Ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 11 pessoas e deixaram outras 19 feridas no sul do Líbano neste sábado (15), segundo o Ministério da Saúde libanês. A ofensiva atingiu diferentes cidades e vilarejos durante a noite e nas primeiras horas da manhã e representa a escalada mais grave desde os acordos firmados em junho, que haviam reduzido significativamente as hostilidades entre Israel e o Hezbollah.
Os ataques mais letais ocorreram em Ansar e Deir ez-Zahrani, no distrito de Nabatieh. Em Ansar, sete pessoas foram mortas, entre elas três crianças, e duas ficaram feridas. Em Deir ez-Zahrani, quatro pessoas morreram e outras 17 ficaram feridas.
O Exército israelense afirmou que realizou ataques contra o que classificou como infraestrutura do Hezbollah nas áreas de Nabatieh e Ansar. Segundo Israel, a operação foi uma resposta a uma ação contra soldados israelenses na região do monte Ali al-Taher.
O governo libanês, porém, rejeitou a justificativa israelense e classificou a escalada como extremamente perigosa. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou que a responsabilidade por qualquer infraestrutura militar existente em território do país cabe exclusivamente ao Estado libanês, por meio do Exército e das demais instituições estatais. Para Salam, mesmo a existência de estruturas militares não dá a Israel o direito de violar o território libanês ou colocar civis em risco.
O presidente Joseph Aoun também condenou os ataques, especialmente na região de Nabatieh, e afirmou que eles representam violações repetidas do acordo firmado para reduzir as hostilidades, do trabalho do mecanismo de coordenação militar e das normas internacionais de proteção aos civis.
Hezbollah ameaça responder
O Hezbollah também reagiu à ofensiva e afirmou que os ataques israelenses terão uma “resposta apropriada”. O grupo criticou ainda o governo libanês por manter negociações diretas com Israel e por depender da mediação dos Estados Unidos, acusando Washington de favorecer os interesses israelenses em detrimento da soberania do Líbano.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, chamou os ataques de “massacre” e afirmou que eles representam a continuidade de uma guerra contra o sul do país.
O Hezbollah vinha pressionando o governo libanês contra a implementação do acordo firmado com Israel. Na sexta-feira, o líder do grupo, Naim Qassem, acusou as autoridades de pressionarem o Exército libanês enquanto Israel continua atacando o território do país.
A escalada ocorre um dia depois de o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmar que as tropas israelenses não deixarão o território libanês enquanto o Hezbollah não for desarmado e a ameaça representada pelo grupo não for eliminada.
Segundo Katz, as forças israelenses controlam atualmente cerca de 700 quilômetros quadrados do território libanês, aproximadamente 7% da área do país.
De acordo com a Al Jazeera, a escalada ocorre em um cenário de relativa redução das hostilidades. Um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, firmado em junho, foi seguido por um acordo patrocinado por Washington entre Líbano e Israel.
O entendimento estabeleceu como objetivos o desarmamento do Hezbollah, a retirada gradual das forças israelenses do território libanês e a ampliação da presença do Exército do Líbano no sul do país.
Apesar da redução dos confrontos, Israel manteve ataques e demolições em áreas do sul do Líbano. Nas últimas horas, a intensidade das operações aumentou, e a piora da situação coloca em xeque um dos principais elementos do acordo: a transferência para o Estado libanês da responsabilidade pela segurança do território.
Enquanto Israel afirma que continuará operando militarmente até que o Hezbollah seja desarmado, o governo de Beirute sustenta que qualquer ação contra grupos armados deve estar sob responsabilidade das instituições libanesas.
Deixe um comentário