7 de junho de 2026

As colunas do jornalista Carlos Castello Branco em 64

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As colunas do jornalista Carlos Castello Branco nos dias anteriores e nos seguintes ao golpe de 64, no Jornal do Brasil

Goulart decide de longe crise naval

Brasília — O Presidente João Goulart não deve ter dado crédito às informações que precederam o estado de rebelião declarada na Marinha ou, pelo menos, não terá dado importância a um acontecimento que já estava em processo no momento em que partiu do Rio para São Borja. O certo é que, em São Borja mesmo, r e c e b e u a carta do Almirante Silvio Mota demitindo-se do Ministério da Marinha por não ter conseguido manter a disciplina na tropa, mesmo depois que o Almirante Aragão, a quem apontou como responsável pela rebelião, se demitiu do Comando do Corpo de Fuzileiros Navais.

O Almirante Sílvio Mota recorreu ao Exército para assegurar a ordem na sua corporação, desde o momento em que metade de um contingente de fuzileiros enviado ao Sindicato dos Metalúrgicos com a missão de prender os rebeldes depôs as areias e aderiu ao movimento de reivindicações.

O Presidente terá tomado em seu retiro de São Borja uma decisão de importância decisiva neste momento: ou terá aceito o pedido de demissão do Almirante Sílvio Mota, promovendo as medidas para restabelecer a ordem na Marinha através do atendimento das reivindicações da classe, ou terá recusado a exoneração, dispondo-se, nesse caso, a oferecer ao Ministro os instrumentos indispensáveis para repor a disciplina na corporação rebelde. Nessa última hipótese terá agredido o esquema esquerdista, cujos representantes compareceram ao Sindicato dos Metalúrgicos e solidarizaram-se com a rebelião.
A decisão do Presidente terá sido tomada coei a assistência do General Assis Brasil, o qual, também, estava ontem fora do Rio e seguiu para São Borja tão logo soube do agravamento da situação.

Por coincidência esse arrepio rebelde nas forcas armadas ocorreu com o Sr. João Goulart e seus principais assessores militares novamente distantes dos acontecimentos e por coincidência, antes de partir, no Palácio das Laranjeiras, registrava-se movimento de soldados indicativo de providências acauteladoras e de um estado de nervosismo indisfarçável.

O Almirante Aragão, que é antigo pessoal do Ministro da Justiça, ter-se-ia juntado ontem ao Sr. Abelardo Jurema, por intermédio dê quem teria encaminhado unia proposta de solução da crise, a qual consistiria na imediata convocação do Ministério para exame e atendimento das reivindicações dos marinheiros.

Ainda por coincidência, partiram ontem de órgãos governamentais desmentidos em massa às notícias intranquilizadoras ou simplesmente excitantes inspetadas ostensiva ou veladamente pelas conhecidas e notórias fontes oficiais. O Ministro da Fazenda, por exemplo, desmentiu o Sr. Darei Ribeiro, Chefe da Casa Civil, que anunciara a elaboração do decreto de monopólio de importação de papel. enquanto o Sr. Valdir Pires desautorizava a notícia, também dada pelo Palácio da Planalto, de que o Governo daria, por conta própria, um abono de 100 por cento ao funcionalismo público federal. A requisição das milícias estaduais, notícia também veiculada pelo Palácio, foi igualmente desmentida, enquanto o General Castelo Branco declarava sem fundamento a informação de que fizera uma advertência aos generais sob seu comando a respeito da situação nacional. A propósito desse último item, e como se trata de notícia por nós divulgada, devemos esclarecer que, considerando o General Castelo Branco urna pessoa veraz, certamente será apócrifo o papel que, com a sua assinatura, foi lido anteontem à noite, no Palácio das Laranjeiras, pelo Sr. João Goulart a um de seus assessores. O Presidente foi ludibriado por seu serviço de informações, que lhe entregou uni papel falso.

Essa cadeia de desmentidos, excetuado naturalmente o do General Castelo Branco, indicou uni recuo do Governo na área civil, enquanto o problema se concentrava na situação militar, inequivocamente explosiva.

