10 de junho de 2026

Gripe aviária: O que é e o que o Brasil está fazendo para evitar a disseminação

Com foco confirmado no RS e casos suspeitos em outras cinco regiões, país adota medidas emergenciais para conter avanço do vírus
Gripe aviária tem sido monitorada pela OMS. Foto: Getty Images/The Guardian
Gripe aviária tem sido monitorada pela OMS. Foto: Getty Images/The Guardian

O Brasil está em estado de alerta após a confirmação do primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul.

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O caso, registrado no fim da semana passada e confirmado ainda nesta segunda-feira (19), marca um ponto crítico na vigilância sanitária nacional e resultou na suspensão das exportações de carne de frango e subprodutos para diversos mercados internacionais. Outro foco foi identificado em um zoológico em Sapucaia do Sul, onde cisnes infectados morreram.

Em meio à crise, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que as próximas semanas serão determinantes para conter o avanço do vírus.

“Quando passar 15 dias e não acontecer, a tendência é não surgir um novo caso”, disse ao jornal O Globo.

Ele explicou que o ciclo da doença é de 28 dias e ressaltou que a detecção de casos suspeitos demonstra a eficácia do sistema sanitário brasileiro: “Se estão surgindo (casos suspeitos), é porque o sistema está funcionando e a população está em alerta. Não está esparramando”.

O ministro também defendeu a transparência como ferramenta para manter a confiança dos parceiros comerciais e evitar especulações. “Temos que investigar com total transparência. Ao darmos transparência, transmitimos confiança e isso evita especulação”, indicou.

Casos em suspeita no Brasil

Atualmente, há seis casos sob investigação no país. Em Santa Catarina, uma suspeita em Ipumirim foi confirmada pelo município nesta segunda-feira (19), com amostras já enviadas ao laboratório do Ministério da Agricultura. Outras investigações ocorrem em Aguiarnópolis (TO), Triunfo (RS), Gracho Cardoso (SE), Salitre (CE) e Nova Brasilândia (MT), envolvendo desde granjas comerciais até produções familiares de subsistência.

Como resposta imediata, Santa Catarina proibiu a entrada de aves vivas e ovos férteis oriundos de 12 municípios gaúchos.

“A Cidasc foi lá, avaliou os sintomas das aves e cumpriu o protocolo que é coletar as amostras e enviar para o laboratório do Ministério da Agricultura. Estamos ainda aguardando os laudos”, destacou a presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos.

Apesar da preocupação, o Ministério da Agricultura reforçou que a gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos de aves.

“A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo”, afirmou a pasta em nota.

O governo federal tem atualizado os parceiros internacionais diariamente e acredita que, com a estabilização do surto, mercados que suspenderam as compras — como China e União Europeia — possam limitar os bloqueios apenas aos produtos oriundos do Rio Grande do Sul.

O que é o vírus H5N1?

O H5N1 é um subtipo altamente patogênico do vírus da Influenza Aviária, com rápida disseminação entre aves e elevado índice de mortalidade. O vírus foi isolado pela primeira vez em 1996 na China e, desde então, passou a representar uma ameaça recorrente à avicultura mundial.

Embora o risco de infecção em humanos seja considerado baixo, ele existe principalmente entre profissionais que manipulam aves infectadas. O Brasil, maior exportador de carne de frango do mundo, mobiliza agora todos os esforços para conter o surto, preservar sua cadeia produtiva e manter a confiança do mercado global.

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Milleny Ferreira

Milleny Ferreira é estudante de jornalismo, repórter no Jornal GGN e produtora na TV GGN.

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