8 de junho de 2026

Governo do RS recebe verbas federais, mas não as usa para prevenir enchentes desde 2012

MPF aponta que União fez repasses ao Executivo gaúcho, que repassa a responsabilidade sobre estudos e projetos de contenção de enchentes aos municípios
Foto: Força Aérea Brasileira

O Ministério Público Federal apontou que desde 2012 o governo do Rio Grande do Sul não aplica as verbas federais recebidas para prevenir enchentes. “É a governança, não tempo, o empecilho maior ao êxito no atendimento à população”, afirmou o procurador da República Celso Tres, em documento. 

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Em 2012, o governo federal cumpriu a Constituição, que determina que cabe ao Executivo Federal planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações, assim como zelar pela devida aplicação. 

Naquele ano, foram destinados R$ 10 milhões ao governo gaúcho, para o desenvolvimento de estudos e projetos sobre a gestão de risco “na bacia hidrográfica do rio dos Sinos, desde sempre flagelada com inundações”. 

Mas, até o momento, foi feita apenas a concepção do anteprojeto. O estudo sobre o impacto ambiental ou qualquer obra de contenção não foram iniciados. 

O procurador ressalta ainda que os trabalhos técnicos da Comitesinos, patrocinados pela Petrobrás, não foram aproveitados. 

Ainda em 2012, o Planalto aportou R$ 15 milhões para estudos sobre a bacia do rio Gravataí, além de R$ 5 milhões para pesquisas sobre o rio Jacuí. Mas os projetos, apesar das reiteradas cobranças do MPF, seguem paralisados. 

Dinheiro parado

O MPF apontou ainda que nem mesmo a tragédia de maio de 2024, quando mais de 200 pessoas morreram e 581 mil pessoas ficaram desalojadas no estado em decorrência das inundações, fizeram com que o governo do Rio Grande do Sul tomasse providências concretas contra o problema ambiental. 

De acordo com matéria do Matinal Jornalismo, o governo gaúcho informou possuir R$ 6,5 bilhões, valor reservado para obras de proteção contra enchentes. 

No entanto, o montante está parado, enquanto o executivo estadual solucitou a liberação de mais R$ 3 bilhões, sem apresentar justificativas para a demora da apresentação de projetos com a necessidade de diretrizes da Casa Civil. 

Até o momento, o Rio Grande do Sul recebeu:

  • R$ 12 bilhões via Medida Provisória nº 1.218/24;
  • R$ 6,5 bilhões via Medida Provisória 1.282/24;
  • isenção R$ 12 bilhões de juros da dívida do Estado/RS com a União;
  • suspensão da dívida até 2027.

“No total, somadas as diversas rubricas, segundo Ministro da Casa Civil Rui Costa em solenidade no Estado/RS, janeiro deste 2025, ultrapassou R$ 81 bilhões”, continua o procurador em documento. 

Além da falta de estudos e projetos para prevenir enchentes, o governo estadual decidiu delegar aos municípios a formulação de tais materiais. “A medida não encontra devida adequação aos princípios constitucionais da legalidade, economicidade, eficiência e eficácia. Os rios em questão são de titularidade do Estado/RS, não pertencendo aos municípios, muito menos à União”, pontua Celso Tres.

Enquanto o governo estadual não toma providências e repassa a própria responsabilidade aos municípios, o povo gaúcho acumula novos prejuízos. Nos últimos dias, a chuva desalojou mais 5.958 pessoas e deixou outras 1.332 desabrigadas. 

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Felipe

    25 de junho de 2025 1:20 am

    Rio Grande do Sul: Um Estudo de Caso em Gestão Mal Orientada

    O Rio Grande do Sul tornou-se, infelizmente, um exemplo contundente de como a incompetência e a ignorância podem se combinar com efeitos devastadores. Nos últimos anos, a chamada elite do estado — movida por uma compreensão superficial da governança e da complexidade econômica — embarcou em uma onda neoliberal distópica. Esse movimento, impulsionado pelas forças regressivas do bolsonarismo, revela um profundo descompasso entre a ambição política e as reais necessidades da população.

    Em vez de planejamento de longo prazo ou investimento social, vimos uma fixação em privatizações, austeridade e slogans gerenciais vazios. O resultado tem sido a deterioração dos serviços públicos, o aumento da desigualdade e uma cultura política sustentada mais por autoengano do que por estratégia. O mais preocupante é que esse caminho não foi trilhado apenas por má-fé, mas por uma perigosa falta de capacidade técnica. A competência foi substituída por lealdade ideológica e discurso publicitário.

    Enquanto isso, a oposição — fragmentada, sem inspiração e muitas vezes igualmente desconectada — falha em apresentar uma alternativa crível. Sem uma visão unificada ou propostas concretas de recuperação, segue como espectadora de um colapso em câmera lenta.

    A menos que algo mude de forma estrutural, a situação no Rio Grande do Sul tende a piorar ainda mais. Esta não é apenas uma crise local — é um alerta sobre o que acontece quando a ideologia substitui a governança e quando a liderança se desconecta da realidade.

  2. José de Almeida Bispo

    25 de junho de 2025 7:54 am

    Politicagem que deixam Pinheiro Machado e sua República Velha comendo poeira.
    Surfam no antilulismo gaúcho para submeterem os gaúchos a isso.

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