Nos setores da esquerda civil, alegava-se que o movimento dos marinheiros não seria decisivo, pois a batalha mais importante não seria travada na oportunidade que os adversários escolheram e nas condições que não eram tidas como ideais. De qualquer forma, não deixariam sem cobertura os que, tal conto ocorreu, no episódio de Brasília, se expuseram em nome de reivindicações que consolidara a marcha do movimento revolucionário brasileiro.

Mazzilli entre duas presidências
O Sr. Ranieri Mazzilli, que deverá viajar hoje para a Europa onde o espera a Presidência da Conferência da União Interparlamentar, recebeu apelos de dirigentes do PSD para permanecer no País, onde os acontecimentos poderiam de repente lhe abrir unia outra presidência, a da República, pois está ele, como se sabe, na linha de sucessão direta do Sr. João Goulart.

Se ele viajar, evidentemente será porque não acredita na segunda expectativa.

Carlos Castello Branco

Jornal do Brasil 27/03/1964

Em colapso o sistema militar anti-Goulart

BRASÍLIA -“Meu Deus, como é dura a luta contra o imperialismo agonizante.” Com essas palavras, sussurradas ao ouvido de um dos oficiais que o acompanhavam, e segundo a versão triunfante dentro do Governo, o Almirante Paulo Mário penetrou no edifício do Ministério da Marinha para assumir o posto de Ministro e Comandante das Forças Navais. Pouco importa que o nome do Almirante Paulo Mário tenha figurado numa lista tríplice organizada pelo CGT. O General Assis Brasil o desmente. Outras fontes o confirmam. Na verdade, ele assumiu o poder na Marinha como chefe de uma comissão revolucionária, como delegado da confiança dos marinheiros e não como expressão da autoridade e da hierarquia. O comando que ele impôs à oficialidade é todo ele um comando que vem de baixo para cima, representativo dos anseios e do predomínio da marujada e dos fuzileiros e não um órgão de cúpula com a força oriunda da ordem instituída e hierarquizada.

“O Comando Naval foi a pique”, dizia ontem um dos principais dirigentes do PSD, definindo a perplexidade que se apoderou dos meios políticos com a vitória tão fácil e tão decisiva do movimento revolucionário num setor das Forças Armadas tido como baluarte do conservantismo institucional.

O Presidente João Goulart, na medida em que se regozija com seu triunfo e em que constata a força das chamadas organizações de base que o sustentam no Governo e o estimulam a quebrar o restante das estruturas políticas, sociais e económicas, não deixa de revelar certa ansiedade pelas eventuais reações do sistema que a crise naval demonstrou estar’ em colapso. Considera o Presidente que a direção sindical e os políticos mais açodados da esquerda, entre êles inclui também o Almirante Aragão, revelaram certa imprudência no encaminhamento da crise. Sua vocação natural para a conciliação e a composição foi violentamente bloqueada, percebendo ele, afinal, a inexistência de condições para a política de transigência. As bases mobilizadas para servir de sustentáculo do Governo mostraramse mais afirmativas e mais fortes do que o próprio Governo, impondo-lhe um rumo que exclui a hipótese de recuo.

Na Frente de Mobilização Popular, que dedicou o sábado a análises da crise, retirou-se como principal lição dos acontecimentos a vitória da linha radical, com reflexo imediato sobre as articulações em curso para formação da Frente Popular. Consideram os dirigentes parlamentares da FMP que, de agora por diante, está superada a discussão na procura de termos mais amenos para o manifesto. A equação agora será posta pelos fatos e cada uma das forças que deseja colaborar com o Governo deverá, daqui por diante, afirmar esse espírito de cooperação nos episódios que se irão suceder, em ritmo acelerado.

Por coincidência, o principal núcleo de deputados da Frente de Mobilização que se dedicaram ao exame da conjuntura estavam ontem reunidos na sede do jornal Panfleto. a alguns passos do Clube Naval, onde a frustração da oficialidade da Marinha adquiria alto grau de efervescência.

O comportamento dos comandos do Exército foi observado atentamente pelas forças interessadas. A esquerda considerou-o satisfatório e estimulante, tanto mais quanto se generalizam os prognósticos da próxima ascensão do General Oromar Osório ao Ministério da Guerra. A organização básica das Forças Armadas está agora na, linha direta da ação revolucionária e é o alvo naturalmente indicado para as próximas escaramuças.

