4 de junho de 2026

Lula pode renascer com a volta do Sr. Crise, por Luís Nassif

Seria hora de criar, finalmente, o Plano de Metas, recorrer ao passo inicial, a estrutura do Conselhão, aproveitar a ameaça externa

Vamos a algumas conclusões sobre a guerra movida por Donald Trump contra o Brasil.

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  • O fato de ter deixado de fora do tarifaço grupos de produtos relevantes, não significa recuo, mas resposta aos setores internos que seriam atingidos. A lógica é essa: soltar uma bomba genérica, sem maiores análises, depois levantar as consequências internas.
  • Jair Bolsonaro é álibi; e Eduardo Bolsonaro é o chamado grandão bobão. O que está em jogo, mesmo, são as big techs, e a iniciativa pioneira do Brasil, através do Supremo Tribunal Federal, de regular o setor.

Há mais pontos a se considerar. Hoje a Corte de Apelações – um degrau abaixo da Suprema Corte – vai analisar a constitucionalidade do uso do IEEPA para sancionar o Brasil.

O IEEPA é a sigla para International Emergency Economic Powers Act, ou Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, uma lei dos Estados Unidos sancionada em 1977. Ela concede ao presidente dos EUA poderes amplos para lidar com ameaças externas à segurança nacional, à política externa ou à economia americana, especialmente em situações de emergência nacional com origem estrangeira.

Seu uso contra o Brasil gerou ampla controvérsia, pois a medida foi vista como parte de uma guerra comercial com motivações políticas e eleitorais. A Corte de Apelações fez questão de julgar sua constitucionalidade antes da entrada em vigor. Pode ser que o tarifaço caia amanhã.

A Court of Appeals for the Federal Circuit (também abreviada como Fed. Cir. ou C.A.F.C.) não faz parte de nenhum circuito regional geográfico como o 2º, 5º ou 9º circuito. Trata-se de uma corte especial criada em 1982 com jurisdição nacional, com competência exclusiva para julgar recursos em áreas técnicas e especializadas

Talvez esse risco explique a decisão de Trump de levantar a Lei Magnitsky contra Alexandre Moraes, uma lei aplicada em supostos abusos contra direitos humanos.

A nova fase

Precisa ser melhor entendida a nova fase do poder norte-americano. Toda a estratégia consiste em inverter a velha lógica, pela qual os EUA garantiam seu poder através de organismos multilaterais e do poder do dólar e das armas.

As organizações multilaterais foram relevantes enquanto barraram a expansão chinesa, como é o caso da Organização Mundial do Comércio. E o reinado do dólar permitiu à economia norte-americana crescer em cima de endividamento sendo financiado pelo mundo todo, tendo o dólar como reserva de valor.

Assim como na Roma antiga, o modelo tornou-se economicamente inviável. A estratégia norte-americana é óbvia:

  1. Vale-se do fato de, ainda, ser a potência dominante, para exigir que parceiros comerciais, e de defesa, comprometam-se com investimentos pesados nos Estados Unidos.
  2. Exige, também, especialmente da União Europeia, investimentos maciços em defesa, sendo os EUA o maior fornecedor de armamentos.
  3. Impôs uma nova realidade tarifária no comércio exterior.
  4. Ao mesmo tempo, matou qualquer veleidade de soft power norte-americano. Os Estados Unidos são o novo vilão do planeta. A manutenção do poder norte-americano não depende mais do conceito de democracia consolidado por ele, mas pela expansão da ultradireita, do tal libertarianismo, tendo como objetivo final o fim dos estados nacionais. E, aí, as big techs têm um papel central na disputa pela opinião pública dos países. Alexandre de Moraes está sendo ameaçado pelo seu trabalho na regulação das big techs.

A intenção óbvia de Trump é uma guerra de desgaste política.

Isso posto, há duas estratégias óbvias para Lula.

A primeira, em andamento, a montagem de uma estratégia para administrar os problemas iniciais trazidos por Trump mas, principalmente, para prospectar e antecipar os próximos passos de sua escalada. E, também, usando esses grupos como instrumentos de mobilização da auto-estima nacional.

