11 de junho de 2026

Amazonas e a oportunidade do turismo para aventuras, por Augusto Rocha

Em 2024 o Amazonas recebeu cerca de 415 mil turistas, enquanto no ano da Copa do Mundo, em 2014, foram cerca 1.168.000 turistas.
Furo do Miguelão - Bruna Brandão - Acervo MTur

Amazonas e a oportunidade do turismo para aventuras

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

O turismo do Amazonas é muito menor do que poderia ser. Todos falam em Turismo no Amazonas ou Amazônia, mas enquanto não houver um conjunto de atrações e pessoas com a formação adequada, teremos um turismo pequeno e concentrado em poucos grupos econômicos. É necessária uma parceria estreita entre iniciativa pública e privada para prover a infraestrutura adequada e atrativa.

Em 2024 o Amazonas recebeu cerca de 415 mil turistas, enquanto no ano da Copa do Mundo, em 2014, foram cerca 1.168.000 turistas. Com cerca de R$ 110 milhões investidos para o órgão de turismo em 2024, isso significa cerca de R$ 0,27 por turista atraído. Um primeiro olhar pode considerar um valor elevado (e, em certa medida, é), mas é importante comparar com outros lugares que atraem bastante turismo, onde a pessoa ao menos pernoitará uma vez na localidade.

Por exemplo, na região de Navarra, no Norte da Espanha, com EUR 13.335.935,00 investidos e cerca de 2.307.000 turistas, a relação é de EUR 5,78 por turista. Este grupo agregou à economia local cerca de EUR 1,5 bilhões, entre os turistas e a grande quantidade de “excursionistas” (que não gastam uma noite). Esta região, como o Amazonas, possui primariamente lugares da natureza como atração, destacando-se os Pirineus. Claro que aqui se incluem destinos para esportes de neve (que são usualmente mais caros e atraem um tipo específico de público) – entretanto, ele precisou ser desenvolvido – pistas de esqui só surgem com investimento.

A decisão que parece nos faltar é o encontro da natureza Amazônica com os vários turismos possíveis que sejam vinculados com ela: trilhas, aventura, observação, escaladas, pesca esportiva, mergulho etc. Precisamos nos conectar com a natureza Amazônica em uma dimensão de interação e aprofundamento de experiências, com hotéis com gastronomia desenvolvida e frequência de voos. O trabalho parece hercúleo, mas fora desta gestão sistêmica não teremos caminho para desenvolvimento do turismo.

Precisamos encontrar vocações que atraiam o turismo local e nacional, antes de ansiar por turistas estrangeiros. Há várias regiões do Brasil que possuem turismo natural, mas parece que é algo ainda um tanto isolado – não atraindo atenção maiúscula pelos baixos volumes iniciais de arrecadação ou geração de riqueza. O turismo parece ser um assunto ainda isolado em grandes festas (como foi a Copa do Mundo de Futebol ou é no Festival de Parintins ou no Carnaval da Bahia). Precisamos de atrações continuadas de turismo, com voos frequentes e fácil acesso. Para isso teremos que confiar no turismo do entorno das capitais de Estado, pois não temos voos fáceis, baratos ou frequentes para interiores.

A solução para isso é uma ação integrada entre Governos e Iniciativa Privada. O turismo é um esforço público que não há como ser feito apenas por uma parte da sociedade e daí vem a grande dificuldade de desenvolvimento deste setor, seja no Amazonas, seja no Brasil. Os governos precisam se integrar e interagir com a iniciativa privada, mas comumente há tanta preocupação de conformidade (ou com a não-conformidade intencional) que ficamos num emaranhado de ações pouco continuadas. Precisamos romper a vergonha da atuação conjunta público-privado e encontrar mecanismos que podem ser por Associações e Planejamentos de longo prazo, tal qual aconteceu em outros países.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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