A dependência de tecnologia estrangeira — da criptografia naval aos aviônicos do Gripen — e a falta de coordenação institucional transformam projetos estratégicos atrasados em fragilidades reais. A análise foi feita pelo pesquisador Henrique Álvares (UFF/UFRJ) em entrevista ao jornalista Luís Nassif, no programa TV GGN 20 Horas, transmitido na noite desta sexta-feira (16) no YouTube. [Assista a íntegra ao final da matéria].

A discussão se conecta ao artigo de Nassif, “A nova economia da defesa”, publicado no Jornal GGN, que aponta a defesa como vetor de inovação tecnológica e desenvolvimento econômico.
Vulnerabilidades históricas
Álvares traça paralelos com episódios históricos, como a Guerra das Malvinas, para mostrar como a compra de sistemas críticos no exterior pode se tornar ponto de falha em conflitos: mísseis, criptografia e componentes aviônicos podem ser neutralizados ou monitorados por quem detém o domínio tecnológico.
No Brasil, essa dependência aparece em programas-chave como ProSub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), Gripen, KC-390 e fragatas, tornando a soberania operacional uma questão técnica, econômica e política.
“Essa dependência gera uma vulnerabilidade gigantesca. O Brasil precisa desenvolver os seus próprios meios de defesa. O problema é que carecemos de políticas que impulsionem isso de maneira coordenada”, declarou Álvares.
No caso do Gripen, o país participa do desenvolvimento, mas depende de subsistemas de terceiros; em comunicações e criptografia há equipamentos cuja origem externa pode gerar risco operacional em crise ou deterioração das relações diplomáticas.
Álvares também relaciona episódios de investigação e desmonte de empresas nacionais à perda de capacidade industrial estratégica recente.

Dispersão institucional
Embora existam centros de excelência como ITA, IM e universidades federais, o Brasil carece de um órgão coordenador que alinhe P&D, compras e capacidade industrial, como ocorre em outros países. A estratégia nacional sofre ainda com restrições fiscais que atrasam ou inviabilizam programas mesmo quando há vontade política e capacidade técnica.
“Tem que ter um órgão de governo, isso é uma função de governo: uma organização que centralize as aquisições de defesa. Aqui no Brasil, cada Força faz a sua aquisição. Isso é um pesadelo logístico, porque existem problemas, inclusive, de manutenção. Muitas vezes, essas Forças até têm o mesmo modelo de equipamento, mas na hora de modernizar ou fazer manutenção, fazem contratos diferentes com empresas diferentes”, explicou Álvares.
Ciência, inovação e integração
Segundo o pesquisador, há financiamento pontual da FINEP e pesquisas com potencial de aplicação dual em universidades e institutos, mas esses esforços ainda são descoordenados: projetos isolados, ausência de roadmaps compartilhados e dificuldade de translação da pesquisa para produção em escala geram perda de sinergia entre ciência, indústria e forças operacionais.
A “nova economia de defesa”, conceito destacado no artigo de Nassif e endossado por Álvares, não é apenas gasto militar; é vetor de inovação sistêmica. Investimentos bem coordenados em defesa podem puxar cadeias de semicondutores, materiais avançados, óptica, software e tecnologia nuclear.
Assista a íntegra da entrevista a partir dos 30 minutos:

José de Almeida Bispo
16 de agosto de 2025 2:33 pm“É a pressa dos nossos negócios”. Em 1646, o Conde de Nassau presenteou ao Rei-Sol com um livro-relatório que, entre outras coisas trazia um mapa detalhadissimo para a época, feito por sua equipe no governo holandês em Pernambuco. As informações dos mapas foram usadas pela cartografia mundial até fins do século XVIII. E, o Brasil, veio ter mapeamento razoável com a República. Portugal tinha interesse nos resultados. Apenas. A elite brasileira herdou-lhe totalmente no quesito intelectualidade.Foi precisa uma ditadura – do Estado-Novo – para alguma de base realmente começar a ser implementada.
ESTE PAÍS É UM MILAGRE.
jucemir rodrigues da silva
16 de agosto de 2025 3:21 pm“Chegou a hora de pensar soberania”
Já passou da hora faz muito tempo.
Rui Ribeiro
16 de agosto de 2025 7:41 pm“Trump incentiva Zelensky a ceder territórios pelo fim da guerra: ‘A Rússia é uma potência, e eles não são'”
Não é por esse, Sr. Cérebro de Toucinho, é porque eles causaram danos à Rússia, ao forçá-la a iniciar uma guerra para não ser encurralada pela Otan, que queria ceder seu espaço territorial para instalação de mísseis apontados para a Rússia.
Fábio de Oliveira Ribeiro
17 de agosto de 2025 7:01 amO Brasil tem uma tradição de vulnerabilidade militar que remonta à invasão do nordeste pelos holandeses (1630), confirmada pela invasão do Rio Grande do Sul pelo Paraguai (1865). Mas a invasão mais terrível foi ideológica e midiatica, aquela que ocorreu após o fim da II Guerra Mundial. A submissão do Brasil aos interesses geopolíticos imperiais norte-americanos foi uma conquista pacífica, empurrada goela abaixo dos brasileiros pela ganância por lucro dos endinheirados locais pela imprensa escrita, pela televisão, pelo rádio e pelo cinema. Só agora ela está sendo realmente confrontada, mas a dependência do país ao modo de vida cibernético criado pelas Big Techs gringas que obtém poder político e lucro fácil com a economia de clicks está reagindo com vigor. As ameaças de substituição da invasão por bits pela invasão por tropas talvez não seja real, mas pouco importa. As ameaças de Trump estão começando a definir a agenda politica e isso é uma prova da vulnerabilidade do nosso país. O tema da próxima eleição não será mais a esperança no futuro, mas o medo da independência política (direita e extrema direita) ou da invasão militar norte-americana (esquerda e centro) e isso não é bom.
Lênin and The Ulianovs
17 de agosto de 2025 10:27 amA questão é: não há projeto de defesa para um país vassalo como o nosso.
Olhem o roteiro da entrega do Pré-Sal.
Começou em 2007, 2008, com furto de computador portátil com os estudos de geofísica da Petrobrás, em Macaé/RJ.
Depois as grandes irmãs experimentaram comprar blocos vazios ao lado dos poços promissores, para “sugar” o óleo “pelos lados”.
Deu vazamento, não sabiam operar em águas profundas, recuaram.
Partiram para o golpe mesmo.
Tira Dilma, bota Temer, prende Lula, que pouco tempo antes era saudado como “o cara”, pelo mesmo presidente Obama, que ordenou o funcionamento da máquina da farsa jato.
Agora, o desfecho com o campo de Bumerangue…bilhões de dólares em reservas adquiridos por 8 milhões…
É disso que se trata.
Mas não é só petróleo, é terra, é água, madeira, são minerais, enfim, isso aqui é um grande rodízio, do tipo, carreguem o que puderem.
Agora, com essa palhaçada de tarifas mequetrefes, o “grande guia genial dos povos” quer nos fazer acreditar em “nacionalismos”.
Piada né?
Pagando 15% de juros aos fundos internacionais, o sujeito tem.a coragem de falar em soberania.
Defesa?
Salve-se quem puder.