6 de agosto de 2026

Bactéria benéfica encontrada no útero pode melhorar fertilidade de mulheres acima dos 35 anos

Pesquisa identificou queda de Lactobacillus gasseri com o avanço da idade e observou, em testes experimentais, aumento da receptividade endometrial após a intervenção
Mulher grávida
Mulher grávida

Estudo chinês identifica queda do Lactobacillus gasseri no endométrio com avanço da idade reprodutiva feminina.
Testes em camundongos mostram que bactéria e pós-bióticos reduzem envelhecimento e melhoram receptividade uterina.
Pesquisa sugere potencial para tratar infertilidade, mas alerta para falta de testes clínicos em humanos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O declínio da fertilidade feminina costuma ser atribuído à diminuição da reserva ovariana e à queda na qualidade de óvulos e embriões. Mas um novo estudo publicado na revista Cell Host & Microbe aponta para outro elemento que pode influenciar esse processo: o microbioma do endométrio, a camada interna do útero onde o embrião se implanta.

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Cientistas chineses constataram que, conforme avança a idade reprodutiva, há uma perda progressiva de bactérias benéficas, sobretudo da espécie Lactobacillus gasseri. Em testes com células humanas e camundongos, tanto essa bactéria quanto os compostos que ela produz, chamados pós-bióticos, se mostraram capazes de reduzir sinais de envelhecimento no endométrio e de melhorar sua capacidade de acolher o embrião.

Os autores afirmam que as descobertas podem abrir caminho para futuras estratégias voltadas a melhorar a fertilidade em mulheres com idade reprodutiva mais avançada. Eles fazem a ressalva, porém, de que a pesquisa ainda está em fase pré-clínica, sendo necessários novos testes em humanos antes que qualquer tratamento possa ser indicado.

Descoberta

O estudo avaliou amostras de endométrio coletadas de 149 mulheres com idades entre 20 e 45 anos, todas em tratamento contra a infertilidade. Elas foram separadas em três faixas etárias: abaixo de 30 anos, entre 30 e 35 anos, e acima de 35 anos.

Os dados mostraram que as participantes mais jovens tinham quantidades bem maiores de bactérias do gênero Lactobacillus, com destaque para a queda gradual de Lactobacillus gasseri à medida que a idade avançava. Já a diversidade geral da microbiota se manteve praticamente estável, o que sugere que o envelhecimento está ligado, principalmente, à troca de espécies específicas, e não a uma perda geral de variedade bacteriana.

Uma segunda análise, feita com amostras de mulheres com menos de 30 e mais de 40 anos, confirmou esse padrão. As mais jovens, além de terem mais Lactobacillus, também apresentaram níveis mais altos de proteínas ligadas à receptividade endometrial, como HOXA10 e LIF, ambas reduzidas nas mulheres de mais idade.

Relações

As participantes foram acompanhadas por um ano após a coleta das amostras. Nesse período, 93 delas passaram por transferência de embriões, e 56 tiveram gravidez clínica confirmada, sem diferença relevante nas taxas de sucesso entre as faixas etárias.

Ao comparar, dentro de cada grupo etário, quem engravidou e quem não engravidou, os pesquisadores notaram um padrão: as gestantes tinham maior quantidade de Lactobacillus no endométrio, com destaque para o Lactobacillus crispatus. Já entre as que não engravidaram, predominavam o Lactobacillus iners e a Gardnerella vaginalis.

Para os autores, isso indica que a composição da microbiota uterina pode complementar a idade como fator de previsão dos resultados da transferência embrionária.

Na etapa seguinte, os cientistas compararam cinco espécies de Lactobacillus presentes no trato reprodutivo feminino, avaliando critérios como capacidade de aderência às células do endométrio, ação antioxidante e anti-inflamatória, produção de compostos bioativos e efeito contra microrganismos nocivos.

O Lactobacillus gasseri se destacou em praticamente todos os quesitos: maior aderência às células endometriais, forte atividade antioxidante, redução expressiva de substâncias inflamatórias, alta produção de exopolissacarídeos (EPS) e bom desempenho contra microrganismos potencialmente prejudiciais. Por esse conjunto de resultados, foi selecionada para os testes seguintes.

Testes

A bactéria foi então administrada em camundongos com idade reprodutiva avançada, para verificar seu efeito sobre o envelhecimento do endométrio.

Os resultados mostraram queda nos principais marcadores de senescência celular, redução da fibrose no tecido uterino e melhora nos indicadores de estresse oxidativo, além de maior ativação dos mecanismos antioxidantes naturais do organismo.

Os pesquisadores também verificaram melhora na receptividade endometrial: genes e proteínas essenciais para preparar o útero para o embrião voltaram a ser expressos em níveis mais altos. Como consequência, os camundongos tratados tiveram taxas de implantação embrionária superiores às dos animais idosos não tratados.

Pós-bióticos

Além da bactéria viva, o estudo investigou os efeitos dos exopolissacarídeos (EPS), moléculas produzidas por ela e classificadas como pós-bióticos.

Em testes com células humanas do endométrio envelhecidas artificialmente em laboratório, esses compostos reduziram marcadores de envelhecimento celular, diminuíram a inflamação e o estresse oxidativo, e melhoraram indicadores ligados à decidualização, etapa fundamental para a implantação do embrião.

Para confirmar que os EPS eram, de fato, responsáveis por esses efeitos, os pesquisadores desenvolveram uma versão da bactéria incapaz de produzi-los. Sem essas moléculas, boa parte dos benefícios desapareceu, e voltou a aparecer quando os EPS purificados foram reintroduzidos. Segundo os autores, esse mecanismo passa, ao menos em parte, pela via de sinalização Hippo-YAP, associada tanto à receptividade endometrial quanto ao controle do envelhecimento celular.

Os pesquisadores concluem que o envelhecimento do endométrio não depende apenas de fatores hormonais e ovarianos, mas também de alterações na microbiota uterina. Restaurar populações benéficas de Lactobacillus, ou usar diretamente seus pós-bióticos, poderá, no futuro, se tornar uma estratégia complementar para melhorar a função endometrial, principalmente em mulheres com idade reprodutiva mais avançada.

Essa hipótese, no entanto, ainda precisa ser testada em estudos clínicos com humanos.

Automedicação

Apesar de considerarem os resultados promissores, os autores reconhecem limitações importantes no estudo: a pesquisa foi conduzida em um único centro, envolveu apenas mulheres chinesas com infertilidade e contou com um número relativamente pequeno de participantes. Some-se a isso o fato de o endométrio ter baixa concentração bacteriana, o que torna esse tipo de análise mais vulnerável a contaminações nas amostras.

Os pesquisadores reforçam ainda que os resultados não comprovam que as alterações na microbiota sejam a causa do envelhecimento endometrial ou da infertilidade. Por isso, alertam para que mulheres não usem por conta própria produtos à base de Lactobacillus gasseri vendidos comercialmente, já que sua eficácia para tratar infertilidade ainda não foi comprovada cientificamente.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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