O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra o governo do Irã nesta quarta-feira (10), afirmando que Teerã terá de “pagar o preço” por adiar a assinatura de um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio. A declaração, feita na rede social Truth Social, aprofunda a crise diplomática e militar entre as duas nações, que registraram novos bombardeios mútuos nas últimas 24 horas.
“As Forças Armadas do Irã estão um completo caos. Grande parte delas, como a Marinha e a Força Aérea, sequer existe mais – foram completamente derrotadas. O Irã só fala e não age. O valentão do Oriente Médio MORREU!!! Demoraram demais para negociar um acordo que teria sido ótimo para eles, agora vão pagar o preço!!!“, escreveu o mandatário americano.
Pouco após a publicação, em entrevista à emissora americana Fox News, Trump indicou que a resposta de Washington pode avançar para além dos alvos militares, sinalizando que está perto de ordenar ofensivas contra usinas de energia e pontes em território iraniano.
Escalada militar no Estreito de Ormuz
O estopim para a nova rodada de hostilidades ocorreu na segunda-feira (8), quando um helicóptero de ataque AH-64 Apache do Exército dos EUA caiu próximo ao Estreito de Ormuz, via estratégica por onde passa um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Autoridades americanas afirmam que a aeronave foi abatida após colidir com um drone iraniano do modelo Shahed. Teerã nega a autoria do incidente. Os dois pilotos americanos foram resgatados do mar por um drone marítimo e passam bem.
Em retaliação, o Comando Central dos EUA (Centcom) deflagrou na terça-feira (9) uma operação de quatro horas que atingiu cerca de 20 alvos no sul do Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, radares e estações de controle na ilha de Qeshm e nas cidades portuárias de Bandar Abbas e Sirik.
Em entrevista à rede ABC, Trump justificou a ofensiva: “Acho que é muito importante responder. (…) Esta é uma resposta ao que eles fizeram com nosso helicóptero ontem à noite, e acredito que a resposta deve ser muito forte, muito poderosa — e é isso que ela é”.
A reação de Teerã ocorreu nesta quarta-feira (10). A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã lançou mísseis e drones contra alvos na Jordânia, no Kuwait e contra a Quinta Frota Naval dos EUA, estacionada no Bahrein. Autoridades locais informaram que os projéteis foram interceptados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que “nenhum ataque ficará sem resposta” e instou os americanos a “deixar a região se quiserem ficar seguros”.
Futuro do cessar-fogo em xeque
Os novos combates representam a quebra mais grave do frágil cessar-fogo costurado no início de abril, que tentava pôr fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro com ofensivas conjuntas de Washington e Israel contra o território iraniano.
Apesar do agravamento da crise, interlocutores do governo americano afirmam reservadamente que os bombardeios funcionam como um “aviso” e não devem interromper os esforços diplomáticos. Na manhã desta quarta-feira, negociadores do Catar viajaram a Teerã na tentativa de destravar as conversas, que contam ainda com a mediação do Paquistão.
O impasse para um tratado definitivo, contudo, permanece alto. Os EUA exigem garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares, além da liberação total da navegação no Estreito de Ormuz. Por outro lado, o governo iraniano condiciona a paz ao fim do bloqueio naval americano a seus portos, à suspensão de sanções internacionais, à liberação de bilhões de dólares em ativos congelados no exterior e ao término dos combates paralelos entre Israel e o Hezbollah no Líbano.
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