5 de junho de 2026

Copom interrompe ajustes e mantém Selic em 15% ao ano

Colegiado diz acompanhar “com particular atenção” desdobramentos das tarifas norte-americanas; decisão foi unânime
Rafa Neddermeyer - Agência Brasil

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) interrompeu a sequência de ajustes e manteve a taxa básica de 15% ao ano, o patamar mais elevado desde julho de 2006.

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“O Copom decidiu manter a taxa básica de juros em 15,00% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, afirma o comitê, em comunicado divulgado após a reunião.

O colegiado diz que acompanha “com particular atenção” os anúncios ligados às tarifas norte-americanas ao Brasil, o que reforça a cautela, além de acompanhar “como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros”.

Em relação ao cenário doméstico, a autoridade monetária explica que o conjunto dos indicadores de atividade econômica tem apresentado “certa moderação no crescimento”, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo.

“O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho. Para assegurar a convergência da inflação à meta em ambiente de expectativas desancoradas, exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, ressalta o colegiado.

A decisão foi tomada de forma unânime pelo colegiado: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Diogo Abry Guillen, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, Renato Dias de Brito Gomes e Rodrigo Alves Teixeira.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. Lênin and The Ulianovs

    31 de julho de 2025 7:15 am

    Exportação em alta e preços pressionados?
    Sobe o juro…

    Exportação baixa, produtos encalhados?
    Sobe o juro.

    Flamengo é campeão?
    Sobe o juro.

    Flamengo perdeu?
    Sobe o juro.

    Queimada no cerrado, neve no sul, ressaca no Leblon?
    Sobe o juro.

    Sinceramente, eu acho um desserviço esse espaço publicar essas “informações” sobre a ata do Komintern…

    A não ser que seja, como na ditadura, uma piada contrabandeada.

    Se os juros estivessem a 3, 4% ou seja, 7% nominais, não precisava temer tarifação dos EUA…

    A verdadeira origem do poder de tarifar é o preço do câmbio e o preço do dinheiro que emitimos, e que, neste caso, compramos dos EUA.

    Até quando vamos comprar o déficit dos EUA?

    Ah, e enfim, ficou em 15% e as tarifas eram um blefe.

    Ou seja, ganharam os de sempre.

    Parabéns Galípolo, parabéns Lula, parabéns Haddad.

  2. JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO

    31 de julho de 2025 7:54 am

    O curioso no uso da taxa de juros como ferramenta de combate a inflação, é que os fundamentos que sustentam a teoria, são os mesmos no mundo todo, entretanto, as taxas utilizadas no Brasil são cerca de 3 vezes maior em relação a maioria dos países. E por falar em 3, coincidentemente, se usarmos o fator 3, sobre a inflação projetada pelo mercado nos últimos 3 anos, elas se aproximam das taxas aprovadas pelo BACEN. Será realmente coincidência ou será um método?

  3. Rui Ribeiro

    31 de julho de 2025 8:16 am

    Essa taxa de juro estratosférica tem a finalidade de manter o poder de compra da população. Mas para isso acontecer, a população tem que comprar menos, o que implica no arrefecimento da economia, na quebradeira de empresas, na elevação do nível de desemprego e na redução da oferta, o que faz pressionar os preços, ao contrário, do que se pretendia com a taxa de juro estratosférica. Taxa de juros e índice inflacionário não são grandezas inversamente proporcionais.

    Baixem essa taxa de juro, seus Manés de Minha Tia, a fim de que a oferta se eleve e a inflação ceda.

  4. Rui Ribeiro

    1 de agosto de 2025 8:02 am

    Está caindo a ficha da direitosa de que a população percebeu que não há proporcionalidade inversa entre taxa de juros e índices inflacionários. Então eles já estão inventando a desculpa fiscal para manter a Nação de joelhos perante os poderosos:

    Selic pode ir a 18% que não vai resolver a inflação: “É um problema fiscal, não monetário”, diz Alberto Ramos, do Goldman Sachs.

    A inflação é um problema de classe, é um problema político, não um problema fiscal ou monetário.

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