10 de junho de 2026

PIB registrado em 2024 é o melhor em 13 anos, diz economista

Dados de 2021 são complicados para se usar como base comparativa por conta do efeito pós-pandemia
Foto de Daniel Dan via pexels.com

Matéria atualizada às 13:18 de 08/03/2025 para acréscimo de informação

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O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro encerrou o ano de 2024 com um crescimento de 3,4%, segundo os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Embora muitos analistas tenham feito uma comparação com o crescimento de 2021, esse dado em especial é complicado de ser visto como parâmetro por se tratar do período pós-pandemia.

“A taxa de crescimento de 3,4% é a maior taxa de crescimento desde os 4,8% de 2021, mas esse número de 2021 é um número que a gente tem que olhar com restrição, porque ele é o pós-pandemia”, explica Simone Deos, conselheira do Corecon-SP e professora da Unicamp.

Em entrevista ao Jornal GGN, Simone explica que, por se tratar de um número apurado após um período pandêmico, os dados de 2021 são considerados ‘outlier’, ou seja, não se pode dar muito crédito a ele.

“Uma comparação que é relevante é comparar os 3,4% com o número que aconteceu lá em 2011, que foram 4% de crescimento. Então, de lá para cá, tirando 2021 que é um dado complicado porque ele reflete o tombo da pandemia em 2020, o crescimento de 2024 é o crescimento mais expressivo que a gente tem em uma série de 13 anos”, diz a economista.

Dois pontos acima do Focus

Na visão da economista, os dados podem ou não ser vistos como uma surpresa. Pelo lado surpreendente, ela explica que o mercado financeiro tinha estimativas muito mais tímidas de crescimento para o ano.

“Um bom indicador disso é aquilo que o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central e que representa a pesquisa que o BC faz com agentes sobretudo do mercado financeiro, previa um crescimento muito menor”, diz Simone, lembrando que as projeções de mercado indicavam um PIB de 1,59%, ou seja, 1,6% no início de 2024.

Então, o crescimento econômico brasileiro em 2024 superou em quase dois pontos a projeção feita pelos economistas ouvidos pelo BC.

“Os 3,4% são uma surpresa, e eu diria que são uma surpresa muito positiva, porque junto com esse número do crescimento, vem também os dados do mercado de trabalho – e a gente tem aí as menores taxas de desemprego também desde uma década, desde o ano de 2014, o que é em si algo bastante positivo”.

O que influenciou tal resultado?

Segundo Simone Deos, os dados de desempenho da economia brasileira, e as suas respectivas atualizações, mostravam que a economia ia crescer muito mais do que o 1,6% esperado no início do ano.

“Por exemplo: o dado que o Banco Central soltou no mês de fevereiro, que é o do índice de atividade econômica do Banco Central chamado IBC-Br, que é por alguns considerado uma espécie de proxy do PIB (…) Ele já previa um crescimento em torno de 3,8% em 2024. Então, eu diria que a partir da metade do ano de 2024 já se sabia pelo que a economia vinha desempenhando que o crescimento ia ser muito superior a aquele 1,6% esperado, que o crescimento ia ficar pelo menos em torno de 3% – e ele se mostrou superior a isso”.

De acordo com a professora da Unicamp, os economistas não estavam totalmente no escuro quando o número do PIB foi divulgado, mas “ele foi sendo um número construído ao longo do ano, com o desempenho da economia brasileira”.

Outros fatores ajudaram a economia a melhorar, como a questão do crescimento do salário mínimo e do crescimento do valor, isto é, de uma série de transferências que o governo faz para uma população com renda mais baixa, que são vinculadas ao valor real do salário-mínimo e que tem um impacto muito grande sobre o consumo.

“Então, a política de aumento do salário-mínimo, que foi modificada agora em 2025: o crescimento real do salário-mínimo vai ter um crescimento menor do que aquele que aconteceu no ano passado, mas essa política que vigorou no ano de 2024, de crescimento do salário-mínimo, e que atingiu também as transferências que o governo faz, o valor das aposentadorias, pensões, teve um impacto muito importante no consumo e aí tem desdobramentos sobre o investimento também”, explica Simone.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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3 Comentários
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  1. Escuderie Le Coq

    9 de março de 2025 8:33 am

    Sim, mas e daí?