A manifestação de sargentos ao Presidente da República, cancelada pelo General Jair Dantas Ribeiro, foi rearticulada e novamente programada, para amanhã, segunda-feira, quando terá por cenário e clima a vitória exemplar do cabo José Anselmo.

A importância, civil
Nos meios políticos civis, entre os partidos – PSD e UDN – ao abatimento vai-se sucedendo um arrôjo cívico para enfrentar sem instrumentos adequados a luta contra o Sr. João Goulart. As bancadas estão convocadas, os líderes estão excitados, mas a instituição representativa hoje do poder civil, o Congresso, sente-se posto fatalmente à margem das decisões e sem a força com que repelir os golpes que vai sofrendo.

Não há um pessedista hoje que não creia que a situação que pretenderam sustentar na base da transigência e da conciliação está no fim. O Sr. Juscelino Kubitschek pensa assim, o Sr. Amaral Peixoto pensa assim, o Sr. Mazzilli pensa assim, e o Sr. Tancredo Neves desapareceu. Esses homens, tanto quanto os udenistas, lançam hoje olhares, em que ao desespero se soma um, fio de esperança, para os arranjos entre São Paulo e Minas, para o poder de fogo do Governador Ademar de Barros, para os armamentos dispersos pelas fazendas dos fazendeiros amedrontados de todo o interior.

O Sr. Martins Rodrigues, único líder presente em Brasília, foi ao Rio receber instruções para orientar a bancada nas votações que começarão amanhã, com o projeto de anistia em primeiro lugar.

A impressão das correntes oposicionistas, já agora entre elas figura o PSD, ostensivamente, é a de que, se não ocorrer um milagre, nos próximos dias, senão nas próximas horas, o Sr. João Goulart, ainda que não o queira, cobrirá os objetivos que lhe são atribuídos de implantar no País um novo tipo de República, que não é certamente República dos sonhos do PSD, da UDN, do PR e até mesmo do PTB.

Carlos Castello Branco

Jornal do Brasil 29/03/1964

 

Goulart mobiliza Brasília para luta

Brasília – O Sr. João Goulart não renunciou à Presidência da República, não se considera ainda vencido pela rebelião dos comandos militares e continua a manter a mobilização moral e material de Brasília, através de uma cadeia de rádios locais, para a resistência e a luta.

O Congresso Nacional, por sua vez, não se julgou em condições de adotar uma’ decisão política, não deliberou e nem sequer se reuniu ontem à noite, preferindo que o desenrolar dos acontecimentos facilite eventualmente uma solução.

A Capital da República vive horas de intensa apreensão, com o recrutamento de voluntários que se exercitam desde o começo da tarde em algumas ruas da Cidade e as reiteradas declarações do Comandante Militar, General Fico, de que a guarnição federal permanece fiel ao Sr. João Goulart.

Na cadeia de rádios controlada pelo Governo Federal, as principais autoridades continuam a fazer exortações ao povo. Entre essas autoridades que se dirigiram à população figurou o Arcebispo de Brasília, Dom José Newton, o qual, sem se afirmar solidário politicamente com o Chefe do Govêrno, enumerou dados reveladores da miséria do povo e indicativos da necessidade de profundas reformas.

Os Deputados e Senadores, que conversaram com o Presidente da República, na Granja do Torto, onde se recolheu desde que, depois de uma rápida visita ao Palácio do Planalto, chegou a Brasília, estão extremamente discretos com relação ao comportamento do Govêrno, mas todos traduzem a disposição geral de resistência.
O fato de ter o Sr. Leonel Brizola conseguido dominar a Capital do Rio Grande do Sul e de estar mobilizando militarmente, deu alma nova aos partidários do Sr. João Goulart, que durante certo momento, na tarde de ontem, tiveram a sensação de um colapso geral do sistema de segurança do Governo.

O Sr. João Goulart, segundo versões, aguarda a reunião na Capital dos seus Ministros para se deslocar até Porto Alegre, pois um poderoso Coroando da Varig o aguarda no aeroporto desde as 15 horas. Essa aeronave, que veio de Cumbica, ao que se presumia inicialmente para levar o Presidente e sua família para o exterior, continua estacionada no aeroporto de Brasília.

