
Em mais um episódio que evidencia a escalada da crise humanitária em Gaza e o aprofundamento da radicalização política no governo israelense, ao menos 27 palestinos foram mortos por forças israelenses no domingo (3), enquanto aguardavam distribuição de alimentos em um posto humanitário no sul do enclave sitiado. Outras seis pessoas, incluindo crianças, morreram de fome nas últimas 24 horas, segundo autoridades locais.
As vítimas estavam em um ponto de distribuição operado pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), apoiada pelos EUA. Testemunhas afirmam que os soldados israelenses atiraram de forma indiscriminada contra uma multidão faminta. “Não consegui parar e ajudar por causa das balas”, relatou Yousef Abed à Associated Press, descrevendo cenas de corpos caídos ao chão.
Desde o final de maio, ao menos 1.400 palestinos foram mortos enquanto buscavam ajuda humanitária, em sua maioria próximo a pontos mantidos pela GHF ou ao longo das rotas de comboios. O total de mortos por ações militares israelenses nas últimas 24 horas chega a 119 pessoas. A ONU confirmou os dados e alertou para o agravamento da catástrofe humanitária.
Além do massacre, as forças israelenses bombardearam neste domingo a sede do Crescente Vermelho Palestino em Khan Younis, matando um funcionário e ferindo outros três. Um vídeo gravado no local mostra o edifício em chamas após o ataque. Um abrigo escolar da ONU na mesma cidade também foi atingido, deixando dois mortos.
A fome se alastra rapidamente. Já são 175 vítimas fatais por inanição em Gaza, das quais 93 são crianças. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o ritmo de mortes por fome em julho superou o total registrado nos últimos 20 meses somados.
Apesar de Israel anunciar “medidas ampliadas” para a entrada de ajuda humanitária, na prática o cerco persiste e as restrições são severas, denunciam agências internacionais. O governo israelense nega a existência de uma crise de fome.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, já são mais de 60.839 mortos desde o início das operações militares de Israel, deflagradas após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 israelenses.
Al-Aqsa
Enquanto Gaza afunda no colapso humanitário, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, de extrema-direita, reacendeu tensões religiosas ao realizar uma oração pública no complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada — o local mais sagrado do judaísmo e o terceiro mais sagrado do islamismo.
A visita, que rompe com um acordo de décadas segundo o qual judeus podem visitar o local, mas não orar nele, foi vista como uma provocação deliberada. O governo da Jordânia, responsável pela custódia religiosa do local, condenou o gesto como “absolutamente inaceitável”. Cerca de 1.250 judeus participaram das orações sob forte proteção militar.
Ben-Gvir, conhecido por sua retórica belicista e racista contra os palestinos, aproveitou a ocasião para defender a anexação total da Faixa de Gaza e a expulsão da população palestina. “Devemos declarar soberania sobre Gaza”, disse em postagem na rede X.
O premiê Benjamin Netanyahu, pressionado internacionalmente, tentou minimizar os impactos da provocação e declarou que a política do governo para o local sagrado “não mudou e não mudará”.

Protestos
Na Cisjordânia ocupada, milhares de palestinos foram às ruas neste domingo para protestar contra a guerra em Gaza e a prisão de mais de 10.800 cidadãos palestinos em penitenciárias israelenses. Manifestantes exibiam fotos de crianças famintas, prisioneiros e mártires.
Organizações de direitos humanos, como a B’Tselem e a Human Rights Watch, documentaram práticas sistemáticas de tortura nas prisões israelenses, incluindo abuso sexual, espancamentos e privação de comida. Os abusos, ainda que denunciados, raramente são investigados pelo Estado israelense.
No mesmo dia, o braço armado do Hamas declarou que está disposto a permitir que a Cruz Vermelha leve ajuda humanitária aos reféns israelenses em Gaza, desde que Israel abra corredores seguros e cesse os ataques aéreos durante a operação.
*Com informações do The Guardian.
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Rui Ribeiro
4 de agosto de 2025 8:33 amDizem que o Ozzy Osbourne não era contra o genocídio dos palestinos praticado por U$rael. Mas não se posicionar contra o mencionado genocídio não significa que ‘in the fields the Palestinian Bodies are burning as the war machine keeps turning death and hatred do mankind, poisoning their brainwashed minds’.