4 de junho de 2026

Entendendo os ataques de Trump e Israel ao Irã, sob o manto ocidental

Sob escudo da comunidade internacional, Trump e Israel atacam Irã e admitem planos além de contenção nuclear
Ataque israelense ao Irã - Foto: Reprodução

Donald Trump admitiu em sua rede social que por trás dos ataques às instalações nucleares no Irã, há uma ofensiva pela mudança do regime iraniano. A fala, feita na sua rede Truth Social, contrariou todo o movimento de seu governo – e endossado por organismos internacionais e líderes europeus chave – de que os ataques visavam somente repreender a construção de armas nucleares pelo Irã.

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“Esta missão não foi e não é sobre mudança de regime [do Irã]”, disse o Secretário de Defesa Pete Hegseth, neste domingo (22). “Não queremos uma mudança de regime”, insistiu o vice-presidente JD Vance, em entrevista ao programa “Meet The Press”, da NBC. “Os EUA não estão em guerra com o Irã, mas em guerra com o programa nuclear do Irã”, manteve o braço-direito de Trump.

Horas depois, abertamente explícito e contrário à cautela da sua própria Administração, Trump assumiu, na noite deste domingo: “Não é politicamente correto usar o termo ‘Mudança de Regime’, mas se o atual regime iraniano não consegue tornar o Irã grande novamente, por que não haveria uma mudança de regime???”.

A fala ocorre ainda em meio a um momento crucial do conflito de Israel, quando o genocídio em Gaza estava começando a aderir maiores rechaços da comunidade internacional, principalmente de países europeus, e de organismos internacionais.

Os ataques iniciados por Netanyahu ao Irã, e continuados por Trump, conseguiram virar o discurso de líderes internacionais que já não podiam manter neutralidade frente ao genocídio palestino. Quando a imagem do primeiro-ministro de Israel sofria o maior nível de desgaste junto aos pares, desde que o conflito na área se iniciou há mais de 600 dias, desde outubro de 2023, ao mirar o Teerã, Netanyahu volta a receber respaldo.

Trabalho sujo’

“Israel está fazendo o trabalho sujo” dos países ocidentais ao bombardear o Irã, escancarou a lógica o chanceler alemão, Friedrich Merz. Com maior discrição, mas também aderindo ao movimento, Emmanuel Macron responsabilizou o Teerã pelos ataques.

De forma similar, Reino Unido e organizações como a Comissão Europeia e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) legitimaram a atuação de Israel e dos EUA.

Nesta segunda-feira (23), o secretário-geral da OTAN Mark Rutte reafirmou que o Irã “não deve desenvolver armas nucleares” e que os ataques não ferem o direito internacional. “Meu principal medo é que Teerã possa ter a bomba atômica, o que seria uma ameaça a Israel e a toda a região”, disse.

Antes de pedir “diplomacia”, a vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, responsabilizou o Teerã. “O Irã não pode ter uma bomba nuclear, e a diplomacia é a solução para evitar isso”, disse. Mas martelou que a União Europeia “não será conivente” com a aceleração do programa nuclear iraniano. “Todos concordamos sobre a necessidade urgente de desescalada.”

A conivência de organismos e lideranças internacionais com os EUA, por outro lado, levanta camadas mais graves ao conflito que tem um potencial perigoso de escalada. Ao admitir que o objetivo é, também, derrubar o governo iraniano, Trump abre ainda mais espaço para respostas ao bombardeio, com a intensificação dos ataques na região e internacional, o que deve iniciar uma fase ainda mais brutal do conflito.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Jaime

    23 de junho de 2025 4:27 pm

    A Agência Internacional de Energia Atômica vinha há anos alertando que o Irã estava restringindo cada vez mais a inspeção de suas plantas nucleares e acumulando urânio com um grau de enriquecimento incompatível com o uso civil. Quem dúvida, que entre no site da agência e baixo os relatórios oficiais sobre o Irã.

    Dessa forma, países ocidentais e países árabes temerosos com a proliferação de armas nucleares no Oriente Médio estão, de fato, aliviados. Caso o Irã obtivesse armas nucleares, outros países ameaçados por ele seguiriam o mesmo caminho.

    1. Agnaldo

      24 de junho de 2025 1:26 pm

      Você credita na Agência Internacional de Energia Atômica? É o mesmo que acreditar na OPAQ. Ingênuo.

      1. Rui Ribeiro

        25 de junho de 2025 2:03 pm

        Ele deve acreditar que o Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa a granel.

  2. Rui Ribeiro

    24 de junho de 2025 5:30 am

    Apesar de todos alardearem aos 4 Ventos que respeitam a auto-determinação dos povos, eles querem a mudança de regime no Irã. Miga

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