7 de junho de 2026

Parada do Orgulho LGBT+ de SP coloca o voto no centro do debate

Para os organizadores, conscientizar a população LGBT+ sobre a importância de eleger representantes comprometidos com seus direitos é tão urgente quanto qualquer outra pauta de rua
Crédito: Elaine Cruz/ Agência Brasil

A 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de SP celebrou 30 anos na Avenida Paulista com o tema sobre voto e direitos LGBT+.
Evento destacou avanços legais como união estável e criminalização da LGBTfobia, mas pede leis específicas.
Organizadores alertam para queda de 60% em patrocínios e reforçam importância do voto em eleições municipais.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Com uma urna gigante emoldurando a Avenida Paulista e uma multidão agitando leques ao som dos trios elétricos, a 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo tomou as ruas neste domingo (7). Para marcar três décadas de existência, o evento escolheu o tema “30 Anos Parada SP: A rua convoca, a urna confirma”, um chamado à participação democrática e à importância do voto na defesa dos direitos da população LGBT+.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A primeira edição da Parada paulistana aconteceu em 1996, na Praça Roosevelt. No ano seguinte, o evento migrou para a Avenida Paulista, onde se consolidou como um dos maiores do mundo. Ao longo dessas três décadas, o desfile foi palco de debates que anteciparam conquistas históricas: a união estável homoafetiva, o direito à identidade de gênero, a adoção por casais do mesmo sexo e a criminalização da LGBTfobia são alguns dos temas que passaram pela avenida antes de chegarem aos tribunais.

“Em 2005 tratamos sobre o direito à união estável e, uma década depois, isso foi reconhecido pelo STF. Já tratamos sobre a criminalização da LGBTfobia, trouxemos esse tema em 2006 e, depois, o STF equiparou a questão ao crime de racismo”, relembrou Matheus Emílio Pereira da Silva, diretor da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP). “Todos esses temas, antes de estarem nos tribunais, passaram pela Avenida Paulista.”

Apesar das vitórias acumuladas, Silva aponta que o caminho ainda não terminou. “A gente precisa de um compromisso do nosso Legislativo para assegurar esses direitos na letra da lei, e não apenas com decisões judiciais, como temos atualmente”, ressaltou.

Resistência

É nesse contexto que a edição de 2026 mira nas eleições municipais. Para os organizadores, conscientizar a população LGBT+ sobre a importância de eleger representantes comprometidos com seus direitos é tão urgente quanto qualquer outra pauta de rua.

“É importante falar sobre isso para que as pessoas votem em quem legisle para o povo, e não apenas para si”, defendeu Silva.

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, também presente ao evento, destacou a campanha do ministério, intitulada “O Brasil é de Todas as Cores: Para Todas as Pessoas”, e anunciou o envio ao Congresso Nacional da Política Nacional de Direitos LGBT, que abrange desde inclusão produtiva até o enfrentamento da violência contra pessoas LGBTQIA+.

A secretária Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat, acrescentou que um acordo técnico firmado com o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai permitir, pela primeira vez, a produção de dados governamentais sistematizados sobre a violência contra a população LGBT+. “A partir daí, vamos construir protocolos mais institucionais que ajudem em todo o processo, desde o acolhimento da denúncia até o sistema de justiça”, explicou.

Menos patrocínio

A edição comemorativa, porém, chegou com menos recursos. Os organizadores relatam uma queda de 60% na receita com patrocinadores em relação ao ano anterior, impacto que se refletiu tanto na estrutura do evento quanto nas ações sociais e culturais promovidas pela APOLGBT-SP ao longo do ano. O número de trios elétricos encolheu: foram 14 neste ano, contra 17 em 2025 e 19 em 2023.

Ainda assim, o público chegou cedo à Avenida Paulista, que recebeu o cortejo a partir das 10h. O desfile seguiu pela Rua da Consolação até a Praça da República, com shows de Pabllo Vittar, Gloria Groove, Urias, Pepita, Diego Martins, Jup do Bairro, Melody, MC Soffia e outros artistas.

*Com informações da Agência Brasil.

LEIA TAMBÉM:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados