, definido qual o sentido dado para a expressão “mais eficientes”, eu avaliaria que dizer que os regimes ditatoriais são mais eficientes “por serem menos exposto a pressões políticas” consiste apenas de mais uma justificativa para explicar a maior eficiência da ditadura. Explicação, entretanto, que precisaria de ser mais bem destrinchada, esclarecendo o que se entende por pressões políticas. Afinal, pressões políticas podem referir-se a pressões de deputados em ditaduras onde eles existem, a pressões do setor financeiro, do setor industrial, do setor agropecuário, do setor de comércio, dos sindicalistas, dos profissionais liberais ou da população em geral. De todo modo, seja lá o que se entende por pressões políticas, ela deve ser vista apenas como uma explicação a mais que justificaria dizer que as ditaduras seriam mais eficientes, por não se sujeitarem às pressões políticas. E mesmo que bem delimitado nos seus termos trata-se de explicação questionável.

      Assim discordar dessa afirmativa de que as ditaduras são mais eficientes (Seja lá o que isto quer dizer) por que se sujeitam menos às pressões políticas, no tocante a análise das pressões políticas, significa dizer que se acredita que na democracia e na ditadura as pressões políticas são iguais. Creio que isto é pouco provável. Nem mesmo se reduzir as pressões políticas às pressões dos militares.

      De todo modo o que vem após o primeiro trecho da sua frase inicial é que você iria apresentar modelo de atuação que desmentiria a afirmação anterior. Desmentem? Não vi uma relação entre o que você apresenta como modelos de atuação e o desmentido da sua idéia inicial.

      E então você vai discorrer sobre uma serie do que você chamou modelos de atuação. Para isto você dá subtítulos a trechos do seu post, os quais em número de quatro estão relacionados a seguir:

      1) Adiamento de problemas relevantes;

      2) A inflação represada estourou no ano seguinte;

      3) Os abusos em épocas de bonança;

      4) As manobras para fechar as contas.

      Para falar sobre “Adiamento de problemas relevantes” você inicia mencionado o ano de 1974. O ano a que você se referia era o de 1973, ano em que Antônio Delfim Netto foi ministro da Fazenda durante todo o ano. Em 1974 ele saiu em 15 de março junto como Emílio Garrastazu Médici. No texto “A retomada da inflação no Brasil: 1974 – 1986” de Werner Baer, na página 2 do texto em PDF na tabela 1, eu tenho os seguintes dados para a inflação pelo IGP: 1968 – 25,5; 1969 – 21,4; 1970 – 19,8; 1971 – 18,7; 1972 – 16,8; 1973 – 16,2; 1974 – 33,8; 1975 – 30,1; 1976 – 48,2; 1977 – 38,6; 1978 – 40,5; 1979 – 76,8; 1980 – 110,2; 1981 – 95,2; 1982 – 99,7; 1983 – 211,0; 1984 – 223,8 e 1985 – 235,1. O artigo “A retomada da inflação no Brasil: 1974 – 1986” pode ser visto no seguinte endereço:

      http://www.rep.org.br/PDF/25-3.PDF

      Os índices inflacionários mostrados não são o do IBGE, mas os da Fundação Getúlio Vargas. O que se sabe é que em 1973, Antonio Delfim Netto manuseou bastante a taxa de inflação. A inflação que fora informada à época era de 13%. Depois passaram para algo em torno de 15%. Não há dúvida que Antonio Delfim Netto manipulou os dados de inflação em 1973 e não em 1974, mas nada que representasse valores muito grandes. Os índices de preços do IGP levam em conta muito o atacado e é muito difícil a manipulação desses dados. E os índices de preços para o consumidor desde aquela época era formado muito nos supermercados de tal modo que a manipulação de Antonio Delfim Netto tinha efeito muito menor do que o seu texto deu a entender.

      E dizer que a inflação fora represada em 1973 (E não em 1974 como você escreve) para se elevar no ano seguinte, isto é, em 1974, deve ser visto com cautela. Em 1973 ocorreu o segundo aumento brusco do preço do petróleo, mas foi um aumento no fim do ano. O repasse naturalmente seria feito no ano seguinte.

