22 de junho de 2026

Polícia de Tarcísio “compartilha experiências“ com fintech ligada ao crime organizado

A fintech 2GO Bank é suspeita de oferecer serviços financeiros para ocultar a origem ilícita de dinheiro e bens do PCC
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante solenidade do 132º aniversário do 1º Batalhão de Polícia de Choque. Foto: Francisco Cepeda / Governo do Estado de SP

Delegados do governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, participaram como palestrantes de um evento organizado pela fintech 2GO Bank, alvo de uma operação do Ministério Público nesta terça-feira (25) por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado.

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A fintech 2GO Bank é suspeita de oferecer serviços financeiros para ocultar a origem ilícita de dinheiro e bens do PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo o Ministério Público, a empresa facilitava a lavagem de dinheiro do crime organizado, ajudando a despistar recursos ilegais por meio de transações bancárias e investimentos em imóveis.

Entre os convidados estavam o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, e o delegado Carlos Afonso, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), que, ironicamente, deveriam estar na linha de frente do combate ao crime organizado – e não dividindo espaço em um evento com empresários agora investigados por facilitar a ocultação de dinheiro ilícito. O promotor Richard Encinas também esteve presente.

O evento ocorreu em outubro de 2023, em um hotel de luxo em São Paulo, e foi promovido por Cyllas Elia, dono do 2GO Bank e ex-delegado do Deic, que foi preso nesta terça-feira. Segundo promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Elia oferecia serviços financeiros para disfarçar a origem ilegal de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital). A Polícia Federal também integra as investigações.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em endereços nas cidades de São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo.

A Secretaria de Segurança Pública do estado tentou minimizar a situação, alegando que os delegados participaram do evento para “compartilhar experiências da Polícia Civil no combate a crimes virtuais”.

“O evento contou com diversas autoridades neste campo, incluindo profissionais da iniciativa privada como gestores de compliance, policiais membros e do Ministério Público”, declarou a pasta, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

A justificativa, no entanto, não explica por que representantes do alto escalão da polícia estavam promovendo um evento financiado por uma empresa que, meses depois, se revelou suspeita de atuar a serviço da maior facção criminosa do país.

Já o Ministério Público disse que a participação do promotor Richard Encinas foi “institucional” e que, na época, não havia suspeitas sobre a fintech. O órgão ressaltou que a presença do promotor foi gratuita e sem qualquer tipo de subvenção ou ajuda financeira.

A reportagem da Folha procurou as empresas 2GO Bank e Invbank, mas não obteve resposta.

Este texto foi escrito com auxílio de I.A. e editado pela equipe de jornalistas do GGN.

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