Jornal GGN – Os bancos brasileiros têm capacidade para resistir ao impacto de uma forte queda nos preços de imóveis residenciais, segundo simulação elaborada pelo Banco Central e divulgada em seu último Relatório de Estabilidade Financeira. A simulação foi feita devido à importância da oscilação de preços de imóveis para a estabilidade financeira.
Segundo informações da Agência Brasil, o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, afirmou que a simulação foi feita com base na queda de preços de imóveis nos Estados Unidos, que gerou a crise financeira internacional, iniciada em 2008.
Apesar de, em tempos de normalidade, que o valor da venda do imóvel em leilão pelo banco cobrir quase totalmente o valor do empréstimo do inadimplente, o dinheiro recuperado pela instituição financeira após o pregão equivale a apenas 70% do preço da residência. Assim, a insolvência (perda total do capital de um banco) de uma instituição financeira só é declarada quando ocorre uma queda de 55% no preço dos imóveis. E, para que houvesse desenquadramento de algum banco em relação às regras de exigência de capital, teria que ocorrer queda de 45%.
“Ambos os choques são maiores do que a queda acumulada, ocorrida em um período de três anos, entre os valores máximo e mínimo dos imóveis residenciais nos Estados Unidos durante a recente crise do subprime [créditos de alto risco vinculados a imóveis, com garantia insuficiente, o que desencadeou a crise financeira] de 33%”, diz o relatório, ressaltando que o sistema financeiro como um todo não ficaria desenquadrado das regras de exigência de capital, mesmo em casos extremos de desvalorização.
De acordo com a instituição, um dos fatores que explicam a resistência dos bancos é que, no Brasil, geralmente, o imóvel não é totalmente financiado pelo banco. Então, uma parte do imóvel já fica paga. Além disso, o relatório destaca que o sistema de amortização constante (SAC), que é o mais usado, permite redução mais rápida do saldo devedor do que outros sistemas conhecidos, como o Price. Outro fator é que os bancos fazem provisões (recursos reservados para o caso de inadimplência) superiores ao mínimo regulamentar. O BC também considera que a capitalização do sistema financeiro está em níveis elevados.
Anthero Meirelles afirmou que não existe bolha imobiliária no país, e nem sinalização de mudanças bruscas nos preços. “Com certeza pode-se dizer [que não há bolha]. Não tem elementos que possam caracterizar bolha”, destacou. Segundo ele, há bolha quando os preços dos ativos sobem sem nenhuma justificativa econômica. Meirelles acrescentou que os preços de imóveis subiram recentemente, acompanhando o aumento da renda, mas os valores vão se equilibrando à medida em que a demanda por casas é atendida.
Com informações da Agência Brasil
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