10 de junho de 2026

Não aceitaremos que os EUA rebaixem o Brasil a seu quintal, diz Celso Amorim

Para enfrentara a ofensiva, assessor especial da presidência defendeu diversificação de mercados como novo "nome da independência"
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o atual governo de Donald Trump representa “algo totalmente novo” na política externa dos EUA, voltado a desmontar o multilateralismo, redesenhar o mundo em blocos regionais e relegar a América Latina — especialmente o Brasil — à condição de “seu quintal”.

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“Eles querem considerar a América Latina e a América do Sul, e o Brasil, em particular, como parte do seu quintal. Mas isso nós não vamos aceitar”, disse no programa Roda Viva desta segunda (11). 

Amorim acrescentou que, sob Trump, Washington abandonou definitivamente a diplomacia, passou a apoiar abertamente a extrema-direita global e intensificou os ataques a governos progressistas.

REEDIÇÃO DA DOUTRINA MONROE

Durante o programa, o embaixador avaliou que os Estados Unidos ensaiam a reedição da Doutrina Monroe — base histórica do imperialismo norte-americano, marcado pelo domínio territorial, econômico e militar sobre a região.

Para isso, recorrem a tarifas comerciais e instrumentos como a Lei Magnitsky para pressionar governos progressistas e punir quem desafia sua hegemonia — estratégia que, depois do Brasil, já mira Colômbia e México, numa tentativa de recolocar Washington como potência dominante no continente.

Amorim ponderou que, embora os EUA sigam como uma economia com forte poder militar, o cenário atual é outro. “Se essas tarifas fossem aplicadas há 25 anos, fariam um estrago. Hoje incomodam, e teremos que tomar medidas de proteção e compensação”, afirmou, citando que tais ações estão sendo encaminhadas pelo presidente Lula e pelo vice, Geraldo Alckmin.

NOVA INDEPENDÊNCIA

Para enfrentar a ofensiva, Amorim defendeu duas frentes: diversificação de mercados e fortalecimento da integração regional. “A diversificação é o novo nome da independência”, disse, lembrando que o Brasil deve aprofundar laços com o México, que em breve receberá uma delegação de empresários liderada por Alckmin.

O chanceler também ressaltou a importância de ampliar relações com China, Índia, União Europeia, África e parceiros asiáticos como a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), para reduzir vulnerabilidades, fortalecer a autonomia do Brasil e evitar a lógica da dependência.

 “A época da autossuficiência e do protecionismo absoluto não existe mais. Mas, para não sermos quintal de ninguém, temos que diversificar nossos parceiros”, completou.

ENCONTRO NA ONU FORA DOS PLANOS

Sobre um possível encontro entre Lula e Trump durante a Assembleia-Geral da ONU, marcada para setembro em Nova York, Amorim disse que não está nos planos, embora não descarte totalmente a hipótese caso surjam gestos que justifiquem a aproximação.

“O Brasil, por tradição, é o primeiro orador na Assembleia-Geral, e os Estados Unidos são o segundo. [Lula e Trump] podem se encontrar, podem não se encontrar. Eu acho que o presidente Lula será sempre cortês porque é da natureza dele. Agora, hoje, não creio que esteja nos planos pedir um encontro”, afirmou.

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Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    12 de agosto de 2025 9:35 pm

    O Brasil tem que seguir seu curso e deixar o amarelão latir

  2. Rui Ribeiro

    13 de agosto de 2025 6:23 am

    “Domo de Ouro’, sistema antimísseis que Trump quer desenvolver, contará com 4 camadas de satélites e mísseis terrestres”

    Será que terá uma taxa de sucesso de 17%? Ou de 102%?

    Ou é esperar, caso se tenha fôlego, estômago e visão, prá testumhar ocularmente?

    Se imagine a bordo de um drone, tentando alvejar um beija-flor em vôo. Estupidez ao cubo

  3. Rui Ribeiro

    13 de agosto de 2025 11:29 am

    “Líderes Europeus se reúnem para tentar convencer Trump a não abandonar a Ucrânia”.

    Porque eles não se reúnem igualmente para convencer Trump a não ajudar U$rael a promover a carnificina de Palestinos e a reduzir a Faixa de Gaza a escombros??

  4. Rui Ribeiro

    13 de agosto de 2025 11:40 am

    Kd a ligação telefônica do Trump pro Lula?

    “Deve existir uma estrela, um caminho que leve até você a minha voz
    Cuidado, Meu Amor, eu preciso lhe avisar, esse mundo está tramando contra nós
    Meu Bem, Meu Bem, ao menos telefone
    Pelas ruas da cidade eu vou gritando o seu nome

    Meu Bem, Meu Bem, ao menos telefone, pelas ruas da cidade eu vou gritando o seu nome
    No rádio, Meu Amor, eu não consigo mais ouvir as canções que eu fiz para você
    Eu sei que as manchetes dessa guerra e a distância estão te ajudando a me esquecer
    Meu Bem, Meu Bem, ao menos telefone pelas ruas da cidade eu vou gritando o seu nome”

    Meu Bem, Ao Menos Telefone, Canção de José Roberto

    Tarcísio, liga para o Bananinha lá nos EUA, e pede prá ele deixar de traíragem e colaboracionismo.

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