É sintomático que em tempos de crise, os padrões de uma ética e moralidade são colocados em cheque. Agora, o diretor carioca José Padilha que alcançou o estrelado filmando os bons “Tropa de Elite I e II”, além de “Robocop”, segue sua dramaturgia ao desejar filmar a vida do colombiano Pablo Emilio Escobar Gaviria, o Pablo Escobar (1949-1993), fundador do poderoso Cartel de Medelín, considerado o mais impiedoso, o mais bilionário e mais poderoso traficante de todos os tempos que reinou absoluto no eixo Estados Unidos, México e Colômbia, mas que influenciou todo o comércio do gênero em, praticamente, toda a América Latina.
Pablo Escobar e sua macabra indústria da cocaína levaram a Colômbia a um profundo mar de sangue na medida em que abastecia narizes vorazes de consumidores, em especial, os estadunidenses. Derivou-se daí toda uma arquitetura a respeito de políticas anti-drogas nos Estados Unidos, de intensa repressão, e o mar de violência espalhou pela América Latina. Para se mostrar um homem generoso, distribuía dinheiro, simpatia e ajudar a comunidade local em Medelín, além de fomentar o futebol, sua segunda paixão após os negócios. A tática obvia era de se passar por um “homem bom” que se preocupava com o sofrimento alheio em troca do silêncio e da proteção da população a sua volta contra seu maior temor: ser pego e extraditado para os Estados Unidos. Após longa caçada e cerco, em 1993, Pablo Escobar foi morto em sua fortaleza em Medelín em combate contra as tropas colombianas apoiadas pelo governo estadunidense.
O anti-herói que ganha contornos míticos. O mesmo sentido que desperta do público pelo ilícito, pela transgressão, pela degeneração escatológica do ser humano. Somos assim, hipócritas por natureza, onde tem aqueles que reclamam acidamente quando polícia vem interromper o festivo consumo de alucinógeno, mas, por outro lado, também os mesmos reclamam da polícia com a mesma veemência quando algo é furtado do inquieto consumidor de pó.
Alguns buscam argumentar que é “democrático” cheirar à exaustão e oferecer elementos imediatamente corrosivos para as demais pessoas, ou seja, “vicie-se, agora, na ‘onda do momento’ e todo o restante será problema inteiramente seu”. No lastro deste tipo de argumentação, ou seja, numa espécie de “ética narcísea pós-moderna”, muitas vezes confundem-se democracia com irresponsabilidade social, mas aí é um grande debate que cada vez mais vem ganhando contornos mais disformes na sociedade.
Ademais, segundo a mesma esteira desta “ética”, qualquer desavisado que for contrário a liberação de drogas, será imediatamente tachado de forma acusatória como sendo “de direita”, “fascista”, “reacionário”, pois não estaria coadunando com os hiperflexíveis “valores da nova ética pós-moderna”. Curiosamente, os mesmos que apontam ao dedo em riste para quem é contrária a farra do alucinógeno raramente são o mesmo que irão acolher o corpo saturado e tísico daquele desesperado por tentar sair do mesmo caminho naufrágio por onde começou a dar as primeiras braçadas.
É bom lembrar, que muitas vezes, no debate pós-moderno, a lógica e coerência de uma dimensão hipernarcísea não são elementos fundamentais em discursos cada vez mais esburacados e pouco dados à responsabilidade social coletiva.
É fundamental lembrar que um grande “câncer” que assola a atualidade da América Latina é a violência epidêmica derivada do narcotráfico. Pablo Escobar representou a figura do grande empresário mafioso que matou, assassinou, destroçou, corrompeu qualquer coisa que fosse obstáculo aos seus negócios ilícitos. Agora, Pablo Escobar, novamente será um “herói” em série televisiva (ele mesmo rendeu alguns filmes e também um seriado colombiano exibido em 2012, “Pablo Escobar: El Patrón del Mal”), ao estilo eloquente de outros personagens televisivos que o cinema e a TV colocaram, em tons dramáticos, lugares de privilégios e onde o telespectador, em muitas situações, sentiu, até mesmo, “pena” de cândidas figuras controversas, mesmo que um dado personagem seja um arauto do terror e responsável pela morte de milhares de pessoas.
