“Se a soberania for um marco da época, os sancionados [pelo governo Trump] serão lembrados como símbolos de resistência. Já os ausentes terão que justificar por que não mereceram estar na lista. Na política internacional, às vezes não há insulto pior do que ser ignorado”.
A avaliação é do advogado Gustavo Balduino, diante da decisão do governo dos Estados Unidos de suspender os vistos diplomáticos de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e excluir apenas três, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Nunes e Mendonça foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os nomes sancionados estão Luís Roberto Barroso, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin, além do relator Alexandre de Moraes, todos ligados às investigações e ações da Corte contra os atos antidemocráticos praticados em 8 de janeiro de 2023. Além dos ministros, a restrição atinge o PGR, Paulo Gonet, e familiares das autoridades.
A medida é uma retaliação direta à decisão de Moraes que autorizou, na sexta-feira (18), o uso da tornozeleira eletrônica no ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado no Brasil. A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado do governo de Donald Trump, Marco Rubio.
Para o advogado Gustavo Balduino, “Poucas situações seriam mais paradoxais e potencialmente constrangedoras para um ministro do Supremo Tribunal Federal do que ser excluído de uma lista de retaliações elaborada por um governo estrangeiro contra autoridades acusadas de defender a soberania nacional”.
Ele ressalta que, em um contexto de tensão diplomática, a exclusão pode ser interpretada como um “silêncio eloquente”. “Ou o ministro não foi considerado uma ameaça relevante pelos críticos externos, ou sua postura não foi vista como suficientemente firme na proteção dos interesses nacionais”.
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Paulo Dantas
19 de julho de 2025 3:10 pm“In Fux we trust” , lembrei disto.
Os indicados por Bolsonaro era de se esperar.
Mas houve a suspensão ou só a ameaça.
Rui Ribeiro
19 de julho de 2025 4:29 pmA Coragem de Escrever a Verdade
Entende-se que o escritor deva escrever a verdade no sentido de que não deve suprimi-la ou silenciá-la, nem escrever inverdades, nem curvar-se perante os detentores do poder, muito menos enganar os fracos. Naturalmente, é muito difícil não se curvar diante dos poderosos e é muito vantajoso enganar os fracos.
Desagradar o proprietários quer dizer, renunciar à posse de bens. Renunciar ao pagamento de determinado trabalho significa em certas circunstâncias renunciar ao trabalho. Recusar a glória dos potentados quer dizer renunciar de vez a glória. Isto requer coragem.
Os tempos de máxima opressão são aqueles em que quase sempre se fala de causas grandiosas. Em tais épocas, é necessário ter coragem para falar de coisas pequenas e mesquinhas como a comida e a moradia dos que trabalham, no meio do palavreado homérico em que o espírito de sacrifício é agitado como estandarte glorioso.
Quando se derramam homenagens sobre os camponeses, é corajoso falar em máquinas agrícolas e forragem barata, que tornarão mais fácil o seu tão louvado trabalho. Se todas as emissoras berram que o homem sem cultura e sem instrução tem mais valor que o instruído, então é corajoso perguntar: tem valor para quem?
Se falam de raças inferiores e superiores, então é corajoso perguntar se não é a fome, a ignorância e a guerra que provocam deformações graves.
Brecht
Carlos
19 de julho de 2025 6:51 pmPrimeiro: Fod*-**. EUA hoje não passa de um esconderijo para marginais foragidos que atuam como lesa-patrias e com um presidente acochambrador de ditadores. Acreditem, fosse vivo hoje, Hitler não teria sido preso no início de sua escalada genocida, ficaria homiziado nos EUA, voltaria para Alemanha e trucidaria meio mundo, como fez.
Agora, segundo, mas não menos importante: os nomes dos censurados foram passados pelo excremento dudu bananinha.
Neri Malheiros
20 de julho de 2025 12:15 amEssa análise de Balduino me fez lembrar de ‘A queima dos livros’, de Bertolt Brecht, quando as obras de um determinado escritor não foram incluídas entre aquelas que o governo ordenou que ardessem nas chamas por serem consideradas nocivas à sociedade. Desesperado, ele escreve uma carta às autoridades exigindo que seus livros também fossem queimados, afinal, não teria ele sempre primado pela verdade em seus escritos? É um texto curto e tão contundente quanto esse atestado de leniência e de servilismo dado aos três ministros que ficaram de fora da retaliação do governo dos Estados Unidos da América.
Neri Malheiros
20 de julho de 2025 12:30 amA análise de Balduino me fez lembrar de ‘A queima de livros’, de Bertolt Brecht, quando as obras de um determinado escritor são excluídas da ordem para que ardessem em chamas todos os livros que o governo considerava nocivos à sociedade. Desesperado ao ver que não fazia parte dos perseguidos pelo regime, ele escreve às pressas uma carta às autoridades exigindo recebe tratamento igual aos outros, afinal, não tinha sempre primado pela verdade em seus escritos? O texto de Brecht é curto e tão contundente quanto esse atestado de leniência e de servilismo passado aos três ministros por Trump em mais um episódio de retaliação ao governo brasileiro.
Flavio
20 de julho de 2025 6:00 amA história não perdoa: os “excluídos” ficarão com o carimbo de covardes na testa.