Há indícios de que o Chefe do Govêrno confia ainda em que uma forte resistência surgirá não só a partir do Rio Grande como nas próprias cidades conquistadas pela rebelião militar. Essa resistência teria por base seja a arregimentação de trabalhadores para a greve geral e a sabotagem, seja a articulação de graduados das Forças Armadas contra os comandos triunfantes.

Alude-se igualmente nas esferas oficiais ao fato de que a Força Aérea Brasileira, com seu poderio intato, estaria ao lado do Presidente da República e apta a entrar em ação, se for convocada.

Entre os dirigentes oposicionistas, declarava-se ser esperada a resistência de dois regimentos da Capital gaúcha, um deles motomecanizado. A vitória do Sr. Brizola estaria, portanto, dentro das previsões e poderia retardar o desfecho por alguns dias.

Na alta direção udenista não se fazia segredo de que o plano conspiratório, desencadeado na segunda-feira, foi longamente preparado, inicialmente numa faixa defensiva e, a partir do comício do dia 13, na Central do Brasil, em caráter agressivo. Houve consulta e infiltração em todo o dispositivo militar e o piano foi cuidadosamente elaborado para uma rebelião progressiva e avassaladora. No esquema figurava o propósito de permitir ao Sr. João Goulart tomar sua decisão final por conta própria. Não parecia estar nos planos, porém, o deslocamento do Presidente para Brasília e sua disposição de resistir, que é a situação que se configura neste momento.

O Congresso vem oscilando, desde que cessaram as comunicações com o Rio de Janeiro, às 20 horas de terça feira, entre a confiança, o susto, a euforia e o pânico. Nas últimas horas de ontem a expectativa de que os Deputados e Senadores pudessem se encontrar face a problemas de segurança, como a deflagração de manifestações populares armadas, voltava a se impor ante a rápida contaminação da mobilização governamental comandada pelo Sr. Darci Ribeiro.

Não se acredita que a posição militar de Brasília ofereça condições para uma resistência longa, mas poderia ser um cenário dramático para a sustentação dos acontecimentos que se desenrolariam no sul e poderiam atingir outras áreas.

Carlos Castello Branco

Jornal do Brasil 02/04/1964

 

Eleição quarta-feira, Juscelino com PTB

BRASÍLIA – O Senador Auro de Moura Andrade, Presidente do Congresso, assumiu com os comandos militares o compromisso de realizar na próxima quarta-feira a eleição para Presidente da República. Esperado em Brasília, o Sr. Moura Andrade traria consigo, já, a minuta do projeto de resolução que convocará a eleição indireta do sucessor do Sr. João Goulart.

Como estão vagas a Presidência e a VicePresidência, poderá haver eleição igualmente para Vice-Presidente da República, segundo transpirava ontem dos conselhos políticos.

Crescem os indícios, a esta altura, de que o Sr. Ranieri Mazzilli, traumatizado pela rapidez e informalidade dos acontecimentos e constrangido pela escassa faixa de tempo assinalada à sua interinidade, não conseguiu vencer os obstáculos à constituição de um. Governo capar de superar a tutela militar e de se impor a pressões contraditórias. Sem encontrar a justa linha e o ponto de equilíbrio em que fixar sua autoridade, o Presidente em exercício estaria conformado com a precipitação das eleições indiretas para a quarta-feira ou, se possível, para antes disso.

A UDN declara-se ostensivamente favorável à antecipação do pleito, tendência que é também de grandes setores do PSD, alarmados com a rápida deterioração do poder civil e receosos de que o próprio Congresso venha a ser atingido pela avassaladora presença do poder militar no comando do País, Para êsses grupos políticos, a situação indicaria a conveniência da escolha imediata de um dos chefes militares da revolução para a Presidencia da República, confiando-se assim a intérprete autorizado a preservação das instituições livres, com a formalização do domínio de fato já existente.

Seria esse igualmente o pensamento dos Governadores vitoriosos, não só do Sr. Magalhães Pinto como igualmente dos Srs. Ademar de Barros, Carlos Lacerda e Ildo Meneghetti.

