10 de junho de 2026

O impacto do governo Trump na África e na América Latina

Decisão de fechar USAID enfraquece imagem dos EUA na África, mas apoio à Milei pode ser guinada à direita na América Latina, diz economista
Foto: https://x.com/realdonaldtrump

A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos pode trazer uma série de consequências, algumas delas muito profundas, para a África e a América Latina, por conta do fechamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

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O efeito mais expressivo será visto na África, uma vez que o fim da USAID afeta diretamente programas de saúde essenciais na região, além de enfraquecer a credibilidade norte-americana na região – o que pode abrir espaço inclusive para o aumento da influência da China no continente.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, o economista Kenneth Rogoff explica que a USAID – fechada por decisão do departamento gerenciado pelo bilionário Elon Musk – tem desempenhado um papel fundamental quando se trata da saúde pública dos países em desenvolvimento.

“Embora os programas da agência não sejam perfeitos, seu orçamento de US$ 40 bilhões – menos de 1% dos gastos federais – tem sido uma maneira econômica de ajudar os pobres do mundo e promover os interesses americanos”, explica o economista.

A situação já seria grave por si só, mas a insistência de Trump para que a Europa financie sua própria defesa muito certamente levará os governos europeus a redirecionar recursos da ajuda externa para manter seus sistemas de bem-estar social.

“Não há dúvida de que a China correrá para preencher esse vácuo. Apesar de seus próprios problemas econômicos, o país continua profundamente comprometido em expandir seu acesso aos vastos recursos naturais da África. Na verdade, sua desaceleração econômica pode levar o governo chinês a consolidar ainda mais sua presença no continente”, pontua Rogoff.

No caso da América Latina, a volta de Trump ao poder pode levar a uma guinada à direita na região mesmo com as “políticas comerciais imprevisíveis de Trump”, partindo do apoio do norte-americano a Javier Milei, o atual presidente da Argentina.

Em meio a elogios à política econômica da Argentina e as “dificuldades econômicas após anos de governos de esquerda” no Brasil e no México, Rogoff diz que o apoio dos EUA pode fortalecer a posição regional de Milei, potencialmente catalisando uma mudança mais ampla para longe dos fracassados experimentos socialistas da América Latina (…)”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    5 de março de 2025 7:45 pm

    Usaid existe desde Kennedy , América do Sul , Central e Afríca na mesma ¥34)@.

    As contas de seus dirigentes nos paraísos fiscais gordas.

    Nisto creio que seu Donald parece certo.

  2. Rui Ribeiro

    6 de março de 2025 9:08 am

    Em decorrência da retirada de apoio dos EUA à defesa da Europa, a União Européia via canalizar recursos aplicados na produção de bens e na prestação de serviços para a produção de armas, munição e para o aumento do contingente de suas forças armadas. Isso vai piorar a qualidade de vida dos Europeus. Já nos EUA, apesar da redução dos gastos com a guerra da Ucrânia, a situação da classe trabalhadora também vai pirar, porque o tarifaço do Trump vai elevar a inflação.
    Enquanto isso, sem muito alarde, a China singra mares sem tempestade.

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