Passo importante é o mapeamento das represálias contra Ministros do Supremo. Deve-se levar em conta que o adversário é a mais poderosa organização criminosa já montada no Ocidente – tendo na cabeça o presidente da Nação mais poderosa.

O segundo ponto é cair a ficha de que nada será como antes. A ofensiva de Trump acelera de forma inédita as transformações que o país terá que enfrentar nos próximos anos – e com 2026 vindo por aí.

Seria hora de criar, finalmente, o Plano de Metas, recorrer ao passo inicial, a estrutura do Conselhão, aproveitar a ameaça externa – o maior motor da solidariedade nacional.

O maior estímulo a Lula é o Senhor Crise. Quando baixou no mundo, em 2008, transformou Lula em estadista, num trabalho diuturno para apagar incêndios no Brasil e ajudar a organizar ações de países no mundo. Sem o Sr Crise, Lula é apenas um esforçado, e tímido, organizador do status quo nacional, tendo como única bandeira o combate à fome.

Agora, com o Sr. Crise vindo a galope, pode ser a hora de ressuscitar o estadista de 2008-2010.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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14 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    31 de julho de 2025 8:01 am

    Trump sempre amarelou: Brasil ganha guerra tarifária e Trump é forçado a excluir 700 produtos da sanção (quase tudo)

    https://www.reddit.com/r/Economics/comments/1mdjd33/trump_always_chickens_out_brazil_wins_tariff_war/

    O tiro saiu pela culatra do Trump

  2. Rui Ribeiro

    31 de julho de 2025 8:53 am

    Trump chickened out, com o rabo entre as pernas. Não obteve nossas terras raras, não derrubou nosso pix, não garantiu a impunidade dos golpistas traíras da pátria e não nos distanciou dos Brics, ao contrário, nos aproximou ainda mais.

  3. Solle

    31 de julho de 2025 9:49 am

    O desenvolvimento econômico planejado pelo Estado, como o modelo chinês, está atropelando a economia liberal ocidental, onde o Estado é fantoche dos interesses privados.

  4. Lênin e os politiburros

    31 de julho de 2025 11:15 am

    Ai, Nassi, Lula mal e mal vai conseguir dar conta desse projeto megalomaníaco dele, do 4º mandato…

    Vai gastar o que resta de vida, e vai se dar conta da m*rda que fez…

    Plano estratégico, se ganhar a eleição já vai ser quase um milagre, que foi proporcionado, é verdade, pelo erro de avaliação dos idiotas que andam com Trump….

    Claro que o ataque foi, na verdade, um aviso aos BRIC, mas os EUA de hoje não mais aqueles…

    Lula já era, NASSIF, mesmo que ganhe, e nós vamos afundar com ele…

    1. AMBAR

      31 de julho de 2025 7:03 pm

      Para gente como você o Lula nunca foi. E olhe que ele nunca teria sido pela quarta vez quando vencer, hein?
      “Tu non crees en Lula pero que lo hay, lo hay”

      1. Lênin and The Ulianovs

        1 de agosto de 2025 10:48 am

        Cara mia, não fales do que não conheces…

        No PT desde 1986, participei de todas as campanhas de Lula, até 2022…

        Coordenei o comitê de Benedita da Silva para governadora, em 2002, em minha cidade.

        Integrante de diretório municipal, em minha cidade, e regional em meu Estado.

        Ocupante de cargos de gestão em governos do PT, municipal e estadual.

        Não, Lula nunca foi e nunca será.

        Bom de voto?

        Claro, óbvio.

        Líder carismático?

        Um dos maiores.

        Mas só isso…

        O sucesso eleitoral de Lula é dele, e isso custou a vida política interna do PT, hoje resumido a uns débeis mentais.

        A quintessência do “pensamento” petista se resume em Haddad (?????), e quando muito ao indigente Valter Pomar e outros trôpegos…

        Eu respeito sua religiosidade, sua fé em Lula…

        Mas é só isso, fé, fanatismo mesmo…

        Boa sorte com isso.