      “A inflação represada estourou no ano seguinte” é o segundo subtítulo. O primeiro mote seu é o caráter populista da política salarial do governo de João Batista Figueiredo. A política salarial do governo de reajuste semestral é a Lei nº 6.708 de 30 de outubro de 1979. Era uma política que atendia as pressões trabalhistas. É claro que ela era inflacionária. A inflação que em 1979 fora de cerca de 70% saltara nos três anos seguintes para o patamar de 100% e só subindo para o novo patamar de 220% ao ano quando houve a maxi desvalorização de fevereiro de 1983. E Mario Henrique Simonsen saiu do Ministério do Planejamento em 10/08/1979, logo após Paul Volcker ter assumido a direção do FED nos Estados Unidos, e mais em função da chegada de Paul Volcker, tendo em vista que Mario Henrique Simonsen queria que se fizesse um controle maior dos gastos públicos para ter condições de enfrentar a nova política de juros alto que ele antevia que Paul Volcker iria adotar.

      Fernando Henrique Cardoso via G. Henrique de Barroso F. segurou o câmbio desde o plano real em julho de 1994. Agora se usasse o mecanismo de G. Henrique de Barroso F. de desvalorizar paulatinamente o real talvez hoje se tivesse com um câmbio melhor do que o da desvalorização de 1999, uma vez que a desvalorização do real em 1999 veio acompanhada do Regime de Metas de Inflação e do câmbio flutuante.

      Em uma frase que eu considerei o cerne do seu post e que afirmei que bem merecia um maior detalhamento, você critica várias políticas do governo da presidenta Dilma Rousseff, sem avaliar as alternativas, você diz que o governo Dilma Rousseff, para fechar as contas, aumentou a taxa Selic. Só que não diz a que contas você se refere. Provavelmente trata do Balanço de Pagamentos, mas fica uma redação frouxa que a tudo serve.

      Há então o terceiro subtítulo “Os abusos em épocas de bonança”. Para continuar comentando as informações não tanto factuais que você repassou neste post “O jeitinho nos anos eleitorais” eu transcrevo mais um trecho do seu texto. Diz você:

      “No período 1969-1974, em pleno apogeu do “milagre” foi cometida toda sorte de estripulias fiscais com fundos regionais, com benefícios fiscais, com obras faraônicas, descontrole no mercado de crédito”.

      Políticas de incentivos fiscais para desenvolver um país desigual espacialmente só podem ser vistas como estripulias fiscais por quem defende interesses contrariados com essas políticas. No caso os interesses mais prejudicados foram os provenientes das áreas que já dispunham de vantagens competitivas e que não precisavam destes incentivos para investir.

      E há também que considerar os dados. No governo de Emílio Garrastazu Médici com Antonio Delfim Netto no comando da economia houve aumento da carga tributária, ainda que tenha sido pequeno e eu não tenha como precisar os dados. No governo de Ernesto Beckmann Geisel a carga tributária saiu de 24% e chegou a 27% do PIB. E finalmente no governo de João Batista Figueiredo a carga tributária caiu de 275 para 24$ do PIB. Então se fosse para falar em estripulias fiscais, um governo que poderia mesmo ser acusado seria o de José Sarney quando a carga tributária caiu de 24% para 22% do PIB.

      Nele você acusa Ernesto Beckmann Geisel ter comandado um brutal processo de endividamento. Bem, primeiro tem o problema das datas. Como você diz que Antonio Delfim Netto manipulou a inflação em 1974, ao acusar o governo de Ernesto Beckmann Geisel de comandar um brutal processo de endividamento, você teve que transferir o governo dele para 1975. E aqui vale lembrar que a transferência para o ano de 1974 da manipulação dos índices de inflação feito por Antonio Delfim Netto em 1973, ainda no governo de Emílio Garrastazu Médici, facilitou associar a manipulação com as eleições que ocorreram em 1974, embora não houvesse naquela época uma derrota histórica da Arena. A derrota maior fora em 1978.

