5 de junho de 2026

Quantos Zehs cabem num só Zé, por Aquiles Rique Reis

Não sendo só múltiplo, eis que Zeh vira Zehzeira e lança o CD Cuidado, Zehzeira!, título que remete ao samba de breque de Miguel Gustavo.

Quantos Zehs cabem num só Zé

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por Aquiles Rique Reis

Hoje falaremos do álbum de um Zé, carioca da Saúde. Dado a criar heterônimos, o cara escolheu ser Zeh Gustavo. Daí começou: Zeh poeta pra cá, Zeh compositor pra lá, Zeh sambista ali, Zeh revisor de textos acolá… e tome de Zeh! Bobeia, lá está ele nas rodas de sambas de responsa.

Não satisfeito em ser múltiplo, eis que Zeh vira Zehzeira e lança o CD Cuidado, Zehzeira! (DG Music), título que remete ao clássico samba de breque de Miguel Gustavo.

Álbum que tem a picardia da voz de Zehzeira (canta bem o danado!) e um repertório trazido da preferência ancestral de um dos Zehs. Apoiado por instrumentistas do ramo, os arranjos são como parceiros das composições. E assim, os sambas dos bambas ganham o proscênio que pediram aos deuses. E eles, os deuses de todos os credos, os abençoam.

“Desgraça Alheia” (Pau D’Água), de Zeh Gustavo (part. esp. Léo Ramiro); “O Rumo da Pedra”, de Marcelo Bizar e Zeh Gustavo (part. esp. Mingo Silva); “Segredo das Águas”, de Wagner Nascimento e Zeh Gustavo (part. Esp. Almir Côrtes); “Beto Bom de Bola”, de Sérgio Ricardo (cantado emocionadamente por Zehzeira, admirador absoluto de Sérgio Ricardo); “Sumiço”, de Zeh Gustavo e Sergio Fonseca (part. esp. Kiko Horta); “Rei do Gatilho”, de Miguel Gustavo (part. esp. Renan Sardinha e Leo Bernardo); “Praça 11, Berço do Samba”, de Zé Kéti); “Mignon Com Queijo Magro”, de Marcelo Bizar e Zeh Gustavo); “Lá Vem de Realengo”, de Renan Sardinha (part. esp. Didu Nogueira); “Estrela”, de Eduardo Gudin, Elton Medeiros e Roberto Riberti; “Santo Guerreiro”, de Patativa; e “Ninguém Esquece”, de Zeh Gustavo (part. esp. Paulinha Diniz).

Finalizando, um acontecido em 2003: numa livraria frequentada pelos saudosos Zé Rodrix e o poeta Mário Chamie, bem como pelo jornalista José Nêumanne, dentre outros, Chamie, criador da Poesia-Práxis, lia alguns poemas de Zeh Gustavo quando mandou na lata: “Isto é poesia Práxis!”. Eu estava lá, crianças!

Em 2005 era lançado o livro A Idade do Zero (Escrituras), de Zeh Gustavo, com prefácio escrito por Mário Chamie, em que ele afirma: “(…) Afinal, o poeta Zeh Gustavo, ao dizer a que veio, diz o que fala e escreve o que está dizendo”.

Aquiles Rique Reis

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Ficha técnica: Léo Ramiro (trombone), Daniel Delavusca (cavaquinho, coro), Gabriel Veras (violão 7 cordas), Pet Vieira, Pedrinho Ferreira, Marcus Thadeu, Mário Marcos (instrumentos rítmicos), Almir Côrtes (viola machete), Ane Lopes, Lissandra de Oliveira, Mingo Silva (coro), Caio Constantino (bandolim, violão 7 cordas), Kiko Horta (acordeom), Renan Sardinha (violão 7 cordas, efeitos de voz), Pedro Oleare (guitarra), Alexandre Barbatto (baixo) e Leo Bernardo (flauta transversal). Gravação, mixagem e masterização: Wellington Monteiro. Capa: Íris Carvalho; foto da capa: Ane Heinen; diagramação do CD (concepção, contracapa e material interno): Zeh Gustavo.

     Ouvir o álbum:

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Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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