4 de junho de 2026

Sua Majestade, o Imperador Donald do Mundo, por Fernando Nogueira da Costa

Paródia satírica: Brasil assume o papel intervencionista e Donald Trump se mostra encarnado como um Imperador Napoleão de hospício.
Reprodução

Sua Majestade, o Imperador Donald do Mundo

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por Fernando Nogueira da Costa

Uma paródia satírica transforma o episódio de a Embaixada dos EUA no Brasil ter divulgado mensagens ameaçadoras contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e contra os aliados dele no Judiciário, em um roteiro de “realidade invertida” nos EUA. O Brasil assume o papel intervencionista e Donald Trump se mostra encarnado como um Imperador Napoleão de hospício.

Globe TV – National News (Com trilha sonora dramática, imagens do Capitólio ocupado por uma massa popular e close em bandeiras brasileiras tremulando)

Âncora: “Boa noite. Uma crise diplomática sem precedentes explode em Washington: a Embaixada do Brasil nos EUA publicou hoje mensagens duríssimas contra a Suprema Corte americana e contra aliados do presidente da Câmara. O alvo central: o ministro-chefe da Suprema Corte, Alexander Lived, acusado pelo Itamaraty de liderar uma campanha de censura e perseguição contra Sua Majestade Donald, Imperador de Todo o Mundo e dono da melhor rede de hotéis e resorts de todos os tempos – fora um resort com campo de golfe na Escócia e uma Criptomoeda TRUMP Memecoin, lançados com prestígio de seu cargo.”

A nota, retuitada pelo adido cultural do Brasil — um ex-assessor do governo brasileiro Capachonaro, conhecido por ter participado de simpósios sobre “O Negacionismo Científico em Tempos de Covid-19” — diz:

“O ministro Alexander The Great, vulgo Chandon, é o principal arquiteto da perseguição jurídica contra o Imperador Donald. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções previstas pela Lei do Café em Grãos, determinadas pelo ex-presidente do Brasil. Os aliados de Chandon, na Suprema Corte e no Congresso, estão avisados para não apoiar nem facilitar suas condutas. Estamos monitorando de perto e comendo toda a carne antes exportada.”

Fontes da Casa Branca relataram o Imperador Donald, ao ser informado, ter subido na sacada do Salão Oval usando um manto bordado com águias douradas e gritou para a multidão de republicanos americanos sacudindo bandeiras brasileiras: — “Estão vendo? Até o Brasil, capaz de inventar o carnaval e o VAR na Copa, sabe eu ser uma vítima de perseguição! Deus me deu o mundo e o Brasil confirmou!”

Enquanto isso, o Congresso americano, surpreso com a interferência na soberania nacional, convocou uma audiência emergencial:

Deputado democrata: — “Isso é um absurdo! Desde quando uma embaixada estrangeira dá pito no nosso Judiciário?”

Deputado republicano trumpista responde: — “Desde quando o Judiciário começou a não deixar o Imperador governar por decreto imperial eterno!”

A tensão escalou quando o ex-governante brasileiro, do alto de sua prisão domiciliar, anunciou, caso o impeachment de Donald não fosse arquivado de vez, poderia retaliar com medidas severas, incluindo proibir a exportação de café para os EUA. Os americanos, viciados em uma cheirada em cocaína do México e uma xicrinha de cafeína do Brasil, se desesperaram com a crise de abstinência.

Embaixador autonomeado, neto do último ditador brasileiro: — “Os americanos vão ter de se contentar com café solúvel e hot dog.”

Enquanto a imprensa mundial comentava o caso, o Imperador Donald encerrou o dia com mais um decreto: o Hino Nacional americano deveria, dali em diante, ser cantado em ritmo de samba e com refrão em português: “Ó, say can you see… que eu mando aqui!”

O noticiário televisivo passou a ser ocupado com falas de “analistas políticos” e comentários de rua de americanos indignados ou confusos com a “República do Café” dando ordem em Washington. Mas aí surge um fato novo.

Globo Newspaper (Vinheta com bandeiras dos EUA e do Brasil se entrelaçando, ao fundo toca o hino americano em ritmo de samba-enredo)

Âncora: “Boa noite. Uma crise diplomática, chamada de Café-Gate, atinge Washington. A Embaixada brasileira, em resposta ao embaixador oficioso do Brasil, Edward Capachonaro, publicou mensagens exigindo o Congresso americano colocar em votação imediata o impeachment do Imperador Donald, acusado de acreditar ser Napoleão Bonaparte, reincorporado, e de tentar anexar o Canadá como uma província, depois de expropriar a Groelândia da Dinamarca. A pressão veio depois de a Suprema Corte dos EUA ter determinado sua prisão preventiva com tornozeleira eletrônica… em um hospício.”

