
Sua Majestade, o Imperador Donald do Mundo
por Fernando Nogueira da Costa
Uma paródia satírica transforma o episódio de a Embaixada dos EUA no Brasil ter divulgado mensagens ameaçadoras contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e contra os aliados dele no Judiciário, em um roteiro de “realidade invertida” nos EUA. O Brasil assume o papel intervencionista e Donald Trump se mostra encarnado como um Imperador Napoleão de hospício.
Globe TV – National News (Com trilha sonora dramática, imagens do Capitólio ocupado por uma massa popular e close em bandeiras brasileiras tremulando)
Âncora: “Boa noite. Uma crise diplomática sem precedentes explode em Washington: a Embaixada do Brasil nos EUA publicou hoje mensagens duríssimas contra a Suprema Corte americana e contra aliados do presidente da Câmara. O alvo central: o ministro-chefe da Suprema Corte, Alexander Lived, acusado pelo Itamaraty de liderar uma campanha de censura e perseguição contra Sua Majestade Donald, Imperador de Todo o Mundo e dono da melhor rede de hotéis e resorts de todos os tempos – fora um resort com campo de golfe na Escócia e uma Criptomoeda TRUMP Memecoin, lançados com prestígio de seu cargo.”
A nota, retuitada pelo adido cultural do Brasil — um ex-assessor do governo brasileiro Capachonaro, conhecido por ter participado de simpósios sobre “O Negacionismo Científico em Tempos de Covid-19” — diz:
“O ministro Alexander The Great, vulgo Chandon, é o principal arquiteto da perseguição jurídica contra o Imperador Donald. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções previstas pela Lei do Café em Grãos, determinadas pelo ex-presidente do Brasil. Os aliados de Chandon, na Suprema Corte e no Congresso, estão avisados para não apoiar nem facilitar suas condutas. Estamos monitorando de perto e comendo toda a carne antes exportada.”
Fontes da Casa Branca relataram o Imperador Donald, ao ser informado, ter subido na sacada do Salão Oval usando um manto bordado com águias douradas e gritou para a multidão de republicanos americanos sacudindo bandeiras brasileiras: — “Estão vendo? Até o Brasil, capaz de inventar o carnaval e o VAR na Copa, sabe eu ser uma vítima de perseguição! Deus me deu o mundo e o Brasil confirmou!”
Enquanto isso, o Congresso americano, surpreso com a interferência na soberania nacional, convocou uma audiência emergencial:
Deputado democrata: — “Isso é um absurdo! Desde quando uma embaixada estrangeira dá pito no nosso Judiciário?”
Deputado republicano trumpista responde: — “Desde quando o Judiciário começou a não deixar o Imperador governar por decreto imperial eterno!”
A tensão escalou quando o ex-governante brasileiro, do alto de sua prisão domiciliar, anunciou, caso o impeachment de Donald não fosse arquivado de vez, poderia retaliar com medidas severas, incluindo proibir a exportação de café para os EUA. Os americanos, viciados em uma cheirada em cocaína do México e uma xicrinha de cafeína do Brasil, se desesperaram com a crise de abstinência.
Embaixador autonomeado, neto do último ditador brasileiro: — “Os americanos vão ter de se contentar com café solúvel e hot dog.”
Enquanto a imprensa mundial comentava o caso, o Imperador Donald encerrou o dia com mais um decreto: o Hino Nacional americano deveria, dali em diante, ser cantado em ritmo de samba e com refrão em português: “Ó, say can you see… que eu mando aqui!”
O noticiário televisivo passou a ser ocupado com falas de “analistas políticos” e comentários de rua de americanos indignados ou confusos com a “República do Café” dando ordem em Washington. Mas aí surge um fato novo.