      O certo é que Ernesto Beckmann Geisel assumiu a presidência da República, ou o comando do golpe de 1964, em 15 de março de 1974. E o brutal processo de endividamento que você o acusa de comandar serviu apenas para amparar Antonio Delfim Netto na entrevista que ele deu para a Folha de S. Paulo e que aqui foi transcrita no post “Para Delfim, resistência de Geisel levou economia à falência nos anos 70” de sábado, 05/04/2014 às 12:59, por sugestão de Gilberto Cruvinel. A entrevista, com o título de “Quem quebrou o Brasil foi o Geisel, afirma Delfim”, fora concedida a Erica Fraga e Ricardo Balthazar. O endereço do post “Para Delfim, resistência de Geisel levou economia à falência nos anos 70” é:

      https://jornalggn.com.br/noticia/para-delfim-resistencia-de-geisel-levou-economia-a-falencia-nos-anos-70

      Sobre esta acusação de Antonio Delfim Netto, responsabilizando o Ernesto Beckmann Geisel pela quebra do Brasil, e que você ancorou ao dizer que Ernesto Beckmann Geisel comandou um brutal processo de endividamento, é preciso ver os dados fazendo uma comparação entre o governo de Ernesto Beckmann Geisel e o governo anterior de Emílio Garrastazu Médici. Sobre o que dizem os dados a respeito do endividamento externo brasileiro no período, eu retiro alguns parágrafos de comentário que enviei segunda-feira, 07/04/2014 às 21:46, para o post “Para Delfim, resistência de Geisel levou economia à falência nos anos 70”. Disse eu lá:

      – – – – – – – – – – – – –

      “Bem, e o que dizem os dados? Há um quadro bem elucidativo sobre este assunto e pode ser visto na página 19, na tabela II intitulada “Tabela II – Alguns indicadores sobre a dívida externa” no artigo “Endividamento externo no Brasil: origens e consequências (1964-2006)” de autoria de Creise Wickert e que pode ser visto no seguinte endereço:

      http://tcc.bu.ufsc.br/Economia293379

      Os dados lá são os seguintes. Em 1968, a dívida total menos as reservas era de 3,9 bilhões. Em 1969 era de 4,0 bilhões. Em 1970 era de 5,0 bilhões. Em 1971 era de 6,6 bilhões. Em 1972 era de 7,3 bilhões. Em 1973 era de 8,5 bilhões. Em 1974, era de 14,7 bilhões. Em 1975 era de 24,1 bilhões. Em 1976, era de 25,6 bilhões. Em 1977 era de 30,8 bilhões. Em 1978, era de 40,3 bilhões. E utilizando dados da tabela IV intitulada “Tabela IV – Alguns indicadores sobre a dívida externa”, tem-se o seguinte: em 1979 era de 46,1 bilhões e em 1980, era de 57,4 bilhões.

      A relação de endividamento no período de Emílio Garrastazu Médici de 1970 a 1974 foi de 2,9%, saindo de um endividamento de 5,0 bilhões e indo para um endividamento de 14,7 bilhões. Já considerando somente 4 anos de governo de Ernesto Beckmann Geisel o endividamento de 1974 a 1978 deveria passar de 14,7 para 43,2, portanto, maior do que a dívida de 40,3 bilhões de dólares que consta da tabela para 1978.

      – – – – – – – – – – – – –

      Pelos dados verifica-se que o crescimento do endividamento externo é mais favorável ao governo de Ernesto Beckmann Geisel do que ao governo de Emílio Garrastazu Médici ao qual Antonio Delfim Netto serviu. E houve fraqueza também no questionamento feito a Antonio Delfim Netto. É de se questionar, por exemplo, lá na entrevista “Quem quebrou o Brasil foi o Geisel, afirma Delfim”, concedida por Antonio Delfim Netto ao jornal Folha de S. Paulo, a seguinte passagem em uma pergunta feita a Antonio Delfim Netto:

      “Há críticas de que quando o senhor deixou o governo Costa e Silva já se acumulavam desequilíbrios, como pressões inflacionárias. Quais foram os fatores que levaram o país a quebrar após os choques do petróleo?”

      Bem, a história toda diz respeito a inflação no governo de Emílio Garrastazu Médici no ano de 1973. Artur da Costa e Silva ficara no governo de 15 de março de 1967 a 31 de agosto de 1969 (quando sofrera o derrame) e Antonio Delfim Netto continuou no governo.

