Ampliado às 21:20
Wanderley Abreu, o Storm, é uma lenda entre os hackers brasileiros. Com 19 anos, conseguiu hackear os sistemas da Nasa. Houve uma investigação que chegou até ele. Em vez de punição, foi convidado a trabalhar em testes de segurança dos sistemas. Hoje tem uma empresa especializada em segurança cibernética.
É dele a avaliação a seguir, sobre o roubo de R$ 1 bilhão do Banco Central.
O primeiro ponto a se considerar é que não houve o golpe tradicional, hackeamento, exploração de bugs, mas sim a facilitação interna por um funcionário da empresa C&M Software, que forneceu as chaves de acesso aos golpistas, por módicos R$ 10 mil.
A C&M é uma das provedoras de software do Pix. Com acesso privilegiado ao Sistema, os criminosos criaram novas chaves de transação para movimentar valores sem origem rastreável. O software permitia a criação de transações não reconhecidas pelo Banco Central. O controle sobre o sistema possibilitou manipulações sofisticadas e discretas.
O golpe envolveu a criação de transações fictícias entre contas, sem retirar valores reais de contas específicas. O bug inserido permitia transferências para contas de criminosos sem origem legítima dos fundos. O dinheiro extra não era debitado de nenhuma conta real, sendo criado no processo. Apenas parte do valor existia de fato; o restante foi gerado artificialmente pelo sistema.
A arte toda está na distribuição do dinheiro roubado. Para transformar o dinheiro roubado em moeda utilizável, os criminosos precisariam superar bloqueios e rastreamentos.
O dinheiro foi distribuído em várias carteiras de criptomoedas para dificultar o rastreamento. Não foram utilizadas plataformas de exchange descentralizadas (DEX), pois estas marcam ativos suspeitos. Plataformas como Binance e Robinhood podem bloquear ativos identificados como roubados.
Provavelmente os criminosos converteram os valores em diferentes criptomoedas, priorizando as menos conhecidas e, por isso mesmo, menos monitoradas e menos suscetíveis de serem marcadas como suspeitas.
O ataque à C&M resultou em um desvio de aproximadamente 541 milhões de reais.
Parte do dinheiro desviado era virtual, ou seja, foi criado artificialmente no sistema. Dos valores desviados, 270 milhões foram bloqueados e recuperados.
As dúvidas sobre o golpe
Outra fonte, bem informada sobre as investigações, traz algumas correções e hipóteses sobre o golpe.
A C&M é prestadora de serviço para instituições de pagamento menores, de contas transnacionais. Em geral, essas instituições não tem backoffice, e contratam empresas terceirizadas. A C&M, que presta serviços até ao FED nos Estados Unidos, mas não é grande no Brasil.
Mas todo sistema tem um duplo controle. O correntista vai fazer pagamento, a empresa terceirizada preenche. Mas o agente financeiro, supervisionado pelo Banco Central, tem que assinar e colocar o seu código. Esse duplo controle vale para todas as operações. Se um pedaço das credenciais está na nuvem, o outro tem que estar no hardware. Esse duplo controle vale para a instituição e vale quando a operação passa para outra. No caso do golpe, a C&M preenchia o operacional, mas a BMP precisava colocar a senha. A primeira grande questão é; porque a BMP deu a senha.
É esta a dúvida principal. O dinheiro roubado estava na conta reserva que a BMP mantém no Banco Central. Era dinheiro da própria instituição, utilizado para operacionalizar os pagamentos. As reservas eram 5 ou 6 vezes maior do que o que foi levado. Mas não houve nenhum recurso do BC envolvido.
A segunda questão é sobre os comportamento das instituições que receberam o pagamento. Porque nem todas bloquearam?
Na última semana, o BC suspendeu quantidade significativa dessas empresas que receberam dinheiro. A C&M suspensa temporariamente e ainda não entendeu o que aconteceu na BMP. O curioso é que não se viu nenhuma reclamação de pessoas físicas ou jurídicas correntistas dessas empresas. O que aumenta a suspeita de que poderiam fazer parte de uma rede específica para lavagem de dinheiro.
O grande problema foi a epidemia de instyituições de pagamento. Nos últimos anos, 1.500 instituições foram autorizadas a operar. E o BC tem um terço da fiscalização de dez anos atrás.
Com a Lei de Liberdade Econômica, se o BC não autoriza em determinado período, a empresa pode começar a funcionar sem autorização. E há dificuldades em suspender as operações.
Outra obviedade: é evidente que o técnico que passou as senhas para o grupo nao o fez por 10 mil reais. A hipótese mais provável é que tenha sido ameaçado.
NO final da linha, é bem possível que se chegue ao PCC, que prosperou violentamente graças à esbórnia com fintech e bets,
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Carioca
7 de julho de 2025 8:12 pm“… mas sim a facilitação interna por um funcionário da empresa C&M Software, que forneceu as chaves de acesso aos golpistas, por módicos R$ 10 mil.”
módicos R$10mil … desculpa, mas muito estranho essa parte da história …
amarildo correia da silva
8 de julho de 2025 7:09 pmEstranho é achar que um bandido tem preço fixo
Jotstormpontomarcelo
7 de julho de 2025 10:11 pmCerto se o software permitia transações não reconhecidas pelo BC “subtendese:então q SEMPRE HOUVE POSSIBILIDADE DE TRANSAÇÕES NÃO OFICIAIS OU SEJA POR FORA,este sistema pix não é seguro é fonte de muita corrupção e SERÁ DETERMINANTE no desequilibrio de financiamento de campanhas FAVORECENDO EM MUITO AS DESIGUALDADES E PRIVILÉGIOS,necrssita de uma cpmi ou a volta do sistema antigo sem mais muito obg ggn e toda a sua equipeee !!!
Carioca
8 de julho de 2025 9:15 amMuito bem lembrado: campanhas para eleições 2026 … arrecadando zilhões e prestando contas de alguns milhares … tudo dentro do sistema a prova de tudo …
e do outro lado a mera coincidência, somos o país das coincidências, aumento do numero de deputados …
Solle
8 de julho de 2025 5:13 amE as criptmoedas mostrando sua real utilidade, esconder dinheiro da picaretagem, dos traficantes, falsificadores, contrabandistas, e toda gama de pilastra que vivem bem e não pagam imposto.
Marco Antônio F
8 de julho de 2025 2:37 pmImposto é roubo, pago para o maior ladrão de todos: O Estado
AMBAR
8 de julho de 2025 3:02 pmO que gera curiosidade é o fato de por qual motivo o PT E O lULA, em vez de deixar o Walter Delgatti passando fome, não o aproveitou no governo enquanto ele ainda estava livre. Escrotidão, ignorância ou ingratidão pura?
João Ferreira Bastos
8 de julho de 2025 3:30 pmJá passou da hora de reestatizar o BC
Anônimo
8 de julho de 2025 8:54 pmRealmente intrigante, como um técnico que detém senha tão importante não tem um esquema de proteção e de escrutínio mesmo ( como dito pelo autor do texto no canal GGN) dos hábitos de vida e companhias?! Muita vulnerabilidade detectada nesse roubo,que sirva de alerta.
Uly
8 de julho de 2025 8:56 pmRealmente intrigante, como um técnico que detém senha tão importante não tem um esquema de proteção e de escrutínio mesmo ( como dito pelo autor do texto no canal GGN) dos hábitos de vida e companhias?! Muita vulnerabilidade detectada nesse roubo,que sirva de alerta.
Marcio Cruzeiro
9 de julho de 2025 10:54 amÉ o Sistema Bancário mais Moderno e Protegido do Mundo ??….