O Sr. Juscelino Kubitschek tornou-se, no entanto, dentro dessa tendência, que reflete o clima do Estado-Maior militar, um fator de perturbação política, pois iniciou discretas mas efetivas sondagens para um entendimento com o PTB visando a assegurar a eleição de um nôvo Presidente, civil ou militar, capaz de desviar a revolução vitoriosa dos caminhos da intolerância que estariam sendo trilhados por alguns de seus chefes civis e militares.

É visível o objetivo político-eleitoral do ex-Presidente da República, pois pretende, na hora da crise, assegurar-se a solidariedade do partido do Sr. João Goulart para sua candidatura presidencial em 1965.

A atitude do Sr. Juscelino Kubitschek provocará evidentemente reações no dispositivo dominante, unas parece que um dos objetivos perseguidos é precisamente tornar ostensivas essas reações para que se sele numa ação política espetacular a aliança dos trabalhistas com o candidato do PSD à próxima,eleição popular para a Presidência.

Se o Sr. Juscelino Kubitschek obtiver apoio dentro do PSD para a manobra, à qual imprime um sentido de resistência civil e democrática, passarão os vitoriosos a experimentar grandes dificuldades no encaminhamento de uma candidatura militar. Agravando e extremando a notória impaciencia das Fôrças Armadas com o que se chama abertamente de cambalachos.

Tendo o General Castelo Branco levantado a preliminar da incompatibilidade dos chefes da revolução, o Marechal Dutra tornou-se o mais provável candidato.

A palavra de ordem
A palavra de ordem surgida dos bastidores da revolução vitoriosa é “acabar com o comunismo”. A firme disposição do comando militar de realizar essa política, que estaria sendo executada com conotações terroristas neste ou naquele ponto do País, provocou apreensões não só entre os Deputados e Senadores do esquerda como até mesmo entre aqueles que, no esquema vitorioso, se recusam à adoção de técnicas extremadas. O Governador de Minas estaria entre os que condenam a intolerância e o expurgo e o Sr. Juscelino Kubitschek pretenderia elevar o PSD a cobrir essa posição, embora correndo os riscos inerentes a manifestações ‘desse tipo.

Na UDN, o Sr. Herbert Levi coloca-se entre os extremados, por não admitir, segundo disse, que o sentido generoso da revolução deite a perde-la em seus objetivos essenciais. Propôs ele ontem até mesmo a cassação de mandatos de Deputados da esquerda, mas a própria liderança do seu partido se mostrou intensa à tese.

De qualquer forma o clima criado manteve a hesitação, senão o pânico, nas fileiras oposicionistas, permitindo que o plenário da Câmara, na ausência de temas novos criados pela revolução que ainda não constituiu um Governo, prosseguisse no inquietante clima das horas incertas da crise.

Costa Cavalcânti, um nome
O Coronel Costa Cavalcanti, Deputado por Pernambuco, participou, na sua dupla qualificação, da conspiração vitoriosa. Foi ele o contato com o General Justino Alves Bastos e outros Generais, e seu discurso, pronunciado uma semana atrás, serviu de senha aos militares de todo o País, assim advertidos de que a hora se aproximava.

Carlos Castello Branco

Jornal do Brasil 04/04/1964

http://www.carloscastellobranco.com.br/sec_coluna.php

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  1. H Menon Jr.

    26 de março de 2014 2:31 pm

    A Imprensa medíocre de hoje

    A Imprensa medíocre de hoje foi bem fudamentada na Imprensa medíocre de ontem…

  2. BHZ

    26 de março de 2014 6:10 pm

    Projeto “Opening the Archives”

    Site publica 10 mil documentos americanos sobre a ditadura no Brasil

    FABIANO MAISONNAVE
    DE SÃO PAULO

    26/03/2014 03p8

     

    Em 1968, a CIA concluiu que a “agitação” nas universidades brasileiras se devia a “estudantes profissionais”, que passavam anos sem se formar graças às baixas exigências acadêmicas.

    No mesmo ano, diplomatas americanos testemunhavam o grande entusiasmo do empresariado pelo AI-5, o mais drástico instrumento de exceção da ditadura militar.

