4 de junho de 2026

Papa corinthiano, por Heraldo Campos

Papa Francisco, um humanista sensível às mudanças climáticas, passou várias mensagens durante seu papado de pouco mais de 12 anos
Sócrates, em foto publicada no Fórum do Meu Timão em 19/02/2022 por Gi Frade.

Papa corinthiano

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por Heraldo Campos

“O Planeta Terra quer diálogos. Ele vive nos lembrando que, com relação a gestão dos recursos hídricos, por exemplo, sejam eles superficiais ou subterrâneos, o homem acaba por retirar mais água do que deve dos corpos d’água, causando desperdício e, não raras vezes, por desatenção e negligência com o meio ambiente e as fragilidades dos reservatórios de água que abastecem as populações, provoca contaminações muitas vezes irreversíveis.” [1]

“O Aquífero Guarani é da época dos dinossauros. Muito antigo. Esse mega reservatório de águas subterrâneas, que se estende na região do Cone Sul, distribuindo-se em área na Argentina, Brasil (oito estados), Paraguai e Uruguai, atende a demanda de abastecimento de água para milhares de pessoas, assim como supre a agricultura e a indústria com seu precioso líquido.

Principalmente nos últimos 30 anos passados, muito se discutiu nacional e internacionalmente, em vários eventos técnico-científicos, a sua gestão compartilhada, pelo fato da água se tratar de um bem público e pertencer aos povos que habitam essa região do planeta. Durante os acalorados debates nos fóruns de discussão sobre como o Aquífero Guarani deveria ser tratado e administrado pelos quatro países, nem sempre o tema da água como mercadoria ou como uma “commodity” era passado em branco, defendido por aqueles que querem sempre ‘levar uma vantagem em tudo, certo?’.” [2]

Nesse contexto, o Papa Francisco, um humanista sensível às mudanças climáticas, passou várias mensagens durante seu papado de pouco mais de 12 anos, para que caminhássemos adiante nos diálogos com nosso maltratado Planeta Terra. Assim sendo, muito bem lembrou o teólogo e escritor brasileiro Leonardo Boff em seu recente artigo, com esse trecho: “Pela primeira vez na história do papado, o Papa Francisco recebeu, por várias vezes, os movimentos sociais mundiais. Via neles a esperança de um futuro para a Terra, porque a tratam com cuidado, cultivam a agro-ecologia, vivem uma democracia popular e participativa. Repetiu-lhes muitas vezes o direito que lhes é negado,os famosos três Ts: Terra, Teto e Trabalho. Devem começar de lá onde estão: na região, pois aí se pode construir uma comunidade sustentável. Com isso legitimou todo um movimento mundial, o bioregionalismo, como forma de superação da exploração e da acumulação de poucos e com mais participação e justiça social para muitos.” [3]

Todos sabemos que o Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires, era torcedor do Club Atlético San Lorenzo de Almagro, campeão das Copas Libertadores da América, da Sul-Americana e várias vezes campeão argentino. Mas, quem sabe, se numa hipótese ele fosse brasileiro, não seria um Papa corinthiano e se perguntado quem foi melhor, Pelé ou Maradona, com seu conhecido senso humor, não responderia: Sócrates!, do meu querido Corinthians [4].  

“Hoje a natureza que nos rodeia já não é mais admirada, mas ‘devorada’. É preciso voltar a contemplar; para não nos distrairmos com mil coisas inúteis, é preciso reencontrar o silêncio; para que o coração não adoeça, é preciso parar.” – Papa Francisco.

Fontes

[1] “O Planeta Terra quer diálogos” artigo de Heraldo Campos de 20/12/2023.

https://www.ihu.unisinos.br/categorias/635411-planeta-terra-quer-dialogos-artigo-de-heraldo-campos

[2] “Aquífero Guarani e Corinthians” artigo de Heraldo Campos de 30/04/2021

https://www.ihu.unisinos.br/categorias/608808-aquifero-guarani-e-corinthians

[3] “O Papa Francisco não é um nome mas um projeto de Igreja” artigo de Leonardo Boff de 21/04/2025.

[4] “Meu querido Corinthians” artigo de Heraldo Campos de 24/04/2024.

Heraldo Campos é geólogo (Instituto de Geociências e Ciências Exatas da UNESP, 1976), mestre em Geologia Geral e de Aplicação e doutor em Ciências (Instituto de Geociências da USP, 1987 e 1993) e pós-doutor em hidrogeologia (Universidad Politécnica de Cataluña e Escola de Engenharia de São Carlos da USP, 2000 e 2010).

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