20 de junho de 2026

Tarifas de importação só prejudicam os EUA, e a inflação será inevitável, diz economista

Possível retaliação da China, que anunciou taxar o agro em 15%, fará do agro brasileiro o vencedor de guerra comercial
Gage Skidmore - Flickr

Na última segunda-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou a possibilidade de uma recessão na maior economia do mundo. 

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Consequentemente, os principais índices de ações da bolsa norte-americana despencaram, gerando efeitos também nos demais mercados de ações. 

Para analisar a política do presidente norte-americano, que anuncia sistematicamente tarifação sobre produtos importados de diversos parceiros comerciais, o programa TVGGN 20H contou com a participação de Paulo Feldmann, economista e professor da Universidade de São Paulo (USP), e de Pedro Costa Jr., cientista político. 

Feldmann lembrou que os acordos de Bretton Woods completaram, em 2024, 80 anos e que representaram um marco na governança mundial, uma vez que os países vencedores da Segunda Guerra Mundial chegaram à conclusão de que o conflito foi resultado da crise de 1929, quando Europa e Estados Unidos tiveram de encarar uma grande recessão. 

Assim, era preciso haver uma governança mundial para evitar novas crises e, consequentemente, conflitos. E desses acordos foram criadas diversas instituições, como a ONU, o FMI, o Bird, entre outros. 

“Foram vários acordos importantes para dar estabilidade ao mundo nesses 50 anos. O PIB per capita mundial cresceu 50 vezes. O número de pessoas que saíram da pobreza nestes últimos 40 anos é de mais de um bilhão. Eram pessoas que passavam fome e viraram trabalhadores e consumidores”, ressalta o professor. 

Por isso, os recentes anúncios de Trump, que tirou os EUA da OMS, por exemplo, deveriam ser vistos com mais preocupação. 

“O que o Trump está fazendo agora é desmontar tudo isso. A humanidade agora tinha de se preocupar muito mais do que está se preocupando, porque não é simplesmente questão da super tarifa que ele está criando, isso vai criar um problema econômico, claro, para ele mesmo”, avalia Feldmann.

Em relação à economia, se colocadas em prática, a super tarifação de produtos importados deve gerar uma inevitável inflação, que vai colocar a continuidade de Trump no poder em risco. 

“Na minha opinião, não vai demorar muito para que o povo fique incomodado e peça a cabeça do Trump”, acrescenta o docente.

Agro brasileiro

Para o cientista político Pedro Costa Jr., quem deve sair vencedor de uma eventual guerra de tarifas impostas pelo presidente norte-americano é o agro brasileiro. 

“A retaliação da China é muito precisa porque vai no alvo do agro, da soja, ao anunciar retaliações de 15%, vai no alvo da base eleitoral do Trump. O agro que apoiou Trump, que elegeu Trump, endossa Trump fez uma carta aberta agora, dizendo que o grande vencedor da guerra tarifária de Trump será o agro brasileiro”, lembrou Costa Jr.

Mas além de se preocupar com a governança mundial, os governos do mundo todo têm ainda outro grande desafio: o domínio das big techs. Na visão de Paulo Feldmann, elas representam um dos problemas mais sérios da humanidade neste momento. 

“O mundo estava preocupado e o próprio Joe Biden [ex-presidente dos EUA] fez uma regulamentação inclusive, relativamente boa, que contemplava o controle da inteligência artificial, para que ela não chegasse a uma situação que todos nós tememos que ela chegue”, completou o professor. 

No entanto, uma das primeiras medidas de Trump ao assumir seu segundo mandato em janeiro foi justamente suspender as medidas de Biden. 

“O que é pior é que todas essas empresas estão alinhadas com o Trump, declaradamente, inclusive contribuíram na campanha dele, estiveram presentes na posse dele, e o que vai acontecer? Elas vão estender essa atuação nefasta que houve na campanha eleitoral americana, divulgando fake News, desmentindo aqueles que criticavam o Trump, vai estender isso para o resto do mundo”, continua o professor.

Confira o programa na íntegra:

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. Escuderie Le Coq

    11 de março de 2025 11:05 am

    Com a vitória do latifúndio exportador brasileiro, a derrota do resto do país é certa.

    Além dos estragos ambientais, da ausência do cálculo da água, que vai de graça com as commodities, esse setor subtrai vultosas quantias de impostos, enquanto inocula uma doença holandesa, tipo ebola 4.9, a saber:

    Entram montanhas de dólares que não auxiliam em nada o país, a não ser no aumento da concentração de renda especulativa, pois sequer apreciam nossa moeda, o que traria algum tipo de alivio para o bolso dos contribuintes, já que nem há mais indústrias a serem atingidas com aumento de importações.

    Com a guerra tarifária, nosso papel de exportador de “pau-brasil” vai se aprofundar, e com ela, nossa viagem incivilizatória.

  2. Evandro Condé

    11 de março de 2025 5:49 pm

    Sou leigo. Então eu pergunto: como fica qualquer planejamento feito quando num estalar de dedos os impostos sobre a matéria prima base aumenta de 0,9 para 25%?

  3. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    12 de março de 2025 8:15 am

    Eu desconfio que para fazer os EUA grande novamente, o plano de Trump é retroagir para o século XX.

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