5 de junho de 2026

A relação entre PIB, infraestrutura e IDH, por Antônio A. de Queiroz

Conferência Nacional de Engenharia, abordou que o Brasil é país por construir, tanto na infraestrutura quanto no desenvolvimento humano.
Reprodução

A relação entre PIB, infraestrutura e IDH

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por Antônio Augusto de Queiroz

Em palestra no Clube de Engenharia, por ocasião da realização da 1ª Plenária Anual do Fórum da Engenharia Nacional, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 02 e 03 de junho de 2025, tive a oportunidade de falar sobre a necessidade de mobilização da sociedade em torno da 1ª Conferência Nacional de Engenharia, abordando, dentre outros aspectos, o fato de que o Brasil é um país por construir, tanto na dimensão da infraestrutura quanto do desenvolvimento humano.

Para tanto, trabalhei com o ranking de três indicadores fundamentais para medir o desenvolvimento de um país: o PIB, a Infraestrutura e o IDH, buscando estabelecer uma interrelação entre eles. O PIB, como uma medida de riqueza, está relacionado com a renda; a infraestrutura, como um conjunto de estruturas e serviços básicos, diz respeito às condições para o progresso de qualquer nação; e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede a qualidade de vida em termos de renda, educação e saúde.

Em termos de ranking internacional, o Brasil está na 10ª posição em relação ao PIB; na 50ª em infraestrutura e na 84ª em IDH, apresentando uma das maiores assimetrias entre esses indicadores. Embora a relação entre eles não seja linear em todo mundo, na maioria dos países costuma ser bem mais próxima. Como regra, países de PIB alto e elevada infraestrutura tendem a gerar um IDH mais alto, embora a relação não seja automática, por força de desigualdades sociais, má gestão de recursos, corrupção e outros fatores que afetam a qualidade de vida. O fundamental é que o Brasil, embora tenha um grande PIB, está muito atrasado em termos de IDH e de infraestrutura.

No aspecto da infraestrutura, temos um país por construir. A nossa logística de transporte — rodovias, ferrovias, aeroportos, portos e sistemas de transporte público —, de energia — geração, distribuição e transporte de eletricidade —, de saneamento — redes de água e esgoto — e de telecomunicações — redes de telefonia, internet e outros serviços de comunicação — deixa muito a desejar e isso impacta negativamente nosso desempenho no comércio, na indústria, na saúde, dentre outros indicadores que interferem na qualidade de vida.

A infraestrutura é base para a competitividade e produtividade de um país, e investir em infraestrutura impulsiona o crescimento do PIB, com seu efeito multiplicador em termos de emprego e renda. Ora, se o Brasil, com toda a carência de infraestrutura, é a décima economia do mundo, imagine se contasse com uma base robusta de infraestrutura, em que posição estaria? Portanto, investir em infraestrutura traz retorno econômico e social, reduz custos de produção e contribui para a qualidade de vida, impactando positivamente o IDH, podendo tirar o Brasil dessa situação vexatória de ter a 10ª economia do mundo, mas estar na posição 84 em termos de IDH.

Para que possamos progredir em todos esses indicadores, entretanto, necessitamos de engenharia, que no Brasil foi profundamente prejudicada com a operação Lava-Jato. Segundo Luís Nassif, no mesmo painel, essa investigação do Ministério Público, em nome do combate à corrupção, praticamente destruiu estatais como a Petrobras e as grandes empresas de engenharia do País. A engenharia não apenas projeta e executa obras, mas também pensa sistemas mais eficientes, sustentáveis e adaptados às necessidades do país. Seja na modernização dos transportes, na expansão da matriz energética limpa, na universalização do saneamento básico ou na melhoria das redes de comunicação, os profissionais da área são agentes essenciais para superar os gargalos que nos impedem de alcançar um patamar mais elevado de desenvolvimento.

Por tudo isto, a mobilização da sociedade e a realização da 1ª Conferência Nacional de Engenharia são passos importantes para consolidar um projeto nacional que priorize a infraestrutura como alicerce para um IDH mais digno. Afinal, não há desenvolvimento humano pleno sem bases materiais que o sustentem, e é justamente nesse ponto que o Brasil precisa avançar com urgência.

Antônio Augusto de Queiroz – Jornalista, analista e consultor político, mestre em Políticas Públicas e Governo pela FGV. É sócio-diretor da empresa “Consillium Soluções Institucionais e Governamentais”, foi diretor de Documentação do Diap e é membro da Câmara Técnica de Transformação do Estado, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República – o Conselhão.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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