    Esses relatos são apenas dois exemplos do acervo de 9.872 documentos norte-americanos produzidos entre 1963 e 1977 sobre o Brasil que o projeto inédito “Opening the Archives” (abrindo os arquivos) passa a publicar na internet a partir de hoje.

    Resultado de uma parceria entre as universidades Brown (EUA) e Estadual de Maringá (UEM), do Paraná, o projeto digitalizou e indexou material do Departamento de Estado e da CIA. Quase todos estavam acessíveis apenas nos Arquivos Nacionais, na região da capital Washington.

    Por enquanto, o site tem cerca de 2.000 documentos. O acervo ficará totalmente disponível até 10 de abril, quando será lançado oficialmente durante simpósio da Brown sobre a ditadura.

    “O projeto oferece a possibilidade de uma análise mais detalhada sobre os contatos cotidianos entre os americanos e os brasileiros que assumiram o poder em 1964”, disse à Folha o historiador James Green, da Brown.

    “Com o livre acesso a essa documentação, será possível fazer um acompanhamento mais exato sobre como Washington apoiou e às vezes criticou as novas políticas dos governos de Castello Branco, Costa e Silva e Médici”.

    Para fazer a digitalização, 12 pesquisadores americanos e brasileiros passaram três meses em Washington. O custo foi de US$ 75 mil, bancado pelas duas universidades.

    Faltam ainda 10 mil documentos. Green estima que a segunda etapa custará US$ 50 mil, mas, por enquanto, não há financiamento.

    O endereço da página na internet é: library.brown.edu/openingthearchives

    editoria de arte/folhapress

     

  3. autonomo

    26 de março de 2014 9:04 pm

    Diferentemente do que os

    Diferentemente do que os defensores do golpe afirmam, para justificar a derrubada de um governo eleito pelo povo, não havia a intenção por parte de Jango, nem a menor possibilidade de um golpe de esquerda.

    O presidente não tinha ao seu lado nenhum dos comandantes militares, a não ser o do regimento gaúcho.

    Todos os meios de comunicação, a exceção do jornal  Ultima Hora, faziam enorme campanha contra ele.

    As organizações de esquerdas estavam todas divididas.

    Jango lutou pelas reformas de bases necessárias e no final apenas  para conseguir manter o seu governo ate as proximas eleições.

    O generalato, desde ou mesmo antes de sua posse, conspirava contra ele.

    Mas, mesmo apoiados por uma feroz campanha mantida pela mídia, os generais conspiradores não conseguiam mover as tropas dos quarteis contra o governo.

    Os cabos, sargentos e oficiais médios não se convenciam de que Jango era “um perigoso comunista” a ser derrubado.

    E era mesmo difícil colar essa imagem num politico conciliador, simpático, pessoalmente muito rico, aberto a todos.

    Foi ai que surgiu o golpe fatal, orquestrado por organizações estrangeiras especializadas na derrubada de governos.

    É triste admitir a sagacidade do inimigo, mas foi um golpe de mestre.

    O momento escolhido foi minuciosamente estudado. Justamente nas ferias do presidente em São Borja, no sul do pais.

    Com Jango distante, surge, repentinamente na historia, o sinistro cabo Anselmo mobilizando uma greve de marinheiros.

    Nada mais inconveniente para o governo e para o pais do que aquele movimento grevista, naquele momento politicamente explosivo.

    As demandas dosmarinheiros eram as mais inoportunas, diante das circunstancias. Isto é, direito de casar, de ferias mais longas.

    O governo e o pais foram pegos de surpresa.

    Jango voltou as pressas, reuniu seus comandantes militares e o almirante Ministro da Marinha, unico oficial graduado daquela força com ideias legalistas, arejadas, aconselhou Jango a prender imediatamente todos os grevistas.

    Eram 5 mil.

    Não havia prisão para tanta gente.

    Tiveram que ser levados ao Maracanã.

    A tropa de fuzileiros destacada para prende-los era comandada por um coronel do Exercito.

    Ao chegarem no local da greve, sindicato dos metalurgicos, convocados pelo sinistro cabo Anselmo,  no megafone, eles abandonaram o comandante falando sozinho no meio da rua e depois de deixarem suas armas e capacetes no chão engrossaram o grupo dos grevistas.

    Era tudo o que faltava para o golpe.