Neste intervim, com a hipertrofia do desejo imediatista e o cabedal de projeções a respeito das veleidades narcíseas na Pós-Modernidade, cabe sempre uma pergunta: vale a pena ser honesto, no sentido mais fundante do termo, em tempos de democracia difusa, valores desnorteados e violência banalizada?

Francy Lisboa
7 de março de 2014 1:47 pmMuito bom Wellington. A
Muito bom Wellington. A criação dos anti-heróis é um sintoma da hipocrisia e de como a nossa sociedade é rasa. Mas aqui há de se fazer uma ponderação. Não existem ininfluenciáveis e toos nós somos hipócritas em maior ou menor grau de extensão dependendo da escala das nossas relações pessoais. Não há de ter utopias sobre o fim do “eu primeiro” no Brasil simplesmente em função de sua multiplicidade. Percebam, nenhum pais está livre do “eu primeiro”, mas alguns dão claros sinais sobre a abominação aos anti-heróis. Logo, isso sugere não haver relação entre o individualismo e a criação de anti-heóris como sugeriu o Assis. O que me desesperação é ter esperança e não enxergar solução sem uma extinção…mas eu não quero morrer…não agora.
FL
Fernando Lopes
7 de março de 2014 1:48 pmPensei que seria um texto válido…
Ao ler o título pensei que seria um comentário válido e instigante sobre a banalização da violência…
Mas ao contrário é só mais velho clichê anti-drogas típico do PIG. O mais curioso desses que os que defendem “o fim do mundo por causa das drogas” ignoram solenemente o alcool. A droga liberada, oficial das grandes corporações comerciais nunca é vista como droga. É um diversão necessária, é um direito do cidadão. Seria útil a este cidadão que escreveu este texto que estudasse um pouco as estatísticas dos danos causados pelo alcool no Brasil e no mundo, em dados médicos e científicos, não em manchetes da Globo ou Veja.
Outro aspecto que ele ignora é que toda violência “gerada pelas drogas” se origina na repressão as drogas e não nas drogas em si. Acho cocaína uma droga terrível, e os viciados em cocaína em geral são violentos, reacionários e autoritários. Mas isso não me impede de ver que no Império Inca a mesma droga era um presente dos deuses. Quem está certo ou errado? O viciado e o traficante que espalham violência ou o sacerdote que usava a droga para falar com o deus sol?
Esta redução intelectual de a que substância é o problema torna todo o debate sobre drogas em uma divagação irrealista. Claro que se alguém é violento ou mata por conta de uma carreira de pó a culpa é da droga, mas se ela mata e agride estando bêbado o problema é da personalidade de quem fez o ato violento(é o que transparece nopensamento de Welligton Menezes).
E outra coisa triste do texto é considerar “os bons “Tropa de Elite I e II”, além de “Robocop” como sendo grandes exemplos de bom cinema somente pela sua qualidade técnica e de produção, esquecendo o quanto de oportunistas e incentivadoras de violência tais produções tem. Ele mesmo é incapaz de enxergar o sucesso de tais filmes como um reflexo da violência atual, onde fica difícil corelacionar com o problema das drogas.
Na visão dele então ao falar de violência policial ou ao legitimar a violência política do domínio americano (em Robocop) o diretor de cinema é um gênio, mas ao se focar em um personagem ligado ao tráfico de drogas ele passa a ser um divulgador da violência!!
A ignorância dele sobre o tema é tão extrema que ele esquece de investigar as razões da repressão às drogas. Nem sempre elas foram reprimidas e o início da repressão tem raízes claramente baseadas na repressão de minorias étnicas diferentes da elite branca européia (negros, asiáticos, islâmicos, indígenas). Minorias essas que tinham sua “droga tradicional” assim como o alccol é para as populações de origem européia.
E no fim de tudo o tema que estava no título ( Banalização da vida) nem sequer foi citado no texto!
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 1:55 pmComo se pensar em ética se o
Como se pensar em ética se o modelo que vivemos fez extrapolar a noção de indivíduo e esfarelou o coletivo.
No balanço do “eu primeiro” não sobra espaço para a ética.
Nossas mídias não cansam de incensar o anti-herói. Os oportunistas que “se dão bem” são festejados. A transgressão é enaltecida.
Programas como o BBB fazem sucesso, nossos jornais e programas de televisão que “Nunca se espreme / Porque pode derramar.”, como disse Tom Zé.
