22 de junho de 2026

Um governo que desperdiça oportunidades, por Luís Nassif

O país tem grandes vantagens comparativas, na questão da energia verde, das terras raras, potencial agrícola, do mercado de consumo. E mais.
Ricardo Stuckert

É curioso o Brasil. Ontem, participei do 1º Fórum de Engenharia, organizado por dezenas de entidades do setor, preparatório para o 1º Encontro de Engenharia que ocorrerá em Brasilia.

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Houve apresentações de todos os tipos: diagnósticos precisos sobre ferrovias, os desdobramentos das pesquisas da Embrapa, o extraordinário trabalho desenvolvido pelo CGEE (Centro de Gestão de Estudos Estratégicos), as menções aos planos de desenvolvimento que correm individualmente em vários ministérios.

O que se conclui disso tudo? O país tem grandes vantagens comparativas, na questão da energia verde, das terras raras, do potencial agrícola, do mercado de consumo. Não apenas isso. Tem também uma enorme variedade de centros de pensamento estratégico e científico. Mesmo com o terremoto Temer e com o tsunami Bolsonaro, há centros de pensamento estratégico no CGCE, na Finep (Financiadora de Estudos e Pesquisa), no IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), no Banco Central, no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas), em centros de excelência em engenharia – como o COPPE, a Poli, o ITA. Em suma, o pensamento estratégico e tecnológico brasileiro está em linha com o que acontece no mundo industrializado.

Então, o que falta ao Brasil?

Falta visão estratégica da Presidência da República. Nem se diga do governo como um todo. Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio-BNDES, da Fazenda, do Orçamento e Planejamento, de Ciência e Tecnologia, todos eles desenvolvem, por conta própria, seu planos de ações, inclusive com integração de outros ministérios.

Em outros tempos, como atuaria Lula?

Faria reuniões periódicas com os Ministros, cobraria planos e ideias. Entenderia as mais relevantes e chamaria o Ministro responsável para conversar. Questionaria de todos os lados até sentir firmeza. Na reunião seguinte do Ministério, aquele projeto viraria plano de governo, com todos os ministérios envolvidos.

Mais que isso. Estimulou diversas formas de participação da sociedade civil, desde as secretarias para movimentos sociais, até o Conselhão, a ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), os grupos de pensamento reunidos no CGCE. E todos os convidados participavam com a convicção de que as melhores ideias se tornariam planos de ação do governo.

E agora? A estratégia de Lula para 2026 são as chamadas “entregas”, e só. Dia desses esteve em um evento no Mato Grosso, demonstrou que as entregas do governo federal – que é, efetivamente, um governo republicano – superavam em muito as entregas do governo estadual e do governo Bolsonaro. Ótimo! E o que interferiu na sua popularidade?

Tome-se o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Há uma lógica atrás do PAC, as tais vias bioceânicas, que atende interesses do agronegócio, da engenharia, de máquinas e equipamentos, consolida a parceria e o interesse da China. Uma obra que tem profundo papel estratégico, preparando o país para o novo momento da economia mundial, é transformado, na visão de Lula, em um conjunto de entregas isoladas.

Daqui até 2026 será isso: entrevistas a rádios do interior, entrevistas para a Globonews, rádios do interior, CNN, fugindo como o diabo da cruz de qualquer envolvimento com os grupos que assumiram a linha de frente de defesa da democracia no período da Lava Jato, do impeachment e da sua prisão.

Para garantir a paz geral, colocou como anteparo Rui Costa, um Ministro que não acredita em mudanças climáticas, que acha que PM que mata ganha votos e que emperra todos os projetos que passam por ele, antes de chegar ao Lula.

O pior de tudo isso é que, quando se manifesta em eventos internacionais, percebe-se que Lula sabe muito bem quais os aspectos essenciais do desenvolvimento, da geopolítica, o papel da ciência e da tecnologia. Seus discursos – especialmente os de improviso – são uma síntese admirável dos pontos essenciais para um desenvolvimento autônomo.