    Sem isso Jango não teria caido, os generais não conseguiriam tirar as tropas dos quarteis.

    Mas a imagens do coronel sozinho no meio da rua, com as armas e caminhões abandonados foi usada ininterruptamente pela imprensa para assustar os oficiais de mando.

    O mantra difundido era que não havia mais respeito dos soldados aos superiores.

    Foi o que colocou os militares indecisos contra o governo.

    O final dessa historia  todo mundo conhece, durante duas decadas o Brasil viveu uma noite escura, onde imperou o medo, a violencia, a censura entre as pessoas.

  4. Gilberto Cruvinel

    26 de março de 2014 9:37 pm

    Terra em Transe, por Sérgio Augusto

     

    Se Jango foi a primeira vítima do golpe e cabo Anselmo, seu primeiro vilão, Cony foi seu primeiro herói nacional; ali brigando pela pole position com Sérgio Porto. Na imprensa, sem sombra de dúvida. 

    Sérgio Augusto – O Estado de S.Paulo – 22/03/2014

    Na noite de 30 de março de 1964, este escriba, então um mancebo de 22 anos, marombava na redação do Correio da Manhã à espera de duas coisas: a prova da primeira página do Segundo Caderno do dia seguinte e uma carona de carro para a zona sul da cidade. Queria lamber a cria de uma reportagem sobre a expansão, na música pop, da expressão “yeah, yeah”. O País imerso na maior crise político-militar e eu, mais por fora do que Fabricio Del Dongo na batalha de Waterloo, plugado no sim, sim de Ray Charles, Beatles e Dionne Warwick, e nos prazeres que me aguardavam num bar do Posto 6.

    Antes de deixar a redação, passei os olhos na prova da primeira página do primeiro caderno, a primeirona, “la une”, como dizem os franceses, e deparei com um baita editorial, intitulado “Basta!”. Com uma abertura ciceroniana (“Até que ponto o presidente da República abusará da paciência da Nação?”) e um fecho veemente: “O Brasil já sofreu demasiado com o governo atual. Agora, basta!”. Pensei comigo, “isso vai dar merda”, pressentimento robustecido quando li, na manhã de 1.º de abril, a segunda catilinária do jornal, cujo título dizia tudo: “Fora!”. Àquela altura, os tanques já estavam nas ruas.

    Embora fosse o jornal mais influente do País, junto com o Estadão, aqueles dois editoriais não serviram de senha à conspirata civil-militar. O Correio defendera a posse de Jango e o respeito à Constituição três anos antes, era visceralmente legalista, mas julgava, com razão, que ao governo João Goulart faltavam seriedade, autoridade e até base militar, opinião compartilhada por sua equipe de editorialistas, composta, entre outros, pelo trotskista Edmundo Moniz, Otto Maria Carpeaux, Newton Rodrigues, Oswaldo Peralva, Carlos Heitor Cony e José Lino Grünewald.

    Atribuídos ao primeiro, de ascendência indiscutível sobre os demais editorialistas, até por ser parente da dona do jornal, Niomar Moniz Sodré, aqueles dois históricos editoriais sempre me pareceram uma obra coletiva. Chegaram a apontar Cony como seu autor, mas a despeito de seu apreço pela reprimenda de Cícero a Catilina (até hoje Cony me saúda assim: “Sergiusque tandem!”, dispensando o “abutere patientia nostra”), ele não poderia sequer ter sugerido a abertura do “Basta!” por estar afastado da redação, convalescendo de uma apendicectomia.

    Na época, além de integrar o time de editorialistas, Cony publicava crônicas na primeira página do Segundo Caderno, alternando por algum tempo com Carlos Drummond de Andrade e, na época do golpe, com outro romancista, Octávio de Faria. Naquele espaço, exercitava-se livremente na “arte de falar mal”, na maledicência benigna, movida a ironia, ceticismo e sem parti-pris ideológico. Uma vez por semana dava suas cotações no Conselho de Cinema do jornal, cópia do Conseil des Dix da revista Cahiers du Cinéma, coordenado por este seu criado, obrigado, e do qual Zé Lino também fazia parte. Cony entende um bocado de cinema e até escreveu um livro sobre Chaplin. Antes de entrar na faca, publicou uma série de crônicas sobre outra de suas paixões, Ary Barroso, morto durante o carnaval de 1964.