    Então, Delfim Netto estava certo?

    Vamos crescer o bolo (PIB) e depois dividirmos?

    Essa obsessão econométrica do governo Lula, incorporando o mesmo determinismo economicista vulgar, é de doer os olhos.

    O pior, boa parte dos chamados economistas do campo progressista, desesperados para apresentar uma agenda positiva, que dê uma plataforma de propaganda ao governo, adere a esse desastroso discurso.

    Economia, como qualquer campo científico e de conhecimento, deve servir ao homem, e não se servir dele.

    Estive na Argentina por três vezes, duas na era Kirchner/Fernández e a última com Milei.

    Não há dúvidas.

    Mesmo uma conjuntura degradada e inflacionária conseguia proteger a maioria pobre.

    Ponto.

    É disso que se trata.

    Na visita recente, já sob o ducado do Bitcoin boy, reina o caos social.

    Pessoas recém lançadas às ruas, famílias inteiras, revirando lixo dos restaurantes.

    Transporte caro, polícia em profusão nas ruas.

    Uma tensão social intensa, quase tátil.

    Percebemos uma piora na qualidade e quantidade da comida servida nos restaurantes, sintoma típico de empobrecimento rápido.

    Mas, seguindo os manuais de Haddad, Lula, Guedes, e sim, de Milei, os dados macroeconômicos estão bem melhores.

    Melhores para quem?

  2. José Carvalho

    10 de março de 2025 4:31 pm

    A dificuldade que o Brasil tem de planejar e projetar as suas atividades econômicas, tanto no prazo imediato quanto em prazos mais alongados produz esse permanente quadro de incertezas para o crescimento econômico. Como o País é um grande exportador de commodities, uma mudança na condição para a atração de capital externo aplicado por aqui, deixando de ser apenas passageiro, seria relevante. Esse crescimento registrado em 2024 só não foi ainda maior por conta de tudo o que levou a retomada de elevação dos juros. O ritmo da economia foi bem abaixo no último trimestre do ano. Justamente porque fica difícil ter ações que agreguem diferentes prazos para a realização dos negócios. O País parece estar usando uma calça apertada e se aumentar qualquer quilo não consegue andar. Para colher os resultados de um desenvolvimento melhor é preciso sair dessa situação. O Boletim Focus trouxe no início do ano uma previsão de crescimento para o PIB que ficou abaixo do resultado final. Claro que isso traz impacto nas expectativas. Mas caso acertasse pontualmente o crescimento divulgado, iria mudar o quê aos motivos que limitam o País.

    1. Escuderie Le Coq

      11 de março de 2025 7:43 am

      José, não há na ciência econômica nenhuma prova empírica ou aprioristica que indique que crescimento leve a inflação ou que juro e retração de atividade leve a contenção do fenômeno inflacionário.

      Tenho grandes resistências em chamar essa quiromancia econométrica de ciência, mas vá lá.

      Se assim fosse, não haveria estagflação e, ao contrário, crescimento em países com inflação baixa.

      E mesmo que assim fosse, há conhecimento suficiente para determinar que uma taxa de inflação é aceitável, e até desejável para recuperação econômica, em cenários até mais deteriorados como Alemanha e Europa pós 45.

      A questão é outra.

      Países como o Brasil não crescem porque essa é a dinâmica do capitalismo, ou seja, há uma divisão internacional de tarefas, que só é quebrada em circunstâncias muito específicas, as quais esse país nunca soube e não quis construir.

      Não temos FFAA para isso, nem artefatos nucleares, isto é, somos crianças em briga de adultos.

      Nossos orçamentos e impostos se destinam ao bem estar do cidadão médio estadunidense e europeu.

      Ponto.

      É isso que determina, além das “comissões de intermediação” das elites locais, o nosso caminhar histórico.

      Para romper isso é necessário muito mais que “planejamento”.

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