      Você ainda equipara o governo de Ernesto Beckham Geisel que comandou o brutal processo de endividamento, em época de dólar fácil pela presença de petrodólares com o período de Gustavo Franco em 1994 e com o período de Lula antes da crise de 2008. E na referência ao período de Lula você ainda acrescenta a seguinte informação: “só não quebrou por conta da crise global que mudou as condições internacionais e internas da economia”.

      Uma mistura desarrazoada que compara uma época em que a economia brasileira sem produção de petróleo quase quebrou com o aumento do petróleo que se dera em 1973, com a política de valorização da moeda em 1994, associada a um plano que fora feito para acabar com a inflação de uma vez em época de eleição de modo a assegurar a eleição de um candidato que nunca houvera sido presidente de um grêmio recreativo na juventude. E mais, põe na mesma mistura a política de valorização da moeda em 2008 associada à taxa elevada de crescimento econômico, juros internacionais baixos e preços de commodities elevados que permitiram o país fazer reservas cambiais como nunca fizera antes e como poucos no mundo fizeram.

      É bom esclarecer que se os dólares estavam fáceis em 1993, já em 1994, com o início da elevação da taxa de juros pelo FED que viera para evitar repercussões do aumento da base monetária que o Banco Central Americano fizera no final da década de 80 e início da década de 90 para recuperar a economia americana, eles começaram a escassear. No final de 1964, o México pediu arrego. Em 1995, ainda que de modo mais equilibrado do que o México, foi a vez do Chile, em 1997, foram os Tigres Asiáticos e em 1998, a Rússia. Enfim, em 2008 não havia nenhuma previsão de quebra do Brasil.

      A crítica de que a política fiscal do governo Dilma Rousseff teria sido sem planejamento é a crítica retórica que só pode ser contestada por frase também retórica afirmando exatamente o contrário. Pode-se acusar de se ter feitos cálculos mal feitos se os valores previstos não se confirmaram, mas alegar falta de planejamento quando os incentivos foram inseridos em um tanto de políticas que requerem um estudo mais elaborado não aproxima da realidade que ocorreu.

      E continua você equiparando FHC, Lula e Dilma ao dizer que no período deles houve “taxas de juros extraordinariamente elevadas para atrair capitais especulativos e adiar o ajuste cambial”. Ora, em 1998, o crescimento da economia foi quase nulo, a taxa de inflação pelo IGP também foi próxima de zero e os juros para segurar o capital especulativo chegaram a 40%. Ali não há dúvida que houve necessidade de elevar os juros para enfrentar o ataque especulativo. Em 1999, com a desvalorização já não havia necessidade de elevar os juros para atrair capital especulativo. E os juros foram a 45% para evitar que a desvalorização econômica tivesse efeitos inflacionários. Já na véspera da crise de 2008 com Lula no governo, os juros foram elevados para evitar a inflação, dada a alta taxa de crescimento do PIB. E agora o juro está aumentando porque o governo não soube equacionar a contento o problema inflacionário.

      É claro que no início deste ano, período em que houve um temor de valorização do dólar diante da expectativa de se terminar com o “Quantitative Easing” em operação pelo FED e na sequência do aumento da taxa de juros americana, a taxa mais alta da Selic serviu como anteparo à desvalorização do real puxado pela fuga de capital especulativo. Ainda assim, a taxa de juro está alta para combater a inflação. A razão de se elevar o juro para combater a inflação é exatamente para atender as pressões políticas da população. Pressões que se realizam tanto em países submetidos à ditadura como em países democráticos.

      É verdade que em 1974, 1979, 1982, 1994, 1998 e em 2014 nós deveríamos fazer uma desvalorização da moeda. Não o fizemos em 1974. Era um período de ditadura, mas mesmo nas ditaduras há pressões populares. Penso que Ernesto Beckmann Geisel não fez a desvalorização com o temor da pressão popular que viria com o aumento da inflação. Ainda assim no período foi feito um esforço maciço de desenvolvimento econômico que Antônio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza avaliaram positivamente no livro “Economia Brasileira em Marcha Forçada”.