    Se Jango foi a primeira vítima do golpe e cabo Anselmo, seu primeiro vilão, Cony foi seu primeiro herói nacional; ali brigando pela pole position com Sérgio Porto. Na imprensa, sem sombra de dúvida. Livre do resguardo, fez sua rentrée em 7 de abril com uma crônica intitulada “Da salvação da pátria”, em que relatava seu primeiro contato com a soldadesca revolucionária ao sair de casa para uma volta pós-operatória no quarteirão onde morava, em Copacabana. Reconfortante deboche da arrogância e das paranoicas patriotadas dos milicos, essa crônica assinalou o surgimento de um novo Cony, não mais o praticante folgazão da arte de falar mal, mas, a partir do primeiro ato institucional baixado pelo novo governo, em 9 de abril, o implacável ocupante de uma coluna rebatizada O Ato e o Fato.

    “O que houve foi um simples golpe de direita para a manutenção de privilégios”, sintetizou Cony. Três dias depois, uma bordoada no “patriotismo estéril” dos revolucionários. Na crônica seguinte lançou a expressão “revolução dos caranguejos” e recebeu sua primeira ameaça de morte. Fanáticos armados, sedentos por vingar o brio e a honra dos militares, cercaram o prédio em que ele morava e suas filhas, de 13 e 9 anos, atormentadas por sucessivos telefonemas obscenos, tiveram de ser levadas para a casa de um amigo.

    À fascistoide truculência o Correio reagiu com um enérgico editorial e Cony com esta advertência: “Sou um homem desarmado, não tenho guarda-costas nem medo. Tenho, isso sim, uma obra literária que, bem ou mal, já me dá uma razoável sobrevivência. Esse o meu patrimônio, essa a minha arma. Qualquer violência que praticarem contra mim terá um responsável certo: general Costa e Silva, ministro da Guerra, Rio – e, infelizmente – Brasil”.

    A primeira leva das crônicas indignadas de Cony resultou num livro, O Ato e o Fato, lançado em junho pela Civilização Brasileira, com prefácio do editor Enio Silveira, orelhas de Hermano Alves e Mário da Silva Brito, mais apêndices de Carpeaux, Edmundo Moniz e Márcio Moreira Alves. Evaporou nas livrarias em menos de uma semana; e em 12 meses já contabilizava cinco reedições. Multidões superlotavam as noites de autógrafos do cronista, desconhecidos lhe agradeciam, comovidos, pela bravura de suas diatribes e pela ajuda que eventualmente prestara a algum parente preso ou desaparecido.

    Cony acabaria preso pela primeira vez em novembro de 1965, por sua participação no episódio dos “Oito do Glória”. Na abertura de uma conferência da Organização dos Estados Americanos no Hotel Glória, do Rio, ele e mais Glauber Rocha, Antonio Callado, Márcio Moreira Alves, o cineasta Joaquim Pedro de Andrade, o diretor de teatro Flávio Rangel, o diretor de fotografia Mário Carneiro e o embaixador Jaime Rodrigues abriram uma faixa denunciando a ditadura recém-instalada, deram uma vaia, e foram presos no ato, além de qualificados de “moleques” pelo jornal O Globo.

    Glauber e Callado ficaram na mesma cela de Cony. Quatro dos oito “moleques” aproveitaram a clausura de quase um mês para tocar adiante quatro obras afins e fundamentais para a cultura brasileira: Glauber escrevendo o roteiro de Terra em Transe (em papel de embrulho); Callado terminando Quarup; Cony iniciando Pessach; e Joaquim Pedro tendo o lampejo de Os Inconfidentes. Esses eram os verdadeiros revolucionários. Os verdadeiros moleques estavam no poder.

  5. rmoraes

    26 de março de 2014 9:58 pm

    obra disponível para consulta

    Para os que quiserem conferir, os escritos de Carlos Castello Branco estão integralmente disponíveis em http://www.carloscastellobranco.com.br/sec_textos.php

    abs generalizados.

    1. rmoraes

      26 de março de 2014 10:01 pm

      hum… chovi no molhado….

      hum… chovi no molhado….

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