As propagandas que insuflam ao consumo faz com que a procura pela felicidade extrapole o bom senso, o equilíbrio, respeito pelas normas. Ganhar e se dar bem é o lema.
As artes, sobretudo a música, reflete e incentiva essa cultura.
Como diz Guilherme Arantes: “Existe esse cenário de balada em um país infantilizado como Brasil, um país que perdeu a profundidade. Agora é uma coisa rasa, é só festa.”
As criações culturais, historicamente, sempre representaram o momento de determinada sociedade naquilo que ela é ou pretende ser.
É dessa forma que, por exemplos, o “funk ostentação”, propõe uma vida de consumo extravagante e o “arrocha” e o “sertanejo Universitário” que propõe uma vida regada a sexo e prazeres ilimitados. São os movimentos culturais que servem de bases do ideal de si a ser perseguido e eventualmente realizado por cada um.
Os meios de comunicação de massa cumprem, então, o seu papel: associam a ideia de “ser jovem”, “consumista”, “ampla liberdade”, “ser de sucesso” e “sexo” – o ser que não se importa com nada que não seja o próprio prazer, imediato, rápido, fluido – como modelo de felicidade.
Essa nova música parece refletir a busca da adolescência eterna.
O roteiro de imagem seguido pelos artistas é sempre o mesmo. São jovens e endinheirados, verdadeiros empreendedores de relacionamentos humanos. Um sujeito destemido, porém sensível.
Esses artistas, e o público que eles representam, são os verdadeiros estereótipos – comportamento desprovido de originalidade que, faltando adequação à situação presente, se caracteriza pela repetição automática de um modelo anterior, anônimo ou impessoal – das pessoas na chamada sociedade pós-moderna.
A revista bula, http://www.revistabula.com/332-mib-musica-imbecil-brasileira-o-sertanejo-universitario-na-era-da-imbecilidade-monossilabica/, traz um artigo interessante sobre este movimento, intitulado de MIB – Música Imbecil Brasileira, da qual reproduzo o parágrafo abaixo:
“Trata-se de um modelo hedônico de uma sociedade capitalista hedonista, marcadamente voltado ao consumo, onde ser um “idiota”, um “imbecil completo”, não só não é motivo de desonra — própria e familiar — como se consubstancia num status socialmente tolerado (diria mesmo instigado). É o estereótipo desejável da sociedade globalizada por relações líquidas sob o elo do idioma da velocidade: no falar, no vestir, no relacionar-se, tudo que se refere ao gênero humano passa numa piscadela.”.
Essa é a situação corriqueira na vida, vivemos sem objetivos éticos e excesso de individualismo, e que como efeito colateral nos traz o medo e a insegurança.
LACosta
7 de março de 2014 2:28 pmhelicópteros brasileiros
Sei não Assis,
A glamorização do bandido é um fato que não é de agora, tanto na música ou no cinema. Questão de gosto e de muita educação (mas aí já outro problema).
Queria alertar para um dado sinistro que correu à boca pequena, principalmente à época da passagem dos governos de Itamar para o Fernando. Para mim “o mensalão” começou ou tornou-se, digamos, mais sofisticado aí. Consta que o cartel de Medellín tinha muita grana aplicada no Brasil. Claro que havia consumo no país então como essa grana das drogas iam para o cartel? Sempre foi um processo de lavagem cruzada inclusive com a intermediação de títulos de empresas e quero crer que as agências de publicidade um dia irão explicar.
Com o seriado da TV Breaking Bad e antes desse, Prófugos, sem glamorização, houve “a denúncia” da participação política para associação com o tráfego, principalmente o último onde a “ministra e o presidente” estão até o pescoço.
Ora, um artigo clamando por, mesmo que fazendo propaganda, não se fazer filmes com figuras como Pepe me cheira (ops…) mesmo que involuntária, ou “de melhores intenções” possíveis (não conheço o Professor) uma tentativa de “vamos esquecer isso” não vamos falar mais nisso…
O tapete no Brasil vem sendo construído/tecido a muito tempo e sempre teremos os garis intelectuais com muitas vassouras. Posso estar errado mas a exemplo de um post anterior sobre os 12 anos de escravidão – o filme – quando é que vamos começar a discutir os 300 anos de escravidão no Brasil???
