10 de junho de 2026

Tarifação de Trump pode ter resultado inverso, diz WSJ

Anúncio de quarta-feira não apenas surpreendeu mercados, como pode deixar vários países à beira da recessão. Inclusive os EUA
Gage Skidmore - Flickr

A tarifação global anunciada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump representa uma aposta incerta na mudança de uma relação global que Trump diz que, por décadas, roubaram os EUA – embora o país tenha saído da pandemia como “a inveja de seus pares do mundo rico”.

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O anúncio de Trump na última quarta-feira surpreendeu os mercados, ao determinar aumentos de tarifas sobre os principais parceiros comerciais do país, incluindo 20% para a União Europeia e 34% para a China.

Cálculos do banco JP Morgan Chase indicam que o imposto sobre bens importados, que inclui um aumento geral de pelo menos 10% em todos os países, aumentará as tarifas médias ponderadas gerais para 23% — a mais alta em mais de 100 anos — de 10% antes do anúncio e 2,5% no ano passado.

Segundo o Wall Street Journal, as ações de Trump abrem a possibilidade de um “choque estagflacionário que aumenta os preços enquanto coloca mais economias, incluindo os EUA, em risco de recessão”.

A publicação também destaca que os aumentos de Trump “são particularmente drásticos”, uma vez que não possuem isenções para os dois terços das importações que normalmente vêm isentas de impostos, como café, chá e bananas, que não são produzidos em quantidades significativas internamente.

Além disso, a taxação vai cobrir uma gama muito maior de produtos do que no embate entre China e Trump em 2019: a Nike produz metade de seus calçados no Vietnã, que enfrenta uma tarifa de 46%, e uma rede de fabricantes de eletrônicos de consumo na China, Taiwan e Coreia do Sul enfrentará tarifas de pelo menos 25%. As tarifas isentam petróleo, gás e produtos refinados.

Economistas destacaram que, se a política tributária de Trump não for revertida, tal plano pode rivalizar com a decisão do presidente Richard Nixon de 1971 de anular acordos criados pelos EUA e seus aliados de guerra durante a Segunda Guerra Mundial, quando Washington concordou em trocar dólares por ouro a uma taxa de US$ 35 a onça.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    5 de abril de 2025 10:14 am

    Eu li que:

    “A alta da inflação pressiona o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) a manter a taxa básica de juros do país em níveis elevados. Os efeitos são muitos: a economia americana desacelera mais, o dólar pode ganhar força contra outras moedas — e assim puxar a inflação em outros países”.

    Se a economia estadunidense arrefece, como o dólar pode se valorizar, já que seu poder aquisitivo diminui?

    Trump quer criar empregos atraindo empresas para os EUA logo agora, em que a ONU afirma que a IA pode impactar negativamente em 40% os empregos a nível mundial. Retardatário

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