Imagens: helicóptero filmando a Suprema Corte cercada de bandeiras brasileiras e carros com megafones tocando “Aquarela do Brasil” pelas ruas de Washington.

Âncora: “A publicação foi feita pelo adido cultural do Brasil, conhecido por suas palestras sobre a ‘Supremacia do Cloroquina’. No texto, ele afirma: ‘O ministro Alexander The Great é o principal arquiteto da perseguição contra o Imperador Donald. Suas flagrantes violações dos direitos do monarca resultaram em sanções pela Lei do Café em Grãos, determinadas pelo ex-presidente do Brasil. O Congresso americano deve agir ou ficará sem café, picanha e caipirinha.

Corte para Correspondente em Washington: “A repercussão foi imediata. Republicanos trumpistas saíram às ruas com cartazes dizendo ‘Make Brazil Great Again’, enquanto democratas acusaram o Brasil de tentar fazer diplomacia com samba e chantagem de cafeína. O clima esquentou quando um grupo de seguidores de Donald tentou invadir o Capitólio para exigir anistia ao Imperador, gritando palavras de ordem como ‘Um, dois, três… Napoleão outra vez!’.

Âncora: “Fontes próximas ao Imperador Donald informaram, ao saber da interferência brasileira, ele ter vestido um uniforme de gala do século XIX, ter subido na varanda do Salão Oval e, com a mão na barriga, ordenado todos se referirem a ele como ‘Sua Majestade Imperial, Donald I, Protetor da Humanidade e Guardião da Receita da Trump Organization, Inc..”

Entrevista de Rua – Cidadão americano confuso: –- “Eu só queria o meu cappuccino… agora tão dizendo: vai ser proibido importar café brasileiro porque o Brasil quer decidir quem é o presidente daqui. Isso é tipo… colonialismo reverso, provocado pelo nosso Napoleão de hospício?”

Análise de Estúdio – “Especialista” em Relações Brasil-EUA: “O Brasil está aplicando uma estratégia conhecida como soft power de cafeteria. Primeiro vicia a gente com o café, depois ameaça cortar o suprimento. É basicamente a ‘Doutrina Café em Grãos’ adaptada para o século XXI.”

Âncora: “A crise se agrava: Edward Trump… perdão, Edward Capachonaro, filho do ex-presidente brasileiro, foi visto em Washington pedindo de joelhos a Donald para ele sancionar com uma punição a Suprema Corte americana e exigir a libertação de seu pai… o réu em prisão domiciliar por apenas planejar, mas não executar, os assassinatos do Lula, do Picolé de Xuxu e do Chandon…”

Correspondente no Hospício Imperial: “O Imperador Donald, internado preventiva e compulsoriamente em um hospício, após discursar para uma tropa imaginária, mantém seu gabinete provisório, para imperar sobre o mundo, na sala de recreação. Ele prometeu, quando sair, governará não só os EUA, mas ‘o mundo todo, com capital em Mar-a-Lago e supervisão no alto do Cristo Redentor’.”

Fecho do Âncora: “Enquanto isso, o Itamaraty confirma a manutenção de sua posição: sem impeachment, não tem exportação de café. O Brasil virou uma potência geopolítica cafeeira capaz de chantagear o Congresso dos EUA. Washington dorme — com a falta de cafeína. Boa noite.”


Fernando Nogueira da Costa – Professor Titular do IE-UNICAMP. Baixe seus livros digitais em “Obras (Quase) Completas”: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/ E-mail: [email protected]

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Fernando Nogueira da Costa

Fernando Nogueira da Costa possui graduação em Economia pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG (1974), mestrado (1975-76), doutorado (1986), livre-docência (1994) pelo Instituto de Economia da UNICAMP, onde é docente, desde 1985, e atingiu o topo da carreira como Professor Titular. Foi Analista Especializado no IBGE (1978-1985), coordenador da Área de Economia na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP (1996-2002), Vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais da Caixa Econômica Federal e Diretor-executivo da FEBRABAN – Federação Brasileira de Bancos entre 2003 e 2007. Publicou seis livros impressos – Ensaios de Economia Monetária (1992), Economia Monetária e Financeira: Uma Abordagem Pluralista (1999), Economia em 10 Lições (2000), Brasil dos Bancos (2012), Bancos Públicos do Brasil (2017), Métodos de Análise Econômica (2018) –, mais de cem livros digitais, vários capítulos de livros e artigos em revistas especializadas. Escreve semanalmente artigos para GGN, Fórum 21, A Terra é Redonda, RED – Rede Estação Democracia. Seu blog Cidadania & Cultura, desde 22/01/10, recebeu mais de 10 milhões visitas: http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/

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  1. Gaspar

    11 de agosto de 2025 12:19 pm

    Fernando, na veia!

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