Assis Ribeiro
7 de março de 2014 1:56 pmÉtica e conflito A
Ética e conflito
A substituição da filosofia e da ética pelo pragmatismo do neoliberalismo.
As crises presentes nesta fase chamada de pós-modernismo se dá, sobretudo, pela absorção da ética pelos princípios pragmáticos do neoliberalismo tornando ultrapassado e fora de moda qualquer debate de organização das relações humanas. Os pensadores que propõem o debate, o aprofundamento do pensamento que liberte o indivíduo das correntes dominantes são desprezados e taxados como chatos irrelevantes, extremistas, membros da extrema esquerda ou Polianas ingênuos e idealistas.
Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia já tinha observado esses problemas da educação para a autonomia, na presença do forte discurso ideológico empregado pelo neoliberalismo. Na sua concepção é inaceitável o modelo vigente, que transgride permanentemente a ética universal do ser humano, substituindo-a por uma ética mercadológica de concorrência desleal e consumo desenfreado:
“Quando, porém, falo da ética universal do ser humano estou falando da ética enquanto marca da natureza humana, enquanto algo absolutamente indispensável à convivência humana. Ao fazê-lo estou advertindo das possíveis críticas que, infiéis a meu pensamento, me apontarão como ingênuo e idealista. Na verdade, falo da ética universal do ser humano da mesma forma como falo de sua vocação ontológica para o ser mais, como falo de sua natureza constituindo-se social e historicamente não como um ‘a priori’ da História. (…) Quer dizer, mais do que um ser no mundo, o ser humano se tornou uma Presença no mundo, com o mundo e com os outros. Presença que, reconhecendo a outra presença como um “não-eu”, se reconhece como “si própria”. Presença que se pensa a si mesma, que se sabe presença, que intervém, que transforma, que fala do que faz mas também do que sonha, que constata, compara, avalia, valora, que decide, que rompe. (…)”
O que se vê é que sobram discursos conformistas de que “a realidade é assim mesmo”, pensamento que chegou ao máximo com a afirmação do economista político americano Francis Fukuyama em seu livro “O fim da história e o último homem” onde argumenta que o advento da Democracia Liberal ocidental seria o ponto final da evolução sociocultural humana e a forma final do governo humano. Estava decretada a impossibilidade de quaisquer mudanças.
Para que o mundo possa avançar é necessário o resgate da filosofia como ponto de partida do pensamento humano para que produza uma ética de resistência como mecanismo de combate à mesmice ditada pelas forças econômicas e culturais que engessam as possibilidades de mudanças e avanços.
No contexto atual o indivíduo é tragado pelas informações de consumo de uma sociedade que vive atordoada e manipulada pelas várias formas de controle que visam a adaptação do indivíduo ao que é preconizado pelos meios de produção e vastamente divulgadas pela imprensa em comerciais e propagandas e mesmo na forma de matéria jornalística. A ideia é promover a adaptação ao consumo e outras formas que nos são impostas. O questionamento e a busca de alternativas ao modelo se tornam praticamente impossíveis.
Assim se forma a sociedade do “ter” e a espetacularização do indivíduo que passa a não refletir sobre o “ser” trazendo como efeitos colaterais a supremacia do ego com o reforço do narcisismo e do hedonismo moderno, Hedonismo: Doutrina caracterizada pela busca excessiva pelo prazer como propósito mais significante da vida moral; busca incessante pelo prazer como bem supremo. Excessiva busca pelo prazer como modo de vida, e designa uma atitude de vida voltada para a busca egoísta de prazeres momentâneos.
Tornamos-nos um reflexo das imagens midiáticas, onde os meios de comunicação se tornam os formuladores dos processos sociais, políticos, econômicos e culturais, em um processo de colonização da vida cotidiana e da artificialização dos indivíduos, povoado agora por imagens e objetos que nos integram através de um processo de acumulação de consumo e que nos levam a desejar uma vida em moldes não construídos por nós próprios, mas idealizados pelo sistema.
Tudo o que desejamos é a alta visibilidade, reforçada pela admiração de ídolos televisivos que nos são impostos como modelo de felicidade, riqueza e poder. O ser humano passa a ser um buscador de performances, vivendo uma densa teatralização do cotidiano, copiando estilos e personagens e usando máscaras sociais para esconder aquilo que é e não quer ser.
