Jornal GGN – Em decisão já esperada pelo mercado, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) aumentou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano. A decisão foi unanime e sem viés – ou seja, não existe possibilidade de um novo ajuste até a próxima reunião do colegiado.
Segundo nota divulgada pelo Banco Central após a decisão, “O Comitê irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”. Votaram por essa decisão Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques.
Em entrevista ao jornal GGN, o economista-chefe do Banco Santander no Brasil, Mauricio Molan, explica que a decisão veio dentro do esperado, mas que houve uma mudança bastante significativa no comunicado ao indicar que o ajuste ainda não terminou.
“Na nossa interpretação, o Banco Central passou a sinalização de que não se comprometeria com uma parada dos juros, como se cogitava. (O comunicado) procurou sinalizar que não estava se comprometendo com uma parada, ao passo que essa decisão me parece ter um viés mais voltado com a intenção de interromper o aperto nas próximas reuniões se os dados permitirem”, diz Molan. “O BC acredita que dados melhores de inflação podem ser divulgados, o que permitirá interromper a alta dos juros. As expectativas e projeções, e principalmente os dados de inflação que vão sair, vão provavelmente marcar uma conjuntura bastante perigosa em termos de inflação, o que pode levar a um novo aumento dos juros em 0,25% na próxima reunião”.
Desta forma, não está errado dizer que a autoridade monetária passou a ficar mais dependente dos dados a serem divulgados para definir os próximos passos para a trajetória dos juros. “A gente acredita que o Banco Central não necessariamente vai entrar em trajetória de alta para interromper o ciclo de aperto dos juros, pois está colocando muita ênfase nos efeitos defasados e cumulativos. Se (o BC) perceber que a atividade está enfraquecida, vai perceber que os efeitos estão ocorrendo pelo lado da atividade econômica, e vão bater na inflação. Se os dados começarem a apontar fragilidade, isso pode contribuir para a redução do ritmo de aperto. Os últimos dados tem vindo razoavelmente fortes, e é difícil que se veja uma mudança de forma significativa em relação à atividade econômica”.
Sobre um eventual efeito da recente trajetória de queda do câmbio sobre os preços, Molan acredita que isso deve afetar o quadro no curto prazo. “O próprio governo e o Banco Central tem em mente que existe um impacto ‘assimétrico’ do câmbio sobre a inflação: o efeito de alta é maior do que o efeito na baixa. O BC tende a ver a depreciação do câmbio como algo bom, mas não necessariamente esse efeito de R$ 2,35 para R$ 2,25 gera uma grande mudança. Nossa visão é que fatores conjunturais contribuíram”.
A ata que vai explicar a decisão tomada pelo Banco Central será publicada na próxima quinta-feira, dia 10. Quanto aos prognósticos econômicos, a projeção do Santander para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deve fechar 2014 no teto de 6,50%, “mas em algum momento do ano vai atingir 6,7%, superando o teto nesse caso”, ao passo que a cotação do dólar pode ficar em R$ 2,55. Quanto aos juros, a expectativa do banco é que sejam feitos mais dois ajustes de 0,25 ponto percentual, “muito embora o comunicado sinaliza que o BC está enxergando uma probabilidade relevante de que os próximos indicadores vão permitir que os juros já não subam na próxima reunião”.
aliancaliberal
3 de abril de 2014 4:46 amTem coisas que a imprensa
Tem coisas que a imprensa não explica, vão falar que o aumento de juros tem como objetivo a redução da inflação.
Como assim?
Aumentar juros significa “enxugar” a moeda, ou seja reduzir a liquidez da moeda, mas ainda fica complicado entender,
Aumentar os juros significa diminuir a quantidade de moeda na economia.
Ta mas quem aumentou a quantidade de moeda na economia ? o governo . E pq o governo aumenta a quantiade de moeda?
Para pagar, rolar as suas dividas e custeio, ou seja o governo exterioriza seus custos na sociedade por meio do imposto inflacionário.
Pq o governo não aumenta os impostos então? pq aumentar impostos é impopular, melhor um sistema onde a sociedade não sabe que esta pagando.
Mar da Silva
3 de abril de 2014 2:51 pmAumento do compulsório dos
Aumento do compulsório dos bancos nem pensar para ‘combater’ a inflação.
Sempre que falam/escrevem que a alta da taxa SELIC é para conter a inflação fico pensando na rolagem da dívida e os credores que sempre ganham ganham mais com os eumentos da taxa de referência.
E ainda hoje, se noticia que o aumento da SELIC é para combater a inflação e não para aumentar o retorno aos credores da dívida.
Isso é jornalismo?
Nem em Marte.
emerson57
3 de abril de 2014 3:41 pmsaudades
saudades do tempo em que Dilma governava.
AlvaroTadeu
3 de abril de 2014 5:58 pmAos indignados.
Essa alta dos juros não me agradou, mas também não me indignei. Sugiro aos indignados que consultem a ata do COPOM da 32a. reunião, presidida pelo atual assessor econômico do Aécio Neves, o inesquecível Armínio Fraga, que abandou o emprego de US$ 500 mil em Wall Street para ganhar R$ 8 mil por mês como presidente do BACEN. Armínio elevou a taxa SELIC para inesquec[íveis 45% a.a. Esse número foi uma homagem ao partido que o pariu, quero dizer, nomeou.