Globo Newspaper (Vinheta com bandeiras dos EUA e do Brasil se entrelaçando, ao fundo toca o hino americano em ritmo de samba-enredo)
Âncora: “Boa noite. Uma crise diplomática, chamada de Café-Gate, atinge Washington. A Embaixada brasileira, em resposta ao embaixador oficioso do Brasil, Edward Capachonaro, publicou mensagens exigindo o Congresso americano colocar em votação imediata o impeachment do Imperador Donald, acusado de acreditar ser Napoleão Bonaparte, reincorporado, e de tentar anexar o Canadá como uma província, depois de expropriar a Groelândia da Dinamarca. A pressão veio depois de a Suprema Corte dos EUA ter determinado sua prisão preventiva com tornozeleira eletrônica… em um hospício.”
Imagens: helicóptero filmando a Suprema Corte cercada de bandeiras brasileiras e carros com megafones tocando “Aquarela do Brasil” pelas ruas de Washington.
Âncora: “A publicação foi feita pelo adido cultural do Brasil, conhecido por suas palestras sobre a ‘Supremacia do Cloroquina’. No texto, ele afirma: ‘O ministro Alexander The Great é o principal arquiteto da perseguição contra o Imperador Donald. Suas flagrantes violações dos direitos do monarca resultaram em sanções pela Lei do Café em Grãos, determinadas pelo ex-presidente do Brasil. O Congresso americano deve agir ou ficará sem café, picanha e caipirinha.”
Corte para Correspondente em Washington: “A repercussão foi imediata. Republicanos trumpistas saíram às ruas com cartazes dizendo ‘Make Brazil Great Again’, enquanto democratas acusaram o Brasil de tentar fazer diplomacia com samba e chantagem de cafeína. O clima esquentou quando um grupo de seguidores de Donald tentou invadir o Capitólio para exigir anistia ao Imperador, gritando palavras de ordem como ‘Um, dois, três… Napoleão outra vez!’.”
Âncora: “Fontes próximas ao Imperador Donald informaram, ao saber da interferência brasileira, ele ter vestido um uniforme de gala do século XIX, ter subido na varanda do Salão Oval e, com a mão na barriga, ordenado todos se referirem a ele como ‘Sua Majestade Imperial, Donald I, Protetor da Humanidade e Guardião da Receita da Trump Organization, Inc..”
Entrevista de Rua – Cidadão americano confuso: –- “Eu só queria o meu cappuccino… agora tão dizendo: vai ser proibido importar café brasileiro porque o Brasil quer decidir quem é o presidente daqui. Isso é tipo… colonialismo reverso, provocado pelo nosso Napoleão de hospício?”
Análise de Estúdio – “Especialista” em Relações Brasil-EUA: “O Brasil está aplicando uma estratégia conhecida como soft power de cafeteria. Primeiro vicia a gente com o café, depois ameaça cortar o suprimento. É basicamente a ‘Doutrina Café em Grãos’ adaptada para o século XXI.”
Âncora: “A crise se agrava: Edward Trump… perdão, Edward Capachonaro, filho do ex-presidente brasileiro, foi visto em Washington pedindo de joelhos a Donald para ele sancionar com uma punição a Suprema Corte americana e exigir a libertação de seu pai… o réu em prisão domiciliar por apenas planejar, mas não executar, os assassinatos do Lula, do Picolé de Xuxu e do Chandon…”
Correspondente no Hospício Imperial: “O Imperador Donald, internado preventiva e compulsoriamente em um hospício, após discursar para uma tropa imaginária, mantém seu gabinete provisório, para imperar sobre o mundo, na sala de recreação. Ele prometeu, quando sair, governará não só os EUA, mas ‘o mundo todo, com capital em Mar-a-Lago e supervisão no alto do Cristo Redentor’.”
Fecho do Âncora: “Enquanto isso, o Itamaraty confirma a manutenção de sua posição: sem impeachment, não tem exportação de café. O Brasil virou uma potência geopolítica cafeeira capaz de chantagear o Congresso dos EUA. Washington dorme — com a falta de cafeína. Boa noite.”
Fernando Nogueira da Costa – Professor Titular do IE-UNICAMP. Baixe seus livros digitais em “Obras (Quase) Completas”: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ E-mail: [email protected].
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Gaspar
11 de agosto de 2025 12:19 pmFernando, na veia!