8 de junho de 2026

A morte do historiador Jacques Le Goff

Sugerido por Romulo Cabral de Sá

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Do Diário de Notícias

Morreu o historiador das mentalidades Jacques Le Goff

Especialista em Idade Média, o francês Jacques Le Goff tinha 90 anos. Era um dos mais eminentes historiadores das mentalidades. Morreu hoje em Paris, anunciou a sua família ao Le Monde.

Nascido em Toulon em 1924, Jacques Le Goff foi muito marcado pela influência familiar: sobretudo pelo avô defensor da laicidade e da escola pública e pela avó profundamente religiosa.

Formado em História em 1950, em 1972 torna-se diretor da École des Hautes Études em Sciences Sociales. Na sua longa carreira, Le Goff dedicou-se à Antropologia Medieval, cuja abordagem modificou ao estudar todos os aspetos da vida em sociedade. Herdeiro da Escola dos Annales, que alterou a forma de olhar a História nos anos 1930, este especialista em Médio Oriente é autor de obras como O Maravilhoso e o Quotidiano no Ocidente MedievalHeróis e Maravilhas da Idade Média ou Reflexões sobre a História, traduzidas em português.

“Antes havia o Inferno e o Paraíso. Eu descobri um novo espaço para além destes”, confidenciou Le Goff à AFP em 2008.

Jovem investigador, vivera em Praga a chegada ao poder dos comunistas, em 1948. Ele próprio era considerado um homem de esquerda e militante por uma Europa unida, forte e tolerante. Além do francês, Le Goff era fluente em inglês, italiano, polaco e alemão.

Preocupado em chegar a um público mais abrangente, o historiador teve, a partir de 1966, um programa na rádio France Culture.

Foi ainda conselheiro científico na rodagem do filme O Nome da Rosa, adaptação ao cinema do romance homónimo de Umberto Eco.

 

Redação

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4 Comentários
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  1. OTAVIO BARROS

    2 de abril de 2014 1:35 pm

     
    A memória, onde cresce a

     

    A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para libertação e não para a servidão dos homens.

    Jacques Le Goff

     

    1. Fabio !

      2 de abril de 2014 3:54 pm

      Esqueceu de dizer que a

      Esqueceu de dizer que a memória coletiva é coisa que pode ser reescrita , e é reescrita de acordo com as conveniências dos grupos que estão no poder. 

      Na frase mais ou menos exata de Benedetto Croce que tento recordar de cabeça : ” A luta pelo poder não é só pelo poder presente , mas a luta para se apropriar do passado ”  .

      Se os persas tivessem vencido , se os turcos tivessem vencido , se os nazistas tivessem vencido , se os soviéticos tivessem vencido , a “memória coletiva ” hoje seria outra .

  2. Maria Luisa

    2 de abril de 2014 1:59 pm

    Adieu professeur

    E Manuel Valls torna-se primeiro ministro no governo socialista. Que tempo!

  3. Luiz Antonio Antunes Machado

    2 de abril de 2014 3:31 pm

    Grande Mestre

    Outra grande perda para toda a intelectualidade mundial. Jacques Le Goff é um mestre de todos os historiadores, professores e interessados em história. A Escola das Mentalidades forneceu uma substancial ajuda para a análise das estruturas e conjunturas históricas, dos movimentos , mas também das “permanências”. Os acontecimentos históricos das três últimas décadas provaram que as ferramentas de trabalho fornecidas por Le Goff, Braudel, Lucien Febvre, Duby, Chaunu, e outros grandes mestres formaram um avanço inestimável para o pensamento e a compreensão do mundo.

    Au revoir, Professeur.

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