Quando desce em Brasilia, desaparece. Ou só aparece em eventos que até podem ser relevantes, mas que a timidez política transforma em convescotes.

Tudo isso às vistas de uma mídia que perdeu completamente o senso de país, e que aposta suas fichas no caminho mais direto para a destruição do Estado e da nação brasileira: Tarcísio de Freitas e seus milicianos da PM.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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8 Comentários
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  1. fabricio coyote

    4 de junho de 2025 2:08 pm

    Lula foi gebial: os qie ganham entre 2 e 5 salários mínimos deixaram de descreditar do governo e reverteram a queda nesse segmento, que é de onde se busca e que vira votos. a imprensa fascista tenta colar o crime contra o inss junto com o aumento do iof: nesse caso Lulq deveria usar do espectro eletromagnético e explicar à população que não apoia o congelamento do salário mínino e tampouco a desindexação do bpc/loas do salárii mínimo como advigam os “especialistas” do mercado e que o iof é para os ricos, em progressividade tributária.

  2. Guilherme Souto

    4 de junho de 2025 2:56 pm

    Um governo que desperdiça oportunidades, ou está amarrado a acordos que não sabemos quais são?

  3. Pedro Eneas do Nascimento Neto

    4 de junho de 2025 4:02 pm

    Ponto altamente relevante, ao meu ver: de 2003 a 2010 não existia essa “coisa maluca” do arcabouço fiscal que, na prática, engessou o governo. Já se chega nas discussões e debates importantes com a amarra fiscal. E pior: foi um arranjo criado pelo PRÓPRIO governo.

    Em suma, se o governo não acabar com o teto, o teto vai acabar com o governo. Já está, basta ver as pesquisas…

  4. NELSON VIANA DOS SANTOS

    5 de junho de 2025 7:09 am

    A pesquisa Quaest de ontem mostra a situação do governo. Como Nassif já escreveu anteriormente, chegou a hora de Lula passar o bastão. Desde o início desse governo, os simpatizantes, os progressistas em geral vêm alertando para os problemas. O que fez Lula? Uma “reforma” ministerial a conta gotas. E só. Está fora do país novamente; parece até uma estratégia de fuga dos problemas que ele conhece mas que não tem energia para enfrentar. Um exemplo é o ministro da Casa Civil. Um desastre. Ano que vem, se Lula concorrer, vai tentar vencer a eleição com o mesmo discurso. Na minha humilde opinião, as chances de convencer o eleitorado são pequenas. Voto em Lula desde 1982, mas concluí que o melhor, para esses tempos, era que outro candidato fosse escolhido para enfrentar o fascismo. Até para os admiradores, Lula parece ter parado no tempo.

  5. Antonio Carlos Nunes de Carvalho

    5 de junho de 2025 9:41 am

    Um Conhecedor (com maiúsculo) da realidade Brasileira como Nassif, o que o governo Lula esta esperando para tê-lo em sua equipe? Fica a pergunta…

  6. NELSON VIANA DOS SANTOS

    5 de junho de 2025 5:52 pm

    Antônio, sempre pensei nisso.
    O que a gente lê é que Lula está imerso numa bolha, cercado por figuras que pouco se importam com o país, mas apenas com seus esquemas de poder, vídeo Rui Costa. Outra, só aproveitando as benesses do poder.
    Depois da pesquisa Quaest de hoje, que mostra até que uma figura como Micheque empata com o presidente da República nas intenções de voto, é de se perguntar: falta o quê?

  7. Alex

    28 de junho de 2025 1:38 pm

    Fora tudo isso,NAssif, uma comunicação fraquinha.. tocada por um monte de tiozao… não emulação. A deles, da extrema/direita na mão da meninada! Fazendo uma analogia: é rural Willys contra masseratti!

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