      Em 1979, com a chegada de Paul Volcker no comando do FED americano seria a hora de realizar a maxidesvalorização, pois com o previsível aumento dos juros americano os preços das commodities iriam despencar. Mario Henrique Simonsen quis fazer o ajuste. Antonio Delfim Netto preferiu tocar o barco. Aquele foi um período tenebroso. A quem culpar? É um período indefensável, e que vai de agosto de 1979 com a chegada de Paul Volcker na presidência do FED, a agosto de 1982, com a crise do México, mas a solução não era tão visível. No Brasil, o adiamento da desvalorização da moeda só pode ser considerado de agosto de 1982 a fevereiro de 1983, quando houve de fato a desvalorização.

      E o último subtítulo diz respeito ao que você chamou de “As manobras para fechar as contas”. Nele você destaca os anos de 1982 e o ano de 2012. Já comentei sobre o ano de 1982. Você faz mais um enfoque com um viés que precisa ser criticado. Transcrevo a seguir a sua abordagem:

      “Em 1982, quando o país quebrou, o regime militar fez pior: arrebentou com as contas públicas, esvaziou os fundos constitucionais, obrigou as estatais a se endividarem pesadamente em dólares, praticamente quebrando o enorme acervo de boas estatais criado na década anterior”.

      É verdade que o governo fez tudo isso e não só após a quebra do México em agosto de 1982, pois nos anos seguintes também foi resolvendo os problemas internos de caixa com o capital das grandes estatais. Em 1982, esta política de usar o capital dos fundos de pensão e das grandes estatais era praticamente sem alternativa. Nos anos que se seguiram foi um tanto pela adoção de má política fiscal. É bom que se diga que a política de 1982 foi por conta do governo brasileiro. A política adotada após fevereiro de 1983 foi por conta do modelo que o FMI nos impingiu. Se bem que a redução da carga tributária que ocorreu no período não foi imposição do FMI.

      E você salta de 1982 para 2012. Todo o salto só serve para equiparar 1982 com 2012, ainda que você mesmo faça a ressalva que o que ocorreu em 2012 teve consequências menos calamitosas. E o que ocorreu em 2012 que merecesse uma comparação com 1982? Nas suas palavras:

      “a Secretaria de Tesouro adotou uma série de práticas não convencionais para amenizar a redução” (da receita).

      E imaginar que este texto foi assim também para a Carta Capital. Talvez para ficar bem na Carta Capital você tem praticado a omissão. Não apareceram neste seu post “O jeitinho nos anos eleitorais”, o Plano Cruzado I (que destruiu toda a recuperação econômica que a desvalorização de 1983 nos proporcionou) e o Plano Cruzado II (Que foi lançado logo após a eleição de 1986), o Plano Real (Que nos legou uma dívida pública de curto prazo que impede qualquer tentativa de redução mais substanciosa da inflação) e o esforço concentrado na economia em 2009 para forçar índices elevados de crescimento econômico que dessem mais tranquilidade à possibilidade de eleição da candidata Dilma Rousseff.

      E que se ressalte que o Plano Cruzado I permitiu que nós tivéssemos uma das mais modernas e liberais constituição do século XX e o Plano Real permitiu que o cetro presidencial fique equilibrando entre o PSDB e o PT não permitindo que nenhum aventureiro de alma e espírito desconhecido lance mão.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 08/04/2014

  19. Franklin Caetano de Freitas

    4 de abril de 2014 12:57 am

    Um governo KamiKaze.

    Precisamos de um governo kamikaze. Só assim pra resolver o Brasil (é o que deveria se fazer). Vamos ao mundo real se o governo desvalorizar o real, abaixar os juros, vai ter inflação, é óbvio. O povo vai perder poder de compra. A Dilma com certeza perde a eleição e provavelmente o Aécio assume o poder e fará um governo possivelmente melhor, já com a casa arrumada. Quero ver quem faz uma coisa dessas. 

    PS: Nassif no caso específico da Petrobrás, você deveria considerar os investimentos da estatal e a especulação que a empresa vem sofrendo. É importante também dar um crédito pra Dilma, ela tentou baixar os juros, mas os bancos através da mídia fizeram campanha pesada pela volta dos juros altos. Lembram da Ana Maria Braga com um colar de tomate.

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