Ontem, 23 de julho de 2025, a mídia asiática e, em particular, a chinesa, cobriram o Brasil com foco em dois pontos principais: as tarifas impostas por Donald Trump e, de forma estratégica, o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China.
Repercussão das Tarifas de Trump
A notícia das tarifas de 50% de Donald Trump sobre produtos brasileiros foi amplamente reportada na Ásia e na China, mas sob uma ótica que considera as implicações regionais e globais.
- Preocupação com a Guerra Comercial: A mídia asiática, como a Xinhua (agência de notícias oficial da China), e veículos econômicos em toda a região, encararam a medida de Trump como mais um sinal do protecionismo crescente dos EUA. Isso gera preocupação em países asiáticos que também são grandes exportadores para os Estados Unidos. Houve análises de que as tarifas ao Brasil poderiam ser um precedente ou parte de uma estratégia mais ampla de Trump.
- Oportunidade para a China: Para a mídia chinesa, o “tarifaço” de Trump ao Brasil foi frequentemente interpretado como uma oportunidade para a China fortalecer sua posição como principal parceiro comercial do Brasil. Artigos e comentários destacaram que, se o Brasil enfrentar barreiras nos EUA, é natural que busque diversificar seus mercados, e a China está pronta para preencher essa lacuna. Alguns analistas chineses sugeriram que essas tarifas “empurrarão o Brasil para os braços da China”.
- Reação Brasileira: A mídia asiática noticiou a resposta contundente do Brasil, incluindo a ida à OMC e a busca de alianças comerciais com outros países, como o México. Isso mostra que os países asiáticos estão observando de perto como as economias emergentes reagem às pressões comerciais dos EUA.

Fortalecimento das Relações Brasil-China
Além da repercussão das tarifas, a mídia chinesa deu destaque a movimentos que reforçam os laços comerciais e diplomáticos com o Brasil.
- Criação de Agência Tributária Brasileira na China: Um dos destaques foi a notícia de que o Brasil estabelecerá uma adidância tributária e aduaneira na China. Veículos como o Xinhua Português e outras agências de notícias chinesas com foco em relações internacionais reportaram que essa é uma medida inédita em 23 anos e visa aprofundar a cooperação e o intercâmbio de informações, facilitar o comércio bilateral e combater fraudes. Embora o Ministério da Fazenda brasileiro negue motivação política, a mídia chinesa interpretou isso como um passo estratégico para impulsionar o comércio com seu maior parceiro.
- Setor Privado Brasileiro de Olho na China: Houve reportagens sobre o setor privado brasileiro, especialmente do agronegócio, expressando a intenção de citar a China nas negociações com os EUA sobre as tarifas. O argumento é que a imposição de tarifas pode levar o Brasil a depender ainda mais do mercado chinês, o que seria benéfico para a China. Associações como a ABIC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) já abriram escritórios conjuntos em Pequim, um movimento que a mídia chinesa enalteceu como sinal de aprofundamento das relações comerciais.
- Diversificação de Mercados para o Petróleo: A possibilidade de a Petrobras redirecionar exportações de petróleo para países asiáticos devido ao risco das tarifas de Trump foi outro ponto de interesse, especialmente em mercados como a China, que são grandes importadores de energia.
Em suma, o Brasil foi visto pela mídia asiática e chinesa como um ator importante no tabuleiro do comércio global, especialmente em um contexto de aumento do protecionismo. A China se posiciona como uma alternativa e um parceiro cada vez mais estratégico para o Brasil, com movimentos concretos para fortalecer essa relação bilateral.
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