    2. Rui Ribeiro

      1 de agosto de 2025 7:54 am

      Lula bem que poderia sair de cena em benefício da Nação e do Boulos. Mas o Boulos precisa sair desse partido reformista em que se encontra. Mas ir prá qual partido? Que partido brasileiro não seria reformista?

      1. Lênin and The Ulianovs

        1 de agosto de 2025 10:49 am

        Boulos é um cretino.

        De cretino, já bastam o que temos.

        1. Rui Ribeiro

          4 de agosto de 2025 9:25 am

          Ulianov, tu tens como justificar a cretinice do Boulos? Ou basta afirmar?

  5. fabricio coyote

    31 de julho de 2025 1:29 pm

    todos os analistas da globo news ridicularizaram bananinha boçalnaro. vê se q possuem uma bolha de informantes no supremo q erraram redondamente nos prognósticos

  6. AMBAR

    31 de julho de 2025 3:21 pm

    A Sra. Crise é como visita de sogra, vem sem avisar, quer ser recebida , toma conta da casa e deita em qualquer lugar. Para abriga-la há que se ter sempre um quartinho de reserva, um sótão, um lugarzinho muquifo, e é assim que o Lula costuma receber a Sra. Crise, já que a conhece de longa data e convivência. Uma vez instalada, com o tempo ela vai embora pra casa de outro parente. No mais, o Sr. Trump trata o Brasil como o lobo que bebe água rio acima enquanto o cordeiro bebe o seu resto rio abaixo. O lobo precisando de uma desculpa para devorar o cordeiro, o acusa de estar sujando a água que ele bebe rio acima.

  7. fabricio coyote

    31 de julho de 2025 8:21 pm

    infelizmente essa trntativa fracassada de trump de goloe de estado evidencia que o brasil é uma grande colônia extrativista, sem exportação de tecnologia agregada, à exceção da embraer. apenas corrobora que o brasil é o primeiro no mundo em desigualdade social, com análises q coroboram a massiva e brutal concentração de renda. a possibilidade de se reverter isso somente via luta de classes. a despeito da taxa de subemprego chegar a 5 %.

  8. Pedro Eneas

    1 de agosto de 2025 10:32 am

    Tomara que aconteça. E quisera, também, que finalmente o governo flexibilize o arcabouço fiscal, sob pena de estrangulamento de iniciativas importantes.

  9. Antonio Uchoa Neto

    1 de agosto de 2025 11:13 am

    Noam Chomsky sempre disse que o partido republicano era a organização criminosa mais perigosa do planeta.
    Eu sempre achei que a diferença entre o partido republicano e o partido democrata é igual a diferença entre o PCC e o Comando Vermelho.
    A questão é que, com a ascensão da China e seus áulicos, o BRICS, a única alternativa que restou aos EUA (leia-se, democratas e republicanos) é a mesma das outras duas organizações citadas: o banditismo. Que, na minha visão, sempre foi o método deles.
    De resto, sou de opinião que os EUA sempre foram um Estado Privado. Ontem, os robber barons (seus verdadeiros Pais Fundadores), depois o Complexo Industrial-Militar e os grandes lobbys, hoje as Big Techs.
    Esses são os verdadeiros governantes dos Estados Unidos, as corporações. Sempre foram. Trump é, também, um grande bobão, como o Dudu Bananinha. Herdeiro bilionário, escroque, vigarista, falido, vive como os EUA: endividado até a alma, mas imune a cobranças.
    Um dia a conta chega. É uma dessas ‘boas’ coisas com as quais sempre podemos contar, como disse Hemingway.
    Pablo Neruda também tentou convencer Che Guevara de que os EUA tinham duas faces, e que uma delas podia ser considerada boa: os democratas. O Che respondeu: “Não. A face é uma só, e é má.”
    E o nome dela, hoje sabemos, é: BIG TECHS.

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