Esse narcisismo e hedonismo ganham substancial reforço com o advento da internet e a utilização das redes sociais como o Facebook, Twitter e WhatsApp ferramentas utilizadas para quem também busca parecer uma celebridade ou tornar-se, pelo menos, conhecido. Essas redes, que surgiram prioritariamente como um agente para a integração social, criaram um ambiente propício para o exibicionismo e o voyerismo (prática que consiste no prazer a partir da observação de outras pessoas), onde ser contemplado e admirado é o que importa. Torna-se comum a utilização de imagens falsas, os fakes, notícias e informações duvidosas, onde pessoas são enganadas e muitas vezes induzidas a caírem em verdadeiras armadilhas, colocando-se em risco a sua própria integridade moral e física.
Neste modelo, a ética, como objetivo principal de nortear a vida humana de forma racional e justa, falha e favorece o surgimento de indivíduos com atrofia da personalidade e falta de caráter humano, um fantoche social determinado pela mídia e pela sociedade de consumo.
Sobre esta crise da pós-modernidade há um excelente artigo de Helvécio Damis de Oliveira Cunha, “A crise ética na pós-modernidade e seus reflexos sobre a educação jurídica”, do qual extraio a passagem abaixo, encontrada no site
http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11655:
(…)Marilena Chauí (apud, Bittar, 2004, p. 56) ilustra bem esses tempos de transitoriedade das relações humanas:
“O pós-modernismo faz a opção pela contingência. E, com ela, opta pelo fragmentado, efêmero, volátil, fugaz, pelo acidental e descentrado, pelo presente sem passado e sem futuro, pelos micropoderes, microdesejos, microtextos, pelos signos sem significados, pelas imagens sem referentes, numa palavra, pela indeterminação que se torna, assim, a definição e o modo da liberdade. Esta deixa de ser a conquista da autonomia no seio da necessidade e contra a adversidade para tornar-se jogo, figura mais alta e sublime da contingência. Mas essa definição da liberdade ainda não nos foi oferecida pelo pós-modernismo; está apenas sugerida por ele, pois definir seria cair nas armadilhas da razão, do universal, do logocentrismo falocrático ou de qualquer outro monstro que esteja em voga. Donde o sentimento de que vivemos uma crise dos valores morais (e políticos)”.
As palavras de Chauí demonstram o quanto o homem perdeu seus padrões éticos, transformando a vida em uma existência de riscos. Esse novo período no qual a ética se torna relativizada alterou profundamente quatro grupos fundamentais de relações humanas: as relações intersubjetivas, sociais e familiares; as relações econômicas; as relações políticas; e, também, as relações jurídico-sociais.
No plano das relações intersubjetivas, sociais e familiares, constata-se o surgimento de um período de marcante indiferença pelo outro indivíduo, no qual as pessoas não conseguem orientar claramente suas vidas e seguir valores. A verdade passa a ser relativizada, assim como a convivência familiar perde espaço para os instrumentos tecnológicos (ex.: televisão e internet). A imagem feminina é vulgarizada para satisfazer a libido masculina. As pessoas passam a assimilar conceitos e pensamentos preestabelecidos e massificados, sem a adequada meditação. Artistas e indivíduos ligados à mídia são mitificados e idolatrados. As relações humanas são marcadas pela intolerância às diferenças e a sociedade se torna imediatista, pois as pessoas dão mais valor para os bens perecíveis ou de pouca duração (ex.: drogas, álcool, culto ao corpo etc.).
No plano das relações econômicas, a relativização da ética, oriunda principalmente dos efeitos causados pelo capitalismo, estabeleceu a mercantilização dos prazeres (ex.: sexual, diversão e outros), assim como também as coisas e as pessoas passaram a ser mensuradas pelo que elas valem materialmente. O fetiche capitalista apontado por Marx se intensifica, pois o consumo cresce cada vez mais e faz com que as pessoas tenham “necessidades imaginárias”, além de criar uma sensação de “vazio” (…).
http://assisprocura.blogspot.com.br/2014/02/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html
Antonio C.
7 de março de 2014 3:14 pmBanalização da violência.
Abro um livro de História e chego a conclusão de que isto é redundância.