19 de junho de 2026

Reforma do IR cria constrangimento moral para super-ricos, diz Haddad

Ministro da Fazenda reafirmou que o projeto enviado ao Congresso há cerca de um mês baseia-se na justiça social
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil. | Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

da Agência Brasil

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Reforma do IR cria constrangimento moral para super-ricos, diz Haddad

por Wellton Máximo

A reforma do Imposto de Renda (IR) cria um constrangimento moral para o país, forçando uma discussão na sociedade sobre a desigualdade tributária, disse nesta quarta-feira (16) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, o ministro disse que o projeto enviado ao Congresso há cerca de um mês baseia-se na justiça social.

Para o ministro, a busca pela redução das desigualdades sociais por meio do pagamento de tributos pelos mais ricos deixa os opositores sem argumento para se contrapor à reforma do Imposto de Renda.

“Acredito que criamos um constrangimento moral no país. O que está sendo dito? O que está errado? A gente está a fim. Dá para melhorar? Óbvio! Você tem uma ideia melhor? Até agora não apareceu”, declarou Haddad, dizendo que o governo está aberto a contribuições que melhorem o projeto.

Na avaliação de Haddad, o constrangimento moral de ser retratado como defensor da desigualdade tem inibido inclusive a proliferação de fake news sobre as mudanças no Imposto de Renda. Inclusive porque a proposta tem impacto fiscal zero e não fará o governo arrecadar mais, apenas redistribuirá renda.

“Quando bota uma coisa na mesa, a primeira coisa que acontece do lado de lá é o cara falar: ‘como posso mentir para a população?’ E ficou todo mundo: ‘o que a gente faz com esse projeto?’ Nem fake news estão conseguindo fazer”, acrescentou o ministro.

Andar de cima

O ministro comparou a tributação dos super-ricos com o caso do morador de uma cobertura que não paga condomínio. “Eu diria que [a lógica do projeto] é quem ganha muito, começa a pagar alguma coisa, para a gente desonerar quem ganha até R$ 5 mil. Lá no andar de cima, na cobertura, não vai doer se o cara começar a pagar condomínio”, justificou Haddad, ao responder se a lógica da reforma seria tributar mais quem ganha mais e desonerar quem ganha menos.

O governo propõe a isenção de IR a 10 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil por mês e o aumento do desconto para 5 milhões que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7 mil. Em troca, pretende aumentar o IR para quem ganha a partir de R$ 50 mil por mês (R$ 600 mil por ano) e introduzir uma alíquota mínima de 10% para quem recebe R$ 100 mil mensais (R$ 1,2 milhão por ano).

Atualmente, cerca de 141 mil pessoas que recebem a partir de R$ 50 mil por mês pagam apenas 2% de alíquota efetiva do Imposto de Renda. Isso porque a maior parte dos rendimentos dos super-ricos vem de dividendos, isentos de tributação, ou mascarado com renda de pessoas jurídicas.

Décimo quarto salário

Haddad apresentou estatísticas sobre a desigualdade do sistema tributário brasileiro. O ministro ressaltou que, em algumas profissões, como o professor de escola pública e o policial que ganham até R$ 5 mil, a isenção equivalerá, na prática, a um décimo quarto salário.

“Quem ganha R$ 1 milhão para cima paga 2% de alíquota. O sistema tributário brasileiro é considerado um dos dez piores do mundo. Vamos combinar que quem ganha R$ 1 milhão por ano no Brasil são os super-ricos. Legal ele ganhar. Mérito dele, talento dele. Mas não paga nem 2% de Imposto de Renda, contra um policial e uma professora que paga isso”, declarou o ministro.

Programa de governo

Para o ministro, a reforma do Imposto de Renda pretende reduzir desigualdades históricas do Brasil. “Esse projeto tem um único fundamento: buscar justiça social. Não queremos arrecadar um centavo a mais, um centavo a menos. Queremos buscar uma coisa que este país demora a conquistar. Até a abolição da escravidão no Brasil foi tardia. Fomos o último país a abolir a escravidão”, destacou.

Haddad lembrou que o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva o convidou para ser ministro da Fazenda em novembro de 2022, durante a 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 27), no Egito. Na ocasião, Haddad explicou que só aceitaria o cargo se Lula concordasse com plataformas históricas da esquerda brasileira, como a cobrança de impostos sobre os mais ricos e a revisão de benefícios fiscais a grandes empresas que aumentam as desigualdades.

“Vou resgatar o piso da educação e da saúde, botar o rico no Imposto de Renda, como o senhor falou na campanha, tem empresa com benefício que não faz nada pelo país, vamos ter que enfrentar esses caras. A partir daí, fomos construindo o que seria a política econômica”, recordou Haddad na entrevista.

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3 Comentários
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  1. Lênin & The Ullianovs

    17 de abril de 2025 9:54 am

    Noooooooooooooooossa, os ricos estão bem constrangidos, dá para notar…

    Se esse cara de pau descongelasse a tabela do IRPF, congelada há anos, a faixa de 5.000 reais já estaria isenta faz tempos.

    Ah, e claro, deveriam ser criadas faixas para as rendas superiores, e não essa alíquota vergonhosa que o Insper-Boy propôs…

    Um exemplo?

    Inglaterra:

    Até 12.570 0% (Isenção)

    12.571 –50.270 20%

    50.271 – 150.000 40%

    Acima de 150.000 45%

    A taxa básica é de 20% e é paga sobre rendimentos anuais entre £ 12.571 e £ 50.270. A taxa mais alta é de 40% e é paga sobre rendimentos entre £ 50.271 e £ 125.140. Ao ganhar mais de £ 100.000, você também começa a perder o subsídio pessoal isento de impostos de £ 12.570.

    Os ingleses têm poucas faixas, porque há uma enorme gradação de subsídios (como para pagar aluguéis, e transporte público) além de um sistema como o NHS, e educação, bem, dizer o que da educação deles, né?

    ATENÇÃO: Inglaterra, onde o neoliberalismo foi parido por Margaret, onde os conservadores dominam há anos, com exceção de curtos períodos de trabalhismo-conservador, um tipo de PT que eles têm por lá.

    O problema, eu sei, não é o Lula ou desse cretino do Haddad, é eu que nasci do lado colonizado do mundo…é esse o problema.

  2. José Carvalho

    17 de abril de 2025 5:26 pm

    Isentar da cobrança o imposto de renda das pessoas que recebem até os 5 mil reais, não é uma questão difícil de aceitar. O Brasil tem tanta dificuldade de receber os impostos aplicados a pessoas ricas, que o problema será que elas concordem. Para a sociedade, ninguém vai discutir o mérito de cobrar impostos de quem ganha acima de 50 mil reais e paga muito menos do que teria que pagar. Nesse momento políticos e partidos não estão se colocando sobre o assunto. Com ou sem constrangimento deles próprios ou dos que possuem esses níveis de ganhos, tentarão impedir a mudança. Salários no País são considerados estorvos e um meio de competitividade. Não é visto como forma de romper o encastelamento social que barra o País e o impede de expandir em várias fronteiras. As parcelas de isenção concedidas a vários tipos de empresas foi aproveitado de que forma ao sucesso das empresas.

  3. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    18 de abril de 2025 7:46 am

    Embora sejam extremamente ricos, os super ricos são extremamente pobres de moral. Portanto, não adianta apelar para a moral de quem não a tem.

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