4 de junho de 2026

Moradores fazem aniversário para filhos de Claudia e cobram providências

Ao completar sete dias sem a mãe, os filhos gêmeos de Claudia Silva Ferreira ganharam hoje (23) uma festa de aniversário. No alto da comunidade Congonha, em Madureira, voluntários e moradores organizaram a comemoração na praça batizada com o apelido de Claudia, Cacau. A auxiliar de serviços gerais morreu depois de ter sido baleada durante operação policial no morro, quando saia para comprar pão. A vítima chegou a ser socorrida e colocada no camburão de viatura da polícia, de onde caiu e foi arrastada no chão por cerca de 300 metros.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O aniversário de dois dos oito filhos de Claudia, sendo quatro adotados, foi organizado com a ajuda da vizinhança e de voluntários. A comemoração teve doces, salgados, refrigerantes e presentes para garotada. “Ela [Claudia] já queria fazer a festa. Todo mundo se reuniu para realizar essa vontade”, disse um dos filhos, Angelo Gabriel Ferreira, de 14 anos.

Rio de Janeiro - Júlio Cesar Ferreira, irmão de Cláudia Ferreira da Silva, mostra marcas de tiro no local onde a auxiliar de serviços gerais foi baleada no Morro da Congonha (Fernando Frazão/Agência Brasil)

 Júlio Cesar Ferreira, irmão de Claudia Ferreira da Silva, mostra marcas de tiro no local onde a auxiliar de serviços gerais foi baleada no Morro da Congonha  Fernando Frazão/Agência Brasil

Durante a festa, o marido de Claudia, Alexandre Fernandes da Silva, cobrou que o episódio mude a cultura da Polícia Militar. “Sei que o que ocorreu comigo já aconteceu em várias comunidades, mas não dessa proporção, então, creio que o governador [Sérgio Cabral], que o secretário de Segurança [José Mariano Beltrame] olhem para cá”. A família quer que os envolvidos na morte sejam condenados e cobrará reparação por Claudia ter sido arrastada pela viatura policial. As cenas foram gravadas por um cinegrafista amador.

 “Vamos em busca de todas as formas legais para que os culpados paguem. Aguardamos que se faça justiça”, disse Diego Gomes, amigo da família. “Quem provocou essa atrocidade, em todos os aspectos, desde o tiro, desde colocar no camburão, até arrastar ela na rua”, acrescentou.

Moradores de Congonha aproveitaram o evento também para denunciar ações truculentas da Polícia Militar (PM) na comunidade. Relataram abusos nas revistas, no trato com as mulheres e nas operações. “Eles não têm respeito com morador, xingam, tem que acabar com isso”, disse Marília Regina Ferreira. “O morro tem morador, não é só bandido”, completou. A dona de casa Cláudia Regina contou que crianças ficam em risco. “As operações coincidem com a saída da escola, quando estão no caminho para casa ou brincando na rua”.

Na última semana, os policiais que arrastaram Claudia foram soltos.

Os moradores ainda cobram serviços públicos. “Precisamos desde intervenções em infraestutura, têm encostas que estão caindo, a rede de iluminação e de energia é precária, falta manutenção nas ruas, tirar o lixo acumulado, até serviço social. Os jovens estão abandonados, não tem o que fazer, e famílias precisam de apoio”, cobrou Diego Gomes.

Para a moradora Cristina Ferreira, além da iluminação “que ajudaria a resolver problemas de segurança e daria condições mais dignas” de vida aos moradores,  é preciso podar a vegetação com urgência. “Ali, onde a Claudia morreu, o mato está altíssimo. Precisa vir podar em toda a comunidade. Depois, tem que melhorar a limpeza. Ninguém vem aqui em cima tirar o lixo”, reivindicou.

Procurada pela reportagem, PM pede que a comunidade denuncie casos de abusos por parte de policiais. As denúncias podem ser feitas para Ouvidoria, pelo telefone 3399-1199, ou para o Disque-Denúncia, 2253-117.

A prefeitura do Rio não se manifestou sobre as reclamações dos moradores até a publicação da reportagem.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Frederico69

    24 de março de 2014 2:00 pm

    é mesmo??

    “Procurada pela reportagem, PM pede que a comunidade denuncie casos de abusos por parte de policiais. As denúncias podem ser feitas para Ouvidoria, pelo telefone 3399-AMARILDO”

  2. Maria Luisa

    24 de março de 2014 2:41 pm

    Politica de exterminio

    Os admiradores de Beltrame devem estar satisfeitos com sua policia higienista. Esse é o “grande” secretario de Segurança Publica, do qual muitos defendem sua politica de exterminio. Ele e o Cabral ja podem levar o troféu de maiores do ano. 

    1. Ivan de Union

      24 de março de 2014 8:29 pm

      Adoro seus comentarios mas

      Adoro seus comentarios mas dessa vez vou ter que discordar.  Os mesmos sinais do higienismo brasileiro ja existiam ha 45 anos atraz.  Nao eh politica de Cabral -de Alckimin eu ate acreditaria, mas de Cabral nao.  Nao ha como se enganar a respeito disso:  eh politica militar oficial de acao “policial”.

      Essa eh a unica teoria de mente que eles entendem.  E essa eh a razao que eles deveriam tirar o cavalinho da chuva e sumir do Brasil.

  3. drigoeira

    24 de março de 2014 5:07 pm

    Fica tranquilo…

    Não vai mudar nada, tudo continua como antes.

    Os policiais não serão presos, receberão punição administrativa e só.

    Se a família conseguir alguma indenização será muito.

    Agora se algum familiar quiser subir no palanque do Governador, a gente topa.